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Peste bubônica: quando suspeitar da doença?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A peste bubônica, uma das doenças mais devastadoras na humanidade, voltou aos noticiários. Na última semana, em vários jornais, tem sido comentada a internação de uma paciente com 57 anos, no Hospital Luiz Palmier, em São Gonçalo (RJ), com a presença da bactéria Yersinia pestis, causadora da peste bubônica. Os exames ainda serão reavaliados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a paciente segue em isolamento.

Segundo a Secretaria, “a mulher deu entrada no dia 22 de dezembro no Hospital Luiz Palmier, com quadro de insuficiência cardíaca e foi encaminhada para internação, onde foi realizado o procedimento padrão de coleta de amostras oral, nasal e anal. Por estar com uma ferida em uma das pernas, também foi solicitada amostra da pele que diagnosticou a presença da bactéria Yersinia pestis. A paciente começou então a fazer o tratamento através de antibióticos e está sendo acompanhada em leito de isolamento”.

A prefeitura também informou que medidas foram tomadas no sentido de tentar controlar a disseminação da doença, além de isolarem a paciente, uma equipe de controle de zoonoses foi até a residência da paciente para realizar inspeção de pragas e roedores. Segundo relatos, nada suspeito foi encontrado.

Em entrevista dada ao G1, o médico Sylvio Provenzano, presidente do Cremerj, disse que “o último caso descrito aqui no Brasil foi em 2005, os focos da doença no Brasil são em dois lugares: Ceará e Teresópolis.”

ATUALIZAÇÃO DO CASO (14/01/19)

O Governo do Estado do Rio de Janeiro divulgou uma nota, no dia 14 de janeiro, com o resultado final do Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutz (LACEN-RJ), em que comunicou que as culturas da paciente foram negativas para a bactéria Yersinia Pestis, que causa a peste bubônica. Confira trechos da nota:

“NOTA INFORMATIVA SVS No 01/2019
Esclarecimentos acerca da suspeita de caso de peste bubônica em São Gonçalo.
A Secretaria de Estado de Saúde, por meio da Subsecretaria de Vigilância em Saúde, após análise em amostras enviadas pelo município, realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels — LACEN/RJ, utilizando técnicas recomendadas pelo Laboratório de Referência Nacional da Fiocruz/MS, vem através desta nota comunicar que o resultado foi negativo para a bactéria Yersinia pestis, sendo identificada outra espécie de bactéria, comum em lesões de pele.”

Sobre a peste bubônica

Y. pestis é transmitida por pulgas. A manifestação clínica mais comum é a linfadenite febril aguda, denominada peste bubônica. No geral, a mortalidade estimada é de 60 a 100% na peste não tratada, em comparação com menos de 15% com o tratamento, que é feito com antibióticos, principalmente aminoglicosídeos.

Existem três principais síndromes clínicas associadas à doença: peste bubônica, peste septicêmica e peste pneumônica. A peste bubônica é responsável por 80 a 95% dos casos; A peste septicêmica é responsável por 10 a 20% dos casos. A peste pneumônica é geralmente rara.

Quando pensar em peste?

Um alto índice de suspeita deve ser mantido para fazer um diagnóstico oportuno de peste. Pacientes com febre e linfadenopatia dolorosa devem ser questionados sobre viagens para áreas de doença endêmica. Além disso, o contato de animais ou roedores nos 10 dias precedentes pode fornecer pistas que levantam suspeitas para o diagnóstico de peste. O diagnóstico de peste é estabelecido pelo isolamento do organismo em cultura ou por testes sorológicos.

Três importantes pistas diagnósticas incluem:

  • A presença de febre em uma pessoa com contato conhecido com roedores mortos ou residência ou viagem para uma região endêmica de peste.
  • A presença de febre, hipotensão e linfadenite regional inexplicada.
  • A presença de achados clínicos de pneumonia em associação com hemoptise e escarro contendo bastonetes Gram-negativos na coloração de Gram.

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Um comentário

  1. Avatar

    Muito bom o artigo.

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