Prevalência de anafilaxia por amendoim em uma coorte: European Anaphylaxis Registry

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As alergias alimentares são uma das causas mais comuns de anafilaxia, e estudos têm sugerido um aumento da prevalência desse tipo de alergia em vários países. Na faixa etária pediátrica e em adultos jovens, um alimento comumente relacionado às alergias alimentares é o amendoim. Da mesma forma que nas outras alergias alimentares, os estudos têm demonstrado um aumento temporal na prevalência de alergia ao amendoim. Além disso, cerca de 50% dos indivíduos com alergia ao amendoim apresentam história de reação alérgica grave, demonstrando o alto impacto desse quadro. 

Dados epidemiológicos descrevendo a prevalência das alergias alimentares são fundamentais para avaliação do impacto da doença nos sistemas de saúde e na qualidade de vida dos pacientes. O estudo “Peanut induced anaphylaxis in children and adolescents: data from the European Anaphylaxis Registry” publicado no periódico Allergy, trouxe novos dados para contribuir com essas demandas. 

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Os dados foram obtidos do European Anaphylaxis Registry, um banco de dados que coleta dados de dez países europeus e do Brasil através de questionários online preenchidos em centros terciários de alergologia. O estudo de coorte foi realizado a partir de dados de pacientes com menos de 18 anos de idade, incluídos no banco de dados no período de julho de 2007 a março de 2018, com quadros moderados a graves de anafilaxias induzidas por alergias alimentares. O estudo analisou dados clínicos desses pacientes, incluindo histórico de atopias, reações alérgicas prévias e manejo da anafilaxia. 

Prevalência de anafilaxia por amendoim em uma coorte: Resultados do European Anaphylaxis Registry

Resultados do estudo

Um total de 1.962 casos de anafilaxias causadas por alimentos foi registrado no período em pacientes menores de 18 anos, com 459 casos de anafilaxia causada por amendoim. A média de idade de pacientes com anafilaxia por amendoim foi maior do que a de pacientes com anafilaxia por outros alimentos (5 anos vs 4 anos, p < 0,001), com uma predominância ligeiramente maior no sexo masculino em ambos os subgrupos. Alguns países demonstraram uma quantidade mais alta de anafilaxia por amendoim, com os dados brasileiros indicando menos de 10 casos relatados no período.

 Os pacientes com anafilaxia por amendoim apresentaram alta taxa de reação prévia ao amendoim, usualmente leve (42%) e diagnóstico prévio da alergia ao amendoim (45%). Ou seja, mesmo com diagnóstico de alergia ao amendoim, essas crianças apresentaram exposição acidental ao amendoim, com alto risco de desenvolvimento de anafilaxia e imprevisibilidade de reações posteriores. A asma foi a doença mais comum no subgrupo de pacientes com anafilaxia por amendoim, enquanto o eczema foi mais comum em pacientes com anafilaxia por outros alimentos. 

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A frequência de anafilaxia causada por produtos pré-preparados foi menor no subgrupo de anafilaxia por amendoim, com esse alimento sendo mais frequentemente descrito nos rótulos como ingrediente ou com alertas de precaução para a presença do alimento com relação aos outros alérgenos alimentares. Pequenas quantidades (menor ou igual a uma colher de chá) foram mais associadas à anafilaxia por amendoim do que outros alimentos. 

Sintomas respiratórios e cutâneos foram os mais comuns em ambos os grupos, com sintomas gastrointestinais mais comuns nos alérgicos ao amendoim, sem diferença entre os grupos para sintomas cardiovasculares. Em ambos os grupos, houve alta frequência de casos graves, mas com tendência maior na anafilaxia por amendoim. 

Com relação ao tempo para a anafilaxia a partir da ingestão do alimento, não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois subgrupos. Porém, a frequência de reações bifásicas, ou seja, com recorrência subsequente dos sintomas ou aparecimento de novos sintomas após uma melhora inicial, foi mais frequente no subgrupo de anafilaxia ao amendoim, o que pode estar relacionado à maior gravidade das anafilaxias por amendoim. 

Apenas 36% das crianças com anafilaxia por amendoim e 40% com anafilaxia por outros alérgenos alimentares foram inicialmente tratados por pessoas leigas, incluindo com uso de adrenalina intramuscular. Cerca de 1 a cada 2 pacientes com anafilaxia a amendoim com indicação prévia de autoinjetor com adrenalina não usou ou não estava com o dispositivo. Estudos prévios indicam que a incerteza da gravidade do quadro, medo de efeitos colaterais e dificuldades para decidir quais drogas usar foram identificados como razões para o não uso dos dispositivos de autoinjeção de adrenalina, o que pode ter sido o caso nesse grupo. 

De forma interessante, apenas 1 em 4 crianças com anafilaxia por amendoim recebeu dose de adrenalina intramuscular quando manejada por equipe médica, contrariando as orientações de protocolos de anafilaxia, que sugerem essa medicação como primeira linha para o tratamento. A administração de adrenalina foi significativamente maior em pacientes com anafilaxias por outros alimentos do que por amendoim. Drogas de segunda linha para o manejo da anafilaxia, como anti-histamínicos, corticoides e beta-2 agonistas, foram utilizadas como drogas de primeira linha na maioria das vezes. 

Conclusão

O estudo reforça o entendimento de que a alergia para amendoim é um quadro preocupante, que pode evoluir com reações anafiláticas graves e imprevisíveis. Também reforça a necessidade de melhor orientação dos pacientes quanto ao uso dos dispositivos autoinjetáveis de adrenalina, assim como das equipes médicas, principalmente aquelas que atuam em setores de emergência e urgência, para a identificação do quadro e manejo adequado com a droga de primeira linha (adrenalina intramuscular). 

Autor(a):

Referências bibliográficas: 

  • Maris I, et al. Peanutinduced anaphylaxis in children and adolescents: Data from the European Anaphylaxis Registry. Allergy. 2021;76(5):1517-1527. doi10.1111/all.14683
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