O coping religioso/espiritual como dimensão do cuidar

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A espiritualidade é muito importante em qualquer dimensão da vida. Pode ser considerada uma questão relativa à natureza pessoal, ao sagrado ou à íntima relação da pessoa com a existência. Caminha para a busca de respostas dos aspectos fundamentais da vida, na direção de significados que podem dar sentido à vida e à morte. Muitas vezes a busca por esse processo subjetivo de significado na vida, caminha na direção de uma certa materialidade, assim temos a construção da religiosidade, que agrega um sistema cultural definido com crenças e rituais, onde a visão do sagrado se aproxima do sobrenatural, tendo em figuras divinas a resposta de conduta. 

Na maioria das vezes, a orientação se dá, frente a entidades superiores. Nesse caso, na religião há ordenamento do comportamento humano e principalmente, quanto a busca de compreensão da existência, temos a possibilidade de melhoria do cotidiano. A religiosidade faz com que a esperança seja renovada, na medida que o divino pode trabalhar com forças não compreendidas  mas que vão em direção a um resultado positivo. A espiritualidade, por sua vez, implica em não haver ligação com uma realidade superior, mas há a possibilidade de uma pessoa possa mergulhar em si mesma. 

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O coping religioso/espiritual como dimensão do cuidar

A religiosidade e espiritualidade

Podem ser um bom componente de cuidado em saúde, deve estar presente nas indagações dos profissionais quando há o levantamento de informações. Quando presentes no enfrentamento de situações complexas podem agir como forma de coping religioso e espiritual, este está associado à saúde e à qualidade de vida. É certo que a pandemia do Covid -19, com número de morte assustadores no Brasil, levam as famílias a uma experiência até então não conhecida sobre a morte. 

As pessoas não podem enterrar seus entes queridos, seus amigos e acompanhá-los no processo de adoecimento. Não há um processamento natural da perda. As fases do luto, muitas vezes não são experimentadas ou são, de uma forma atípica. O que restou para a sociedade foi se apegar a espiritualidade e religiosidade. Lembro que mesmo que o Estado tivesse uma maior preocupação com a dor, das pessoas, o que não me parece uma verdade, teríamos que contar com dispositivos presentes a milênios na comunidade, como é o caso de buscar o enfrentamento frente a situações difíceis por meio da espiritualidade/religiosidade.

As pessoas não podem enterrar seus entes queridos, seus amigos e acompanhá-los no processo de adoecimento. Não há um processamento natural da perda. As fases do luto, muitas vezes não são experimentadas ou são, de uma forma atípica. O que restou para a sociedade foi se apegar a espiritualidade e religiosidade. Lembro que mesmo que o Estado tivesse uma maior preocupação com a dor, das pessoas, o que não me parece uma verdade, teríamos que contar com dispositivos presentes a milênios na comunidade, como é o caso de buscar o enfrentamento frente a situações difíceis por meio da espiritualidade/religiosidade.

As pessoas tiveram que buscar o enfrentamento da perda em Deus, ou nos Deuses, de acordo com as religiões politeístas. Não importa a crença, lembrando da Laicidade do Estado. Muitos de nós necessitou de buscar no metafísico, uma vez que a realidade, possui poucos espaços de acolhimento e ajuda em detrimento da multifacetária população que temos no Brasil. Mas a figura divina, aquilo que podemos crer, está ao alcance de todos nós. Nesse momento, ciência e religião cessam uma briga antiga pela verdade. A verdade, aquela que a ciência afirma que é necessário ver para crer, rende a fé e a religião, que dá esperança. 

A religiosidade se findará na premissa conhecida por todos nós: Crer para ver! Essa projeção futura é o que diminui possivelmente os problemas de saúde mental, é o conforto que para muitos, apenas se faz presente no contato com o divino ou com o encontro profundo existencial consigo. No encontro com as figuras divinas no enfrentamento da dor da perda, temos a força da espiritualidade. Já no encontro reflexivo de si, a partir da dor que estamos sofrendo, temos o encontro com a espiritualidade. Não há relação de superioridade entre a religiosidade e espiritualidade, ambas se complementam e também podem ser experienciadas separadamente.

Enfermagem nesse contexto

A importância de nós profissionais de saúde, valorizarmos a espiritualidade/ religiosidade da pessoa, se pelo fato de ser um dos caminhos para o cuidado da pessoa. Lembramos que nem todo caminho do cuidado, necessita da intervenção direta do profissional. Podemos intervir na medida que  compreendemos essa dimensão de importância na vida das pessoas, e direcionamos uma possibilidade de cuidado através, da forma de enfrentamento da dor, da perda, do luto, que é potente para a pessoa. Se faz necessário compreender a estratégia de coping, identificando se este é positivo ou negativo, para que possamos instrumentalizar o usuário do serviço de saúde  quanto a esse enfrentamento. 

É importante que sejamos sensíveis ao luto. É importante que nós possamos criar a identificação se a estratégia de coping realizada pela pessoa está sendo positiva ou negativa. Lembre-se algumas pessoas realizam estas estratégias de maneira errada e podem adoecer nesse processo. Por isso, crie um plano de cuidado onde a pessoa participe ativamente do processo, o projeto terapêutico singular pode ser importante. Lembre que a espiritualidade e a religiosidade são um componente importante na história da humanidade. As pessoas buscam a compreensão de na ciência, nos dias atuais, mas nesses tempos de calamidade, a condição positiva da fé, por exemplo, pode fazer as pessoas serem mais resilientes. Acredito que espiritualidade seja sempre o melhor caminho pois é um dispositivo do autoconhecimento. Se conhecer e compreender sua existência pode ser libertador em relação a dores e sofrimentos do mundo. 

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Nesse momento, a sociedade precisa fortalecer aspectos culturais, religiosos, pessoais, familiares, para que as pessoas possam caminhar resilientes e com esperança. Esse movimento não afasta a ciência, mas aproxima, uma vez que a espiritualidade e a religiosidade são componentes presentes nos processo saúde-doença. Por isso, o profissional deve conhecer cada história e como se faz a relação dos usuários do serviço de saúde com estas questões. O enfrentamento por meio da espiritualidade/religiosidade, vem se mostrando benéfico. No entanto, o que temos que considerar é que necessariamente enquanto profissionais devemos nos atentar frente aos riscos, iminente de toda prática de comportamento frente a dor e ao luto. Seja sensível a essa situação, acolha as pessoas ou familiares que perderam seus entes queridos. Mas lembre-se que você também é humano e está passando por esta pandemia. E aí, quais são suas formas de enfrentamento, ou quais são seus copings?

Autor:

Referências bibliográficas:

  • De La Longuiniere ACF, Donha Yarid S, Sampaio Silva EC. Influência da religiosidade/espiritualidade do profissional de saúde no cuidado ao paciente crítico. Rev Cuid. 2018; 9(1): 1961-72. http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v9i1.413
  • Ienne, A, Fernandes, R A,Q. e Puggina, AC.D.  Espiritualidade de enfermeiros assistenciais interfere no registro do diagnóstico sofrimento espiritual? Escola Anna Nery. v. 22, n. 1, 2018. 
  • Lavorato, Gabriel et al. Revisão de espiritualidade em enfermagem de saúde mental e psiquiatria. Revista Brasileira de Enfermagem. v. 71, suppl 5, pp. 2323-2333, 2018.
  • Panzini, Raquel Gehrke e Bandeira, Denise RuschelCoping (enfrentamento) religioso/espiritual. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo). 2007, v. 34, suppl 1, pp. 126-135.

 

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