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médica medindo a circunferência do paciente

Obesidade deve ser considerada “doença”?

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Tempo de leitura: 2 minutos.

Muito tem se discutido se devemos rotular obesidade como doença ou não. A seguir, vamos discutir alguns pontos de vista e argumentos defendendo ou não esse posicionamento.

Argumentos contra a rotulação de obesidade como uma doença:

  • IMC não é um bom parâmetro para medir “saúde”:

Comentário: concordo.

Esse é o argumento mais usado para não rotular obesidade como doença, IMC não é um medidor correto para avaliar gordura corporal ou “saúde”.

A sensibilidade e especificidade desse parâmetro em avaliar obesidade ou diagnosticar comorbidades associadas a obesidade são muito limitadas.

De fato, a OMS define obesidade como excesso ou anormalidade no acúmulo de gordura com potencial em causar danos a saúde.

  • A relação entre gordura corporal e saúde não é linear:

Comentário: concordo.

Além da quantidade de gordura corporal, outros fatores também são determinantes  no impacto à saúde do paciente, como por exemplo: fatores genéticos e tipo de gordura (exemplo: nos pacientes com Diabetes tipo 2, a gordura visceral em excesso está bem definida com mal fator prognóstico).

  • Obesidade é evitável e modificável:

Comentário: não concordo.

Sim, assim como várias outras doenças: HAS, DM, AVE, DAC e etc.

  • Rotular como doença irá diminuir a prevenção de obesidade:

Comentário: não concordo.

Pelo contrário, nenhum outro grupo de doença recebeu menos atenção em prevenção com esta definição. Devemos nos preocupar em não tornar a doença obesidade em uma epidemia.

  • Esse rótulo reduziria a responsabilidade do paciente:

Comentário: não concordo.

Também como já acontece com outras doenças, isso não ocorre. Na verdade, o que ocorre é que cada paciente tem um nível de autocontrole diferente, e todos devem ser estimulados a fazer o máximo.

  • O rótulo estigmatizaria os pacientes:

Comentário: não concordo.

Obesidade já é uma doença per se estigmatizada, na verdade temos que explicar a população sobre sua natureza complexa e multifatorial aliada a poucas opções terapêuticas. Devemos cessar o preconceito de que o paciente obeso não tem motivação ou capacidade própria em resolver o seu problema.

  • Obesidade é muito prevalente para ser caracterizada como doença:

Comentário: não concordo

Hipertensão, diabetes ou gripe comum são doenças e afetam milhões de pessoas no mundo.

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Argumentos a favor da rotulação de obesidade como uma doença:

  • Faz mal a saúde:

Comentário: concordo.

Na maioria dos pacientes, obesidade fará mal a saúde e está bem estabelecida como fator de risco para outras doenças, como: HAS, DM, DRGE, apnéa do sono e etc.

  • Morbidade crônica, sem cura:

Comentário: concordo.

Infelizmente, o obeso, mesmo após controle de peso (mudança de estilo de vida, dieta, exercícios, medicação), sempre terá risco aumentado de retornar a obesidade se interromper o tratamento estipulado – isso vale inclusive para pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

  • Mudanças de estilo de vida fazem pouco efeito:

Comentário: concordo.

Fácil traçar um paralelo com HAS e DM, dieta e exercício podem ajudar a controlar a doença, mas na maioria das vezes teremos que recorrer a medicações ou outros recursos.

  • Doença obesidade deveria ser ensinada nas faculdades:

Comentário: concordo.

Devemos entender melhor a patologia, complicações e prognóstico.

Se nós médicos entendermos a natureza complexa e multifatorial e deixarmos de lado o preconceito ao paciente, certamente poderemos fazer a diferença.

Mais do autor: ‘Você sabe qual a relação entre diabetes e enfraquecimento ósseo?’

Comentário final:

Obesidade é uma doença. Estamos gastando tempo e recursos em tratar suas complicações ao invés de criar estratégias mais inteligentes em preveni-la.

Autor:

 

2 comentários

  1. Avatar

    Boa tarde Dr.,
    fico muito em dúvida em relação a isso.
    Claro que existem casos que vão fugir da situação que vou descrever, mas os principais causadores da obesidade hoje não são ao menos dois fatores:
    – Excesso da ingestão de carboidratos simples e refinados; Compondo a parte mais frequente nas refeições das pessoas;
    – Sedentarismo predominante;

    Se fossemos reduzir a um calculo simples, o fato de algumas pessoas ingerirem muito mais “energia” do que seus corpos são capazes de gastar diariamente acarreta na condição da obesidade, não?

    Não seria o caso de alertar as pessoas com o consumo excessivo de açúcar, da mesma forma como os malefícios consumo do cigarro são exibidos? E o consumo excessivo de açúcares ser tratado como vício impactaria no índice de diabéticos?

  2. Avatar
    Patricia Costa

    Condordo com fato de serem criadas estrategias mais nteligentes de prevenção. Muito se preocupa com as consequencias da obesidade ( e de fato essa preocupacao tem que existir), mas pouco se faz em relaçao as causas, principalmente as emocionais. Tenho 8 cirurgiados bariatricos na familia. E minha observacao é que se faz de forma agressiva um método que faz a pessoa obrigatoriamente ingerir menos calorias (e tambem menos todas as coisas boas como os nutrientes), mas esse método (ou outros utilizados para emagrecimento) não é acompanhado com uma estratégia que trate a causa que levou esse paciente a ser obeso. Nao acredito que seja somente por causa de “gostar de comer”, “nao ter disciplina”, “nao fazer atividades fisicas”..etc, mas sim que essas pessoas possuem fatores emocionais que eu chamo de “vazios emocionais” que levam a pessoa a preenche-los com comida em excesso (ou em alguns casos com drogas, alcool ou outros vicios). Enquanto esses vazios não forem tratados, dificilmente a construcao de uma mudança de habitos consistente irá acontecer. Obs.: há casos e casos, cada paciente deve ser tratado de forma individual.

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