O desenvolvimento neurológico de prematuros extremos é afetado pelo uso de opioides e benzodiazepínicos

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Segundo um artigo publicado no jornal JAMA Network Open, o uso combinado e prolongado de opioides e benzodiazepínicos foi associado a um maior risco de prejuízos no desenvolvimento neurológico de bebês prematuros extremos (BPE) com dois anos de idade corrigida. 

Sabe-se que BPE recebem frequentemente opioides e/ou benzodiazepínicos durante sua internação na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), mas a associação desses fármacos com os desfechos no neurodesenvolvimento ainda não é bem compreendida. Dessa forma, o objetivo do estudo Assessment of 2-Year Neurodevelopmental Outcomes in Extremely Preterm Infants Receiving Opioids and Benzodiazepines foi descrever o uso dessas drogas nesses pacientes durante a internação em UTIN e explorar a associação desses medicamentos com o desenvolvimento neurológico na idade corrigida de dois anos.

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O desenvolvimento neurológico de prematuros extremos é afetado pelo uso de opioides e benzodiazepínicos

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Metodologia

A pesquisa conduzida consistiu em um estudo de coorte que incluiu uma análise secundária de dados do Preterm Erythropoietin Neuroprotection Trial (PENUT), conduzido entre BPE com idades gestacionais entre 24 semanas/0 dia e 27 semanas/6 dias. Os neonatos receberam cuidados em 19 centros americanos.

Os dados foram coletados no período entre dezembro de 2013 a setembro de 2016. A análise foi realizada de março a dezembro de 2020. Foram analisadas as exposições a opioides e/ou benzodiazepínicos na UTIN, classificadas como curtas (com duração de 7 dias) e prolongadas (com duração superior a 7 dias). Por fim, os desfechos englobaram escores de desenvolvimento cognitivo, de linguagem e motor por meio das Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil – Terceira Edição (Bayley Scales of Infant Development–Third Edition – BSID-III).

Foram incluídos 936 BPE. Destes, 48% eram do sexo feminino e 65% eram brancos. A idade gestacional média foi de 181 dias, sendo que 74% dos pacientes (692) tinham dados disponíveis de desfecho de neurodesenvolvimento.

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Cento e cinquenta e oito BPE (17%) não foram expostos a nenhum medicamento de interesse, 297 (32%) receberam opioides ou benzodiazepínicos e 481 (51%) receberam ambos. Os bebês que receberam opioides e benzodiazepínicos tiveram odds ratios ajustadas de 9,7 para enterocolite necrosante e 1,7 para displasia broncopulmonar grave. Além disso, eles também apresentaram uma diferença média ajustada estimada mais longa no tempo de internação de 34,2 dias em comparação com os bebês que não receberam nenhuma das drogas.

Conclusão

Os pesquisadores destacaram que os bebês expostos a opioides e benzodiazepínicos por mais de 7 dias foram mais propensos a ter morbidades intra-hospitalares aumentadas, tempo de internação prolongado e menores escores cognitivos, motores e de linguagem nas BSID-III na idade corrigida de dois anos em comparação com bebês sem exposição ou expostos apenas a um dos medicamentos (opioides ou benzodiazepínicos).

Esse estudo chama a atenção para o fato de que os efeitos adversos diretos e indiretos da exposição a opioides e benzodiazepínicos sobre a lesão neuronal e o neurodesenvolvimento devem ser pesados contra os efeitos adversos claros da dor não tratada e da agitação no cérebro em desenvolvimento. Portanto, esse é mais um estudo que demonstra a importância de se valorizar e incentivar a adoção de intervenções não farmacológicas padronizadas, como contenção adequada, toque facilitador, método Canguru e incentivo à presença parental máxima, por exemplo. Dessa forma, a necessidade de uma abordagem farmacológica para procedimentos dolorosos e períodos intra e pós-operatórios pode ser minimizada, o que parece ser a opção mais segura para essa população de recém-nascidos. 

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Puia-Dumitrescu M, Comstock BA, Li S, et al. Assessment of 2-Year Neurodevelopmental Outcomes in Extremely Preterm Infants Receiving Opioids and Benzodiazepines. JAMA Netw Open. 2021;4(7):e2115998. Published 2021 Jul 1. doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.15998
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