O scrub the hub é éficaz para prevenção de infecção associada ao cateter?

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Desde a publicação das Orientações para Prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde pela ANVISA em 2010, é recomendado que seja realizada a técnica conhecida como scrub the hub (“esfregar a conexão”, em tradução livre) como uma das medidas de prevenção de infecção primária da corrente sanguínea. 

Essa técnica consiste em friccionar os canhões dos acessos vasculares, dânulas e conectores com solução antisséptica alcoólica por 15 antes da administração de fluidos venosos. O mesmo conceito tem sido recomendado para infusão de drogas e medicamentos por sondas enterais em neonatologia. 

Um estudo publicado em 2017 no American Journal of Infection Control, cujo objetivo era avaliar o conhecimento e sobre a técnica do scrub the hub e os fatores humanos que podem interferir na prática correta da técnica.

scrub the hub

Metodologia

O estudo foi realizado em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal norte americana. 

Como procedimento padrão, foi utilizada a técnica do scrub the hub com dois lenços contendo álcool 70%, realizando fricção por 15 segundos com cada lenço, totalizando 30 segundos totais de fricção, além da espera de ao menos cinco segundos para a secagem do álcool. Foram utilizadas luvas de procedimento para a realização da técnica. 

O estudo foi dividido em três etapas:

1) Avaliação do nível de conhecimento da equipe de enfermagem, através de questionário online;

2) Treinamentos diários com duração de cinco minutos durante a troca de plantão ao longo de uma semana, abordando os resultados da primeira fase da pesquisa, as consequências das infecções nosocomiais em neonatologia, visão geral do protocolo do scrub the hub e demonstração prática da técnica correta;

3) Levantamento de como os enfermeiros calculavam o tempo de fricção, além de compara o temporizador comum e um temporizador que tocasse a música “brilha brilha estrelinha”, ambos com duração de 15 segundos.

Resultados

Participou do estudo um total de 78 enfermeiros. 77% identificou corretamente o tempo de fricção dos dispositivos venosos e 67% dos dispositivos de alimentação enteral. Quando questionados como quantificavam o tempo de fricção, 49% respondeu contar mentalmente e 37% utilizava o relógio para controlar o tempo de fricção. 

Durante a primeira observação, todos os enfermeiros utilizaram o lenço com álcool 70%, mas apenas 55% utilizou o segundo lenço. A média do tempo total de fricção de dispositivos venosos foi de dez ± cinco segundos e o tempo de secagem superior a cinco segundos foi cumprido por 59% dos participantes. A média do tempo de fricção dos cateteres de alimentação foi de sete segundos e 66% aguardou os cinco segundos estabelecidos para a secagem do álcool. 

Após uma intervenção educativa, a média do tempo total de fricção dos dispositivos venosos subiu para 23 ± 12 segundos, sendo 71% por mais de 15 segundos. O tempo de fricção dos cateteres de alimentação subiu para 18 segundos. 

Após a implementação do uso dos temporizadores, a média do tempo total de fricção de dispositivos venosos subiu para 31 ± 8 segundos, 69% dos enfermeiros realizou a fricção por tempo superior a 30 segundos e 100% por tempo superior a 15 segundos e 94% dos enfermeiros cumpriu o tempo de secagem de cinco segundos. O tempo de fricção dos dispositivos de alimentação subiu para 27 ± quatro segundos. 

Por último, o estudo destacou que 90% dos profissionais preferiram o timer de música ao timer tradicional.

Conclusão 

O estudo evidenciou que o conhecimento da equipe sobre uma determinada técnica ou assunto não necessariamente se traduz numa prática adequada. O estudo possibilitou observar que o treinamento da equipe, embora com breve duração (cinco minutos) foi capaz de trazer mudanças à prática, mas que a implementação do timer foi determinante para alcançar os objetivos pretendidos. 

O protocolo do estudo determina o tempo de 30 segundos de fricção, entretanto não coincide com as recomendações atuais (de tempo superior a 15 segundos). O fato do timer ser de 15 segundos e o protocolo estabelecer 30 segundos, pode ter sido um ponto de viés do estudo. 

Vale destacar que o timer é mais um componente da unidade do paciente que pode servir como fonte de infecção, por isso é fundamental avaliar o formato e tipo de acionamento para diminuir as chances de infecção, bem como o volume deve ser suficiente para ajudar à prática do profissional mas não gerar mais um ruído estressor ao paciente.

Referências bibliográficas:

  • Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Infecções da Corrente Sanguínea – Orientações para Prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Brasília: ANVISA, 2009. Caspari L, Epstein E, Blackmen A et al. Human factors related to time-dependent infection control measures: “Scrub the hub” for venous catheters and feeding tubes. American Journal of Infection Control, 2017 http://www.riocomsaude.rj.gov.br/Publico/MostrarArquivo.aspx?C=pCiWUy84%2BR0%3D

     

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