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Por que você sente angústia no 6º ano de faculdade de medicina? Como resolver?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Após cinco anos desgastantes, com muito estudo, dedicação e – é claro – muitos percalços, você finalmente chegou ao 6º ano da faculdade medicina. A formatura está cada vez mais próxima, assim como a realização do seu sonho de criança.

Porém, infelizmente seu sentimento predominante não é a felicidade, nem mesmo o alívio… aquelas inseguranças e receios, que sempre estiveram presentes durante a graduação, cresceram e no momento você sente uma enorme sensação de angústia.

A angústia dos “quase-médicos”

Essa sensação infelizmente é comum a grande maioria dos milhares de “quase-médicos “ no Brasil, e ficou ainda mais aparente para mim após dedicar meus dois últimos anos a acompanhar de perto a preparação de centenas de colegas para as provas de residência.

Mas por que esse momento, que deveria ser tão feliz, tem se tornado algo angustiante?

Para responder a essa pergunta, irei recorrer a uma definição filosófica do sentimento de angústia, realizada pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre. Segundo ele, é um estado provocado pela “consciência da responsabilidade decorrente da infinita liberdade humana”.

Releia a definição.

Ela se encaixa perfeitamente no momento da transição de um estudante de medicina para um profissional formado. A graduação é uma enorme gaiola, em que os estudantes possuem liberdade e responsabilidade extremamente limitadas.

A partir da formatura, aquele ex-estudante pode carimbar receitas, solicitar exames, realizar provas para entrar em um programa de residência médica e muito mais. São liberdades incríveis, mas acompanhadas da imensa responsabilidade do cuidado com a vida humana.

A angústia do 6º ano, portanto, nada é mais é do que o resultado da impactante liberdade que o diploma de médico confere, com suas respectivas responsabilidades.

Para piorar ainda mais o cenário, a preparação tradicional para as provas de residência consiste na inglória missão de estudar e memorizar todo o conteúdo da medicina em um ano, justamente este fatídico último ano da faculdade.

Usualmente, a grande maioria de nós não consegue acompanhar o ritmo insano dos cursos preparatórios, tornando-se mais um motivo para angústia e frustração.

Mas então como resolver isso? Ao menos minimizar essa sensação?

Planeje sua transição, respeite os seus limites, liberdades representam possibilidades e não, obrigações.

Infelizmente, existe uma pressão para que os médicos peguem seu carimbo e comecem a dar vários plantões seguidos, frequentemente em locais com estrutura precária e remunerações ruins. É claro que é bom ganhar dinheiro e obviamente sair da zona de conforto é fundamental para o crescimento em qualquer área na vida, mas isso não pode ser feito sem planejamento.

Planejar também é extremamente importante na preparação para as provas de residência médica ou qualquer outro concurso. Estudar todos os assuntos da mesma maneira é improdutivo e só leva ao cansaço e àquela famosa sensação de esquecimento de tudo que já foi estudado.

Planejar é priorizar, significa definir uma meta e escolher uma rota viável e saudável para chegar lá.

Não confunda liberdade com obrigação. Cuide da sua mente.

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Autor:

Eduardo Côrtes

Médico formado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro ⦁ Sócio Fundador do preparatório de residência médica JJMentoria e diretor de conteúdo da plataforma de revisão MedQ.

Um comentário

  1. Parabéns pelo texto!!! Você é ótimo!!!

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