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idosas andando pelo corredor do hospital

Pouca massa muscular nos braços e nas pernas aumenta risco de morte em idosos

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Um estudo brasileiro avaliou composição corporal de pessoas acima de 65 anos, principalmente a massa muscular localizada nos braços e nas pernas (apendicular). A intenção era verificar se a pouca quantidade de massa muscular nessas regiões do corpo aumentaria o risco de morte em pessoas acima de 65 anos.

Os resultados da pesquisa realizada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) foram publicados recentemente no Journal of Bone and Mineral Research. O estudo foi apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Metodologia

Os pesquisadores investigaram a associação entre composição corporal através da técnica de densitometria por emissão de raios X de dupla energia (DXA) e mortalidade em uma coorte de idosos.

Oitocentos e trinta e nove indivíduos residentes na comunidade (516 mulheres, 323 homens) ≥ 65 anos de idade foram avaliados por meio de um questionário, dados clínicos, exames laboratoriais e composição corporal por DXA no início do estudo. A gordura total e seus componentes foram estimados. Massa magra apendicular (ALM) ajustada para gordura e ALM dividida pela altura² foi utilizada para averiguar a presença de baixa massa muscular (LMM).

A mortalidade foi registrada durante o acompanhamento. A regressão logística multivariada foi usada para calcular as OR para mortalidade cardiovascular e mortalidade por todas as causas. Em um seguimento médio de 4,06 ± 1,07 anos, houve 132 (15,7%) óbitos.

Em homens, após ajuste para variáveis ​​relevantes, a presença de MM (OR, 11,36, IC 95%, 2,21 a 58,37, P = 0,004) e VAT (OR, 1,99, IC 95%, 1,38 a 2,87, P <0,001, para cada aumento de 100 g) aumentou significativamente o risco de mortalidade, enquanto a gordura total, medida pelo índice de massa gorda, associou-se à diminuição do risco de mortalidade (OR, 0,48, 95% CI, 0,33 a 0,71, P <0,001). Resultados semelhantes foram observados para mortalidade cardiovascular.

Em mulheres, apenas o LMM foi um preditor de todas as causas (OR, 62,88, IC95%, 22,59 a 175,0, P <0,001) e morte cardiovascular (OR, 74,54, IC 95%, 9,72 a 571,46, P <0,001). LMM apurado por ALM ajustado para gordura e massa gorda, por si só, está associado com o risco de mortalidade por todas as causas e cardiovasculares em idosos. A gordura visceral e a subcutânea têm papéis opostos no risco de mortalidade em homens idosos. Assim, o DXA é uma ferramenta promissora para estimar o risco de mortalidade em idosos.

Os cientistas observaram que o risco de mortalidade durante o período foi quase 63 vezes maior entre as mulheres com pouca massa muscular apendicular. Entre os homens, que já na primeira avaliação apresentavam baixa porcentagem de músculos nos membros, a chance de morrer foi 11,4 vezes maior.

 “Avaliamos a composição corporal da nossa população, com ênfase na massa muscular apendicular, gordura subcutânea e gordura visceral. Em seguida, buscamos identificar quais desses fatores poderiam predizer a mortalidade nos anos seguintes. A quantidade de massa magra nos membros superiores e inferiores foi o que mais se destacou na análise”, disse Rosa Maria Rodrigues Pereira professora de Reumatologia da FM-USP e coordenadora da pesquisa.

Dados da sarcopenia no Brasil

Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia indicam que a sarcopenia chega a afetar 46% dos indivíduos acima de 80 anos.

A relação entre baixa densidade mineral óssea no fêmur e mortalidade foi também demonstrada em estudos realizados com essa comunidade e publicados em 2016.

Saiba mais: Sarcopenia: tudo que você precisa saber

O tema foi abordado pelos pesquisadores da Disciplina de Reumatologia da FM-USP em artigos publicados na revista Osteoporosis International em 2013.

Além do exame de densitometria, também foram realizadas análises de sangue e aplicados questionários para avaliação da dieta, grau de atividade física, consumo de tabaco e álcool e presença de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e dislipidemia.

Após quatro anos de seguimento, 15,8% (132) dos voluntários haviam morrido. Desses, 43,2% por problemas cardiovasculares. O índice de óbito entre os homens foi de 20%, enquanto entre as mulheres foi de 13%.

Resultados e  conclusões

De modo geral, os indivíduos que morreram eram mais velhos faziam menos atividade física, sofriam mais de diabetes e de problemas cardiovasculares.

Além disso, no caso das mulheres, apresentavam um índice de massa corporal (IMC) mais baixo. No caso dos homens, possuíam maior chance de sofrer quedas. Todas essas variáveis foram acrescentadas no modelo estatístico e ajustadas para não interferirem no resultado final, que indicaria qual fator da composição corporal estaria associado com o risco de morte.

No caso das mulheres, consideradas as variáveis de ajuste, apenas o índice de massa muscular baixo se mostrou significativo. Já entre os homens, a gordura visceral também foi um fator relevante. A chance de morrer tornava-se duas vezes maior a cada aumento de seis centímetros quadrados na adiposidade abdominal. Curiosamente, um índice mais alto de gordura subcutânea teve efeito protetor para os homens estudados.

“Observamos que nos homens outros parâmetros também influenciaram negativamente a mortalidade, diminuindo do ponto de vista estatístico o peso da massa muscular apendicular. Nas mulheres, por outro lado, a massa muscular se destacou de forma isolada e, por esse motivo, teve maior influência”, destacou Rosa Pereira.

A perda de massa muscular, que naturalmente ocorre após os 40 anos, pode passar despercebida pelo ganho de peso, também comum após essa idade. Estima-se que, após os 50 anos, entre 1% e 2% da massa muscular seja perdida anualmente. Entre os fatores que podem acelerar o fenômeno estão sedentarismo, dieta pobre em proteínas, doenças crônicas e hospitalização.

Além da importância evidente para a postura, o equilíbrio e o movimento, a musculatura tem outras funções essenciais ao organismo. Ajuda a regular os níveis de glicose no sangue, a temperatura corporal e produz mensageiros hormonais, como a mioquinase.

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