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Presença da família pode melhorar recuperação de pacientes comatosos com lesões cerebrais

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Lesões cerebrais traumáticas estão entre as causas mais comuns de incapacidade, mortalidade e hospitalização em unidades de terapia intensiva em todo o mundo. A maioria dos pacientes com lesões cerebrais traumáticas experimentam alterações no nível de consciência em diferentes períodos.

O coma é um estado de não responsividade do qual o indivíduo ainda não foi despertado. Durante este período se perdem atividades cerebrais superiores, conservando-se o controle do sistema cardiorrespiratório. Um dos problemas mais graves entre os pacientes comatosos é a privação sensorial, podendo causar diferentes problemas mentais e perceptivos e condições de risco de vida para pacientes hospitalizados.

Veja também: ‘Coma por intoxicação: Como suspeitar? Como proceder?’

Atualmente, a estimulação sensorial é considerada como uma medida terapêutica efetiva, segura e reabilitadora, sendo amplamente utilizada em diferentes contextos de atendimento.

Embora a estimulação sensorial (incluindo auditiva, visual e tátil) em pacientes comatosos esteja atualmente entre os principais componentes de cuidado, a estimulação afetiva ainda não foi considerada e avaliada como uma medida terapêutica.

Um ensaio clínico randomizado duplo-cego recentemente publicado no International Journal of Nursing Studies avaliou os efeitos da estimulação afetiva centrada na família no nível de consciência entre pacientes comatosos com lesões cerebrais.

Para o estudo, foram avaliados 90 pacientes consecutivos com lesões cerebrais traumáticas e uma pontuação na escala de coma de Glasgow de 5-8.

Os pacientes foram alocados aleatoriamente para três grupos: experimental, placebo e controle. A intervenção de estimulação afetiva foi fornecida aos pacientes do grupo experimental por membros da família duas vezes ao dia durante os primeiros sete dias de hospitalização. No grupo placebo, um programa de estimulação sensorial foi implementado por uma pessoa treinada fixa que não era familiar dos pacientes. Os pacientes do grupo controle receberam apenas a estimulação sensorial que foi rotineiramente fornecida em todos os pacientes.

O nível de consciência foi avaliado antes e depois da visita familiar através da escala de coma de Glasgow.

Os resultados mostraram a eficácia da estimulação afetiva da família na melhora do nível de consciência entre os pacientes comatosos do terceiro ao sétimo dia da intervenção. Após sete dias de estimulação sensorial e afetiva, o nível de consciência dos pacientes no grupo experimental foi significativamente maior quando comparado aos pacientes dos grupos placebo e controle (p<0,001).

Os resultados do presente estudo indicaram, portanto, que a estimulação afetiva precoce centrada na família é mais eficaz do que a estimulação sensorial na melhora do nível de consciência entre pacientes comatosos com lesões cerebrais traumáticas.

Ainda são necessários mais estudos para fornecer evidências fortes sobre os efeitos da estimulação afetiva centrada na família. Além disso, recomenda-se que este tipo de estimulação seja integrada nos protocolos de enfermagem e nos planos de cuidados de rotina para pacientes com trauma comatosos em UTIs.

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Referências:

  • Salmani, F., Mohammadi, E., Rezvani, M., Kazemnezhad, A., The effects of family-centered affective stimulation on brain-injured comatose patients’ level of consciousness: a randomized controlled trial.International Journal of Nursing Studies http://dx.doi.org/10.1016/j.ijnurstu.2017.05.014
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