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“Quarter-dose”: anti-hipertensivos em dose muito baixa podem ser eficazes e ter menos efeitos colaterais

Tempo de leitura: 2 minutos.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença de alta prevalência e o principal fator de risco para morte cardiovascular. Contudo, estatísticas mundiais mostram que menos da metade dos pacientes está com a pressão arterial dentro do alvo terapêutico (140/90 mmHg, salvo discussões pontuais) e a baixa adesão ao tratamento pode ser um dos principais motivos disso.

Múltiplas tomadas diárias e efeitos colaterais são duas causas importantes de má adesão ao tratamento farmacológico. Quem nunca ouviu um paciente contar que “tenho alergia ao Captopril, me dá muita tosse”? Ou “minha perna incha com esse remédio doutor”?

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Estudos no século passado mostram o efeito farmacodinâmico dos anti-hipertensivos. Ao contrário do esperado, a curva dose-resposta não é linear. Pelo contrário, a maior redução na PA ocorre em doses moderadas e o acréscimo na ingestão aumenta o risco de efeitos colaterais com muito pouco ganho na redução da PA.

Olhe a figura abaixo, do artigo de Law et al. BMJ. 2003 Jun 28; 326(7404): 1427. Ao passar de ½ dose para 1 dose (ex: de 2,5 para 5 mg de anlodipino), houve ganho em 5 mmHg na redução da PA. Mas ao dobrar a dose (de 5 para 10 mg de anlodipino, por exemplo), o ganho foi pequeno, menos de 2 mmHg.

Reprodução

Por isso, nos últimos anos tem ganhado força a ideia que, diante de um paciente com PA acima da meta, é melhor associar dois anti-hipertensivos em doses moderadas (“dose-padrão”) do que dobrar a dose de uma monoterapia. Contudo, uma revisão sistemática recente foi além: mostrou que a associação de dois anti-hipertensivos em um quarto (¼ ou “quarter-dose”) da dose padrão foi tão eficaz quanto monoterapia e com menor índice de eventos adversos (redução média da PA -6,7/4,4 mmHg). Se for possível combinar essas medicações em um único comprimido, certamente será um grande ganho na adesão ao tratamento.

Tabela 1: dose padrão dos principais anti-hipertensivos no mercado brasileiro.

Medicação Dose Diária Medicação Dose Diária
Atenolol 50 mg Hidroclorotiazida 25 mg
Captopril 100 mg Clortalidona 12,5 mg
Enalapril 20 mg Anlodipino 5 mg
Losartana 50 mg Valsartana 80 mg

Veja também: ‘Síndrome Coronariana Aguda: o que há de novo’

Autor:

ronaldo Controle da pressão arterial no AVC agudo: o que precisamos saber

Referências:

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