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Poluição: como o médico pode diminuir os efeitos cardíacos no paciente

Tempo de leitura: 3 minutos.

Cada vez mais estudos em diferentes partes do mundo comprovam a perigosa relação entre a poluição ambiental e as doenças cardiovasculares (DCV). A exposição à poluição ambiental é um fator-chave no desenvolvimento e no agravamento das doenças cardiovasculares. Este alerta já tinha sido emitido em 2004 pela American Heart Association (AHA) e reforçada recentemente pela OMS.

De lá para cá, a situação o quadro só tem piorado. Novas evidências científicas foram acumuladas desde então, permitindo uma melhor compreensão dos aspectos relacionados a este fator de risco modificável para doenças cardiovasculares.

Doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, representando mais de 17 milhões mortes prematuras em 2016. Destas mortes, 3,3 milhões são atribuíveis à poluição atmosférica, 2,1 milhões dos quais são devidos à doença cardíaca isquêmica (DIC) e 1,1 milhão devido ao acidente vascular cerebral.

“Além disso, a poluição provoca desconforto respiratório, diminuição da imunidade e alterações celulares. Agrava os problemas respiratórios, como alergias, asma e bronquite”, alerta o cardiologista Claudio Tinoco, Diretor Científico da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (SOCERJ), em entrevista para a PEBMED.

A poluição do ar é responsável por 19% de todas as mortes cardiovasculares e os 3,3 milhões de mortes a poluição do ar, deixando para trás os índices de mortes causados pelo tabagismo (2,48 milhões), obesidade (2,85 milhões) e elevação níveis de glicose (2,84 milhões). A hipertensão é a único fator de risco que, comparado à poluição, que contribui para um maior número de mortalidade cardiovascular.

“A exposição à poluição crônica causa um aumento no estresse oxidativo e um consequente estado que acelera a aterosclerose vasoconstrição, aumentando a frequência cardíaca, a pressão, disfunção endotelial, a dislipidemia e a resistência à insulina”, afirma Claudio Tinoco, em seu editorial publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences, em 2018.

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Novas evidências

Um estudo publicado em fevereiro deste ano no Public Health mostra uma pesquisa realizada no sul da China que avaliou os efeitos da exposição em curto prazo aos poluentes do ar na internação hospitalar da AMI em Guangzhou.

Neste estudo, foi mostrado que 10 µg / m3 pode aumentar dentro de um período de dois dias a concentração de partículas inaláveis ​​com aerodinâmica e diâmetros inferiores a 10 micrômetros (PM10), que estão associados com um aumento de 0,35% e 0,44% na mortalidade total e mortalidade cardiovascular, respectivamente.

Entre as parcelas das populações particularmente mais suscetíveis aos efeitos de poluição estão as mulheres, os idosos, as pessoas de baixa renda indivíduos, os obesos, os diabéticos e aqueles com fatores de risco cardiovasculares tradicionais, como pessoas hipertensas e dislipidêmicas.

“As Sociedades Internacionais de Cardiologia publicaram relatórios recomendando que os cardiologistas tenham uma posição ativa na conscientização dos riscos doença cardíaca causada pela poluição. O envolvimento da comunidade de cardiologia na formulação de políticas destinadas a controlar a poluição atmosférica níveis é essencial”, alerta Claudio Tinoco.

O médico destaca que “pessoas com doença cardíaca que pratica exercícios físicos para melhorar a sua saúde cardiovascular podem não ver todos os benefícios desta atitude quando expostas à poluição do tráfego”.

Desta maneira, é essencial que os cardiologistas comecem a focar a sua atenção sobre a poluição ambiental, identificando os indivíduos mais suscetíveis e propondo mudanças em seus estilos de vida, o que pode mitigar os efeitos deletérios neste novo fator de risco.

Como identificar os indivíduos mais suscetíveis aos efeitos cardiovasculares relacionados à poluição:

  • Quem mora em residências com pouca ventilação e com fontes de poluição, como fogões à lenha ou lareiras;
  • Pessoas que vivem ou trabalhar em ambiente industrial urbano com intensa poluição;
  • Quem gasta muito tempo no dia a dia em áreas de tráfego pesado;
  • Pessoas que praticam atividade física ao ar livre em ambientes poluídos ou perto de rodovias ou em vias urbanas movimentadas;
  • Os obesos, os idosos e os indivíduos com fatores de risco tradicionais para doença cardiovascular.

Recomendações para reduzir o risco de poluição ambiental:

  • Alertar os pacientes sobre os riscos da poluição ambiental;
  • Priorizar o tratamento de fatores de risco cardiovascular em indivíduos expostos à poluição;
  • Colaborar com os esforços do Governo Federal para reduzir as emissões de poluentes;
  • Propor o uso de métodos mais eficientes de aquecimento, cocção e ventilação no domicílio dos pacientes;
  • Educar os pacientes com medidas para evitar a exposição à poluição ambiental, como manter as janelas do carro fechadas quando no trânsito ou evitar a prática de atividade física em locais e horários de alta exposição Incentive o uso de filtros para reduzir exposições, como máscaras de respiradores N95 ou condicionadores de ar centrais com filtros de alta eficiência.

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Autora:

Referências:

  • Zheng, M., Zhang, Y., Feng, W. et al. J Public Health (Berl.) (2019). https://doi.org/10.1007/s10389-019-01033-z
  • Claudio Tinoco Mesquita . Environmental Pollution and Cardiovascular Diseases: Identify and Prevent! International Journal of Cardiovascular Sciences. 2018;31(5)463-465
  • http://portalms.saude.gov.br/vigilancia-em-saude/vigilancia-ambiental/vigiar/riscos-ambientais-e-a-saude-humana
  • https://www.heart.org/en/health-topics/consumer-healthcare/air-pollution-and-heart-disease-stroke

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