Infectologia

Qual o risco de transmissão de Covid-19 durante uma viagem de avião?

Tempo de leitura: 3 min.

Alguns estudos demonstram que, apesar do grande número de passageiros que viajaram de avião, a quantidade de casos suspeitos e confirmados de transmissão de Covid-19 entre eles, em todo o mundo, parece pequena (aproximadamente 42 no total). Comparando com um estudo sobre a transmissão em trens da China, os mais de 2.300 casos conhecidos mostrou uma taxa geral de 0,3% entre todos os passageiros.

Sendo assim, o periódico JAMA publicou um artigo avaliando os riscos de transmissão de Covid-19 numa viagem de avião, baseando-se na maneira como o ar circula dentro de uma aeronave.

Transmissão de Covid-19 em avião

Antes de tudo, é importante lembrar como acontece a transmissão do SARS-CoV-2. O vírus pode ser transmitido pelo contato com gotículas, a uma curta distância, de uma pessoa infectada ou com partículas menores de aerossol que podem ficar suspensos no ar e viajar a uma distância maior.

Existe ainda a transmissão por fômites, que possui evidências menos robustas, mas que ainda é importante em alguns casos.

Quando pensamos em um avião, temos que entender como funciona o fluxo de ar dentro das cabines: ele entra pelas entradas aéreas e flui para baixo, em direção às saídas do chão. Sendo assim, como o ar sempre entra e sai por uma mesma fileira de assento ou fileiras próximas, há pouco fluxo entre as filas de cadeiras. Isso significa que é menos provável as partículas respiratórias circulem para frente ou para trás.

Além de as aeronaves mais atuais possuírem um fluxo de ar mais rápido que aquele de edifícios comuns, metade do ar que entra é de ar fresco exterior e outra metade é reciclada por meio de filtros HEPA, o mesmo tipo usado em centros cirúrgicos.

Já que o risco de aerossol é baixo, como fica o risco por contato?

O maior risco em uma viagem de avião é a transmissão por contato direto com a pessoa infectada, sendo assim os principais cuidados são relativos a isso. Sempre que possível, a companhia deve deixar assentos vazios entre os passageiros, mas como não é uma regra, muitos voos não conseguem fazer a separação.

Sendo assim, mesmo que os encostos dos bancos ofereçam uma barreira física parcial, com pouco contato face a face, em relação aos passageiros sentados próximos e outros riscos envolvendo superfícies, é importante:

  • Uso de máscaras faciais, trocadas sempre que ficarem úmidas ou após duas a três horas;
  • Limitar a bagagem de mão, para que não carregue o vírus para dentro ou para fora do avião;
  • Manter distanciamento sempre que possível;
  • Ficar sentado o máximo possível;
  • Desinfetar as mãos com frequência;
  • Evitar tocar no rosto;
  • Informar à tripulação se não estiver se sentindo bem.

Leia também: Como evitar a transmissão por Covid-19 durante as visitas domiciliares na Atenção Primária?

Aeroportos

Nos aeroportos, os riscos são maiores que na aeronave, sendo assim, as recomendações gerais para qualquer ambiente devem ser mantidas, como:

  • Testes de temperatura;
  • Perguntas sobre sintomas (febre, perda do olfato, calafrios, tosse, falta de ar) antes do passageiro embarcar;
  • Limpeza e desinfecção recorrente dos ambientes e superfícies;
  • Embarque e despacho de bagagem sem contato;
  • Uso de barreiras físicas, como placas de acrílico entre o atendente e o passageiro;
  • Distanciamento entre as pessoas nas filas e cadeiras;
  • Controle de acesso a corredores e banheiros;
  • Uso de máscaras por todos os funcionários e clientes.

Conclusões

Segundo os autores, a chance de se infectar pela doença em um avião é menor que em escritórios, salas de aula, supermercados ou trens. Apesar disso, cuidados para contatos são importantes para minimizar ainda mais os riscos.

É sempre importante lembrar também que, apesar de a aeronave ter condições menos favoráveis à propagação do vírus, os aeroportos e momentos importantes pré-embarques devem seguir as regras de distanciamento e higienização de forma rígida.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:

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Publicado por
Clara Barreto

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