Medicina Laboratorial

Qual o impacto nos valores do LDL-c quando estimado pelas principais fórmulas disponíveis?

Tempo de leitura: 3 min.

Atualmente, as doenças cardiovasculares (DCV) ocupam o primeiro lugar dentre as causas de mortes em todo o mundo. Um dos principais biomarcadores utilizados para a avaliação e estratificação do risco cardiovascular é o colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDL-c), já que ele está diretamente envolvido na gênese da aterosclerose.

Nos últimos consensos de especialidades para o perfil lipídico, algumas mudanças e recomendações foram feitas, dentre as quais a flexibilização do jejum (de maneira geral, não é mais obrigatório e necessário o jejum de 12 horas), bem como a utilização das fórmulas de Friedwald e Martin para o cálculo do LDL-c, quando sua dosagem direta não for possível.

Quando os triglicerídeos (TG) apresentam valores superiores a 400 mg/dL, em indivíduos com jejum de 12 horas, o uso da fórmula de Friedwald é proscrito (subestima muito o LDL-c), sendo recomendado a utilização da fórmula de Martin nesses casos.

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LDL-c

Infelizmente, a dosagem direta do LDL-c é mais cara e ainda possui certa variabilidade metodológica (pode chegar a até 30% de diferença entre os kits). Sendo assim, a estimativa do LDL-c pelas fórmulas matemáticas ainda são largamente utilizadas nos laboratórios clínicos, tendo em vista que apresentam, mesmo com algumas limitações, uma boa correlação com a dosagem direta, além do baixo custo.

Fórmulas mais comuns, suas vantagens e desvantagens

A fórmula de Friedwald (LDL-c = CT – HDL-c – TG/5) é considerada a mais clássica e amplamente disponível em nosso meio. Baseada em uma equação simples, é uma forma barata e acurada para a estimativa do LDL-c. Entretanto, quando a concentração dos triglicerídeos estiverem acima de 400 mg/dL e/ou em casos de hiperglicemia, seu uso não é recomendado, já que nessas situações ocorre uma falsa redução dos valores do LDL-c.

Outra equação, segundo os consensos, que pode (e deve) ser utilizada, principalmente nas situações onde a fórmula de Friedwald perde a acurácia, é a de Martin (LDL-c = CT – HDL-c – TG/x), onde “x” varia de 3,1 a 11,9. Publicada por Martin e colaboradores em 2013, essa equação, que utiliza a ultracentrifugação como referência, apresenta um fator ajustável (x) para o cálculo do colesterol de muito baixa densidade (VLDL-c) a partir dos valores dos TG (ao invés do divisor fixo de cinco como a utilizada na de Friedwald).

Leia também: Fatores de risco cardiovascular em crianças e disfunção diastólica na vida adulta

Esse fator, teoricamente, melhora a distorção da fórmula de Friedwald, aperfeiçoando e tornando mais fidedigna a estimativa do LDL-c, especialmente quando os TG estiverem acima de 400 mg/dL.

Contudo, segundo um estudo brasileiro realizado em uma população da região sul do país, foi demonstrado que a fórmula de Martin superestimava os valores de LDL-c em pacientes com valores de TG < 300 mg/dL, enquanto subestimava nas concentrações de TG acima de 400 mg/dL (chegando a apresentar valores negativos em algumas situações).

Além desse achado, essa equação superestimou os níveis de LDL-c em todas as concentrações de CT avaliadas, com maior desvio padrão.

Uma alternativa a essas fórmulas tradicionais, seria a equação de Cordova & Cordova (LDL-c = 3/4 (CT – HDL-c), proposta e desenvolvida por brasileiros em 2013. Sabendo que a dosagem do LDL-c por métodos diretos tendem a superestimar seus valores quando os TG e LDL-c estão elevados, essa fórmula ajusta esse viés, reportando resultados com maior fidedignidade.

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Conclusão

A análise do lipidograma, especialmente, mas não exclusivamente, do LDL-c, apresenta uma grande importância na identificação dos fatores de risco cardiovascular, no estabelecimento do plano de metas e alvo terapêutico.

Existem diferentes formas de se reportar os valores do LDL-c, seja através da sua dosagem direta ou por meio de equações matemáticas, cada uma com suas indicações e limitações específicas. A depender da população e dos valores do seu lipidograma, as fórmulas podem apresentar desempenhos distintos.

É importante que o médico solicitante dos exames, com o auxílio do médico patologista clínico, conheça sobre as principais diferenças e possíveis vieses dos valores encontrados. Dessa maneira, ao analisar em conjunto os dados clínico-laboratoriais, irá certificar-se de que resultados possam representar, da maneira mais acurada possível, o real status metabólico do paciente.

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Pedro Serrão Morales

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