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médica medindo a circunferência do paciente

Obesidade deve ser considerada “doença”?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Muito tem se discutido se devemos rotular obesidade como doença ou não. A seguir, vamos discutir alguns pontos de vista e argumentos defendendo ou não esse posicionamento.

Argumentos contra a rotulação de obesidade como uma doença:

  • IMC não é um bom parâmetro para medir “saúde”:

Comentário: concordo.

Esse é o argumento mais usado para não rotular obesidade como doença, IMC não é um medidor correto para avaliar gordura corporal ou “saúde”.

A sensibilidade e especificidade desse parâmetro em avaliar obesidade ou diagnosticar comorbidades associadas a obesidade são muito limitadas.

De fato, a OMS define obesidade como excesso ou anormalidade no acúmulo de gordura com potencial em causar danos a saúde.

  • A relação entre gordura corporal e saúde não é linear:

Comentário: concordo.

Além da quantidade de gordura corporal, outros fatores também são determinantes  no impacto à saúde do paciente, como por exemplo: fatores genéticos e tipo de gordura (exemplo: nos pacientes com Diabetes tipo 2, a gordura visceral em excesso está bem definida com mal fator prognóstico).

  • Obesidade é evitável e modificável:

Comentário: não concordo.

Sim, assim como várias outras doenças: HAS, DM, AVE, DAC e etc.

  • Rotular como doença irá diminuir a prevenção de obesidade:

Comentário: não concordo.

Pelo contrário, nenhum outro grupo de doença recebeu menos atenção em prevenção com esta definição. Devemos nos preocupar em não tornar a doença obesidade em uma epidemia.

  • Esse rótulo reduziria a responsabilidade do paciente:

Comentário: não concordo.

Também como já acontece com outras doenças, isso não ocorre. Na verdade, o que ocorre é que cada paciente tem um nível de autocontrole diferente, e todos devem ser estimulados a fazer o máximo.

  • O rótulo estigmatizaria os pacientes:

Comentário: não concordo.

Obesidade já é uma doença per se estigmatizada, na verdade temos que explicar a população sobre sua natureza complexa e multifatorial aliada a poucas opções terapêuticas. Devemos cessar o preconceito de que o paciente obeso não tem motivação ou capacidade própria em resolver o seu problema.

  • Obesidade é muito prevalente para ser caracterizada como doença:

Comentário: não concordo

Hipertensão, diabetes ou gripe comum são doenças e afetam milhões de pessoas no mundo.

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Argumentos a favor da rotulação de obesidade como uma doença:

  • Faz mal a saúde:

Comentário: concordo.

Na maioria dos pacientes, obesidade fará mal a saúde e está bem estabelecida como fator de risco para outras doenças, como: HAS, DM, DRGE, apnéa do sono e etc.

  • Morbidade crônica, sem cura:

Comentário: concordo.

Infelizmente, o obeso, mesmo após controle de peso (mudança de estilo de vida, dieta, exercícios, medicação), sempre terá risco aumentado de retornar a obesidade se interromper o tratamento estipulado – isso vale inclusive para pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

  • Mudanças de estilo de vida fazem pouco efeito:

Comentário: concordo.

Fácil traçar um paralelo com HAS e DM, dieta e exercício podem ajudar a controlar a doença, mas na maioria das vezes teremos que recorrer a medicações ou outros recursos.

  • Doença obesidade deveria ser ensinada nas faculdades:

Comentário: concordo.

Devemos entender melhor a patologia, complicações e prognóstico.

Se nós médicos entendermos a natureza complexa e multifatorial e deixarmos de lado o preconceito ao paciente, certamente poderemos fazer a diferença.

Mais do autor: ‘Você sabe qual a relação entre diabetes e enfraquecimento ósseo?’

Comentário final:

Obesidade é uma doença. Estamos gastando tempo e recursos em tratar suas complicações ao invés de criar estratégias mais inteligentes em preveni-la.

Autor:

 

Um comentário

  1. Boa tarde Dr.,
    fico muito em dúvida em relação a isso.
    Claro que existem casos que vão fugir da situação que vou descrever, mas os principais causadores da obesidade hoje não são ao menos dois fatores:
    – Excesso da ingestão de carboidratos simples e refinados; Compondo a parte mais frequente nas refeições das pessoas;
    – Sedentarismo predominante;

    Se fossemos reduzir a um calculo simples, o fato de algumas pessoas ingerirem muito mais “energia” do que seus corpos são capazes de gastar diariamente acarreta na condição da obesidade, não?

    Não seria o caso de alertar as pessoas com o consumo excessivo de açúcar, da mesma forma como os malefícios consumo do cigarro são exibidos? E o consumo excessivo de açúcares ser tratado como vício impactaria no índice de diabéticos?

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