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Rastreamento para a depressão pós-parto deve ser feito em todas as gestantes?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A depressão pós-parto é uma condição há muito reconhecida como importante causa de morbidade materna, com grande relevância no âmbito da saúde pública. Além das consequências para sua própria saúde, as síndromes depressivas que acometem mulheres nos primeiros meses após o parto afetam toda a família. A maioria das pessoas em risco são mães com história de depressão, eventos negativos de vida e ausência de apoio social.

Os sintomas de depressão pós-parto incluem irritabilidade, choro frequente, sentimentos de desamparo e desesperança, falta de energia e motivação, desinteresse sexual, alterações alimentares e do sono, sensação de ser incapaz de lidar com novas situações e queixas psicossomáticas. Uma mãe com depressão pós-parto pode apresentar também sintomas como cefaleia, dores nas costas, erupções vaginais e dor abdominal, sem causa orgânica aparente.

Embora seja uma condição relativamente comum, não é frequentemente tratada. A detecção precoce, o suporte e o tratamento podem promover a recuperação rápida da mãe, e reduzir o impacto da depressão pós-parto no desenvolvimento da criança.

No estudo quasi-experimental publicado na Pediatrics, os pesquisadores avaliaram a eficácia do rastreamento da depressão pós-parto na melhora dos resultados em mães e crianças através da detecção e tratamento precoce.

As participantes do estudo eram mães que visitaram os centros well-child care (WCC) holandeses e foram incluídas após o parto entre 1º de dezembro de 2012 e 1 de abril de 2014. Estas foram expostas a um procedimento de rastreamento em 1, 3 e 6 meses pós-parto (grupo intervenção) ou ao cuidado usual (grupo controle). A intervenção incluiu a detecção precoce da depressão pós-parto por rastreamento repetido seguido de conselhos sobre opções de tratamento e encaminhamento quando necessário.

Significativamente menos mães no grupo intervenção estavam deprimidas nos 9 meses pós-parto em comparação com o grupo controle (0,6% versus 2,5% para depressão maior). O odds ratio ajustado foi de 0,28 (intervalo de confiança [IC] de 95%: 0,12 a 0,63). Para depressão menor e maior, os valores foram de 3,0% versus 8,4% (odds ratio ajustado: 0,40; IC 95%: 0,27 a 0,58).

Para a paternidade, sintomas de ansiedade e funcionamento da saúde mental, a intervenção resultou em tamanhos de efeito variando de 0,23 a 0,27. O efeito sobre o desenvolvimento sócio emocional da criança foi insignificante.

Com base nos resultados, a implementação do rastreamento para a depressão pós-parto deve ser seriamente considerada devido aos seus efeitos positivos na saúde mental materna.

Veja também: ‘O papel do ginecologista/obstetra no rastreio da depressão’

Autora:

Referências:

  • van der Zee-van den Berg AI, Boere-Boonekamp MM, Groothuis-Oudshoorn C.G.M., et al. Post-Up Study: Postpartum Depression Screening in Well-Child Care and Maternal Outcomes. Pediatrics. 2017;140(4):e20170110

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