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Quais são os preditores de mortalidade em pacientes com febre amarela?

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Nos últimos anos, o Brasil vivenciou algumas epidemias de febre amarela, doença com alta mortalidade nos indivíduos que se tornam sintomáticos. Um estudo brasileiro recentemente publicado na The Lancet investigou fatores que pudessem estar relacionados a maior risco de morte nesses pacientes.

Entre janeiro e maio de 2018, 231 pacientes foram admitidos em dois hospitais terciários de São Paulo com suspeita de febre amarela. Destes, 76 tiveram diagnóstico confirmado, por detecção do RNA viral no sangue ou na autópsia. A taxa de mortalidade em 60 dias entre esses pacientes foi de 36%, sendo que os pacientes que morreram eram geralmente mais velhos do que os sobreviventes. Não houve diferença significativa entre a presença de comorbidades e nem no tempo entre o início de sintomas e a hospitalização entre o grupo de sobreviventes e o grupo de pacientes que morreram, assim como não houve diferença entre a frequência de sintomas.

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Diversas variáveis foram associadas com mortalidade, baseados em dados obtidos na admissão hospitalar, incluindo maiores contagens de leucócitos e neutrófilos, concentrações mais altas de transaminases, maiores valores de INR, concentrações maiores de bilirrubina, creatinina elevada e maiores cargas virais detectadas por PCR. Em uma análise multivariada ajustada, os autores encontraram que idade, contagem de neutrófilos, TGO e carga viral foram associadas com morte de forma independente, sendo carga viral e contagem de neutrófilos as que se relacionavam de forma mais significativa, principalmente quando os valores eram maiores do que 5,1 log 10 cópias/ml e 4000 células/mm³, respectivamente.

Apesar do tamanho relativamente pequeno da amostra e de somente valores obtidos na admissão terem sido analisados, os resultados podem ser utilizados como forma de alerta para detectar pacientes com maior chance de morte. Por sua alta mortalidade, casos graves de febre amarela devem ser manejados em ambientes de terapia intensiva e o reconhecimento precoce daqueles que podem evoluir de forma desfavorável pode permitir melhor direcionamento de ambiente de tratamento para esses pacientes.

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Referências:

  • Kallas, EG, Zanella, LGFABDE, Moreira, CHV, Buccheri, R, Diniz, GBF, Castiñeiras, ACP, Costa, PR, Dias, JZC, Marmorato, MP, Song, ATW, Maestri, A, Borges, IC, Joelsons, D, Cerqueira, NB, Santiago e Souza, NC, Claro, IM, Sabino, EC, Levi, JE, Avelino-Silva, VI, Ho, YL. Predictors of mortality in patients with yellow fever: an observational cohort study. Lancet Infect Dis 2019

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