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A Organização Mundial da Saúde (OMS) lança um programa-piloto para testar a primeira vacina contra a malária no mundo. O primeiro país a receber a imunização será o Malaui. Em seguida, serão Gana e Quênia. Depois de 30 anos de estudos, a vacina Mosquirix™, chamada de RTS, S será finalmente disponibilizada para crianças de até dois anos de idade, grupo de faixa etária mais vulnerável a doença.

Mundialmente, a malária mata 435 mil pessoas por ano, em sua maioria as crianças. “Temos visto ganhos tremendos com simples ações como colocar mosquiteiros tratados com inseticida, pulverização interna com inseticidas e outras medidas para controlar a malária nos últimos 15 anos, mas o progresso estagnou e até reverteu em algumas áreas.

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Precisamos de novas soluções para recuperar a resposta da malária, e essa vacina nos oferece uma ferramenta promissora para chegar lá”, disse o diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus. Nos testes, além da proteção parcial de até 40% os episódios da enfermidade nas crianças menores de cinco anos, a vacina também conseguiu reduzir a necessidade de transfusões de sangue em 29%. As transfusões são necessárias contra a anemia severa causada pela doença.

A eficácia da vacina RTS,S, desenvolvida em parceria com a ONG PATH Malaria Vaccine Initiative, foi estabelecida em testes anteriores envolvendo mais de 15 mil crianças da África Subsaariana. Ficou comprovado que crianças que receberam quatro doses da vacina tiveram um risco significativamente menor de desenvolver malária. A doença infecciosa é causada por protozoários transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles. Os sintomas podem incluir febre alta, dor de cabeça, tremores e calafrios.

malária

Mais detalhes sobre a campanha

Cerca de 360 mil crianças por ano nos três países escolhidos devem receber as doses da vacina. São necessárias quatro doses, sendo a primeira dose dada após os cinco meses de idade, seguida das doses 2 e 3 em intervalos mensais e a quarta dose perto dos dois anos de idade.

Segundo a OMS, os efeitos colaterais conhecidos incluem dor e inchaço no local da injeção e febre, efeitos semelhantes às reações de outras vacinas infantis. Outro efeito relatado foi de convulsões ocasionais em crianças com febre. De acordo com a organização, as crianças que tiveram convulsões após a vacinação se recuperaram completamente e não foram observadas consequências duradouras.

O programa de vacinação nestes três países vai durar até 2022 e os pesquisadores irão avaliar os seus resultados para uma possível implementação em larga escala.

A farmacêutica GSK é a responsável pelo desenvolvimento e fabricação da vacina e doou 10 milhões de doses de vacina para este teste inicial. A empresa, inclusive, se comprometeu a praticar um preço sem fins lucrativos, juntamente com um pequeno retorno de aproximadamente 5%, que serão reinvestidos em pesquisa e desenvolvimento de vacinas de segunda geração contra malária, ou vacinas contra outras doenças tropicais negligenciadas.

Vale ressaltar que existem outras vacinas experimentais contra a malária pelo mundo, mas que ainda estão sendo avaliadas.

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