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médica auscultando pulmao de paciente com tosse

Podemos prevenir mortes causadas por influenza grave?

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Comumente conhecida como gripe, a influenza é uma infecção viral respiratória, febril, aguda, geralmente benigna e autolimitada. É caracterizada por início abrupto dos sintomas, que são predominantemente sistêmicos, incluindo febre, calafrios, tremores, cefaleia, mialgia e anorexia, assim como sintomas respiratórios como tosse seca, dor de garganta e coriza.

Existem três tipos de vírus influenza (A, B e C), e estes podem ser transmitidos facilmente por aerossóis produzidos por pessoas infectadas ao tossir ou espirrar. Dentre os subtipos de vírus influenza A, os subtipos A(H1N1) e A(H3N2) circulam atualmente em humanos.

Idosos, crianças, gestantes e pessoas com alguma comorbidade possuem um risco maior de desenvolver complicações devido à influenza.

Para o tratamento, além dos medicamentos sintomáticos e de hidratação, está indicado o uso de fosfato de oseltamivir para todos os casos de síndrome gripal que tenham condições e fatores de risco para complicações. Entretanto, o tratamento com agente único com oseltamivir para a influenza grave pode ser insuficiente. Neste contexto, um ensaio clínico publicado no CHEST avaliou a eficácia e segurança da combinação de oseltamivir-claritromicina-naproxeno para o tratamento da influenza grave. O estudo foi conduzido de fevereiro a abril de 2015 na China.

Pacientes adultos hospitalizados por influenza A (H3N2) foram randomizados aleatoriamente na proporção de 1:1 para receber uma combinação de dois dias de claritromicina 500 mg, naproxeno 200 mg e oseltamivir 75 mg duas vezes ao dia, seguido de 3 dias de oseltamivir (grupo de estudo), ou oseltamivir 75 mg duas vezes ao dia por 5 dias (grupo controle). Todos os pacientes foram acompanhados por 90 dias após o tratamento antiviral.

Veja mais: ‘Influenza: CDC atualiza normas de prevenção não-farmacológica’

Entre os 217 pacientes com influenza A (H3N2), 107 (49,3%) realizaram o tratamento combinado. Não houve diferença nas características basais dos pacientes entre os dois grupos. A média de idade foi de 80 anos e 56% eram do sexo masculino.

O tratamento combinado foi associado a menor mortalidade em 30 dias (p=0,01), menor mortalidade em 90 dias (p=0,01), menor frequência de admissão na UTI (p<0,001) e menor tempo de permanência hospitalar (p<0,0001). Durante o período de acompanhamento de 30 dias, dez pacientes evoluíram ao óbito, dos quais um (0,9%) era do grupo de tratamento combinado e nove (8,2%) eram do grupo controle.

Os resultados das análises univariada e multivariada mostraram que o tratamento combinado foi o único fator independente associado à redução da mortalidade de 30 dias (odds ratio: 0,06; intervalo de confiança de 95%: 0,004 a 0,94; p=0,04).

Adicionalmente, foi possível observar reduções significativamente mais rápidas na carga viral e no índice de severidade da pneumonia com a terapia combinada.

Os resultados deste estudo mostraram, portanto, que o tratamento combinado reduziu a mortalidade e o tempo de permanência hospitalar. Novos estudos são necessários para aprofundar o conhecimento sobre os efeitos antivirais e imunomoduladores do tratamento combinado para influenza grave.

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Referências:

  • Hung IF, To KK, Chan JF, Cheng VC, Liu KS, Tam A, Chan TC, Zhang AJ, Li P, Wong TL, Zhang R, Cheung MK, Leung W, Lau JY, Fok M, Chen H, Chan KH, Yuen KY, Efficacy of clarithromycin-naproxen-oseltamivir combination in the treatment of patients hospitalized for influenza A(H3N2) infection: an open-label, randomized controlled, phase 2b/3 trial, CHEST (2016), doi: 10.1016/j.chest.2016.11.012.
  • Portal da Saúde – Ministério da Saúde – http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/influenza

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