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Rotatividade de Medicamentos Sedativos e Analgésicos em Crianças Graves

Tempo de leitura: 3 minutos.

A sedação e analgesia adequadas são uma pedra angular no manejo ideal de pacientes pediátricos em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP). Esses medicamentos são frequentemente necessários para o paciente alcançar um nível adequado de conforto e adaptação a diferentes terapias e minimizar o risco de extubação não planejada e perda de dispositivos invasivos, como acessos vasculares.

No entanto, o prolongado uso desses fármacos acarreta o risco de desenvolver tolerância e síndrome de abstinência, podendo aumentar o tempo de ventilação mecânica (VM) e o tempo de permanência na UTIP, aumentando, consequentemente, a mortalidade e os gastos hospitalares. Aqui no Portal da Pebmed já falamos sobre tolerância e síndrome de abstinência.

Como reduzir esses efeitos?

Diferentes estratégias têm sido propostas na literatura para reduzir os efeitos adversos mencionados. Algumas das estratégias propostas são as seguintes: implementação de protocolos específicos para o uso e monitoramento de drogas sedativas e analgésicas, interrupção diária de infusões contínuas, uso de outros medicamentos que não sejam opioides e benzodiazepínicos ou estratégia focada em priorizar a analgesia e, somente quando necessário, administrar sedação adicional. 

A rotatividade de drogas sedativas e analgésicas é baseada na hipótese de que, quanto menos tempo os diferentes receptores estiverem ocupados, menor a incidência de tolerância e síndrome de abstinência após a suspensão desses medicamentos. Alguns estudos em adultos com câncer mostraram que a rotatividade de opioides reduz a tolerância e a abstinência. No entanto, não existiam estudos avaliando a eficácia e segurança de uma rotatividade sedativa e analgésica em crianças graves com sedação e analgesia prolongadas.

Estudo sobre implementação de protocolo de rotatividade

Com o objetivo de avaliar a implementação de um protocolo de rotatividade de sedativos e analgésicos em uma UTIP espanhola, Sanavia e colaboradores (2019) coordenaram o estudo Sedative and Analgesic Drug Rotation Protocol in Critically Ill Children With Prolonged Sedation. Evaluation of Implementation and Efficacy to Reduce Withdrawal Syndrome, publicado em julho na Revista Pediatric Critical Care Medicine. Outro objetivo dos pesquisadores foi analisar a incidência de síndrome de abstinência, as doses empregadas de medicamentos sedativos e analgésicos e o tempo de infusão contínua após a implementação deste novo protocolo. 

Sanavia e colaboradores (2019) realizaram um estudo prospectivo incluindo todos os pacientes com idades entre 1 mês e 16 anos internados em uma UTIP da Espanha entre junho de 2012 e junho de 2016 que necessitaram de sedação e analgesia em infusão contínua por mais de quatro dias, independentemente da necessidade de VM. Um protocolo de rotatividade de drogas sedativas e analgésicas foi projetado – Quadros 1 e 2.

Quadro 1: Protocolo de Rotatividade de Medicamentos Sedativos e Analgésicos proposto por Sanavia e colaboradores (2019).

 

Quadro 2: Profilaxia e tratamento da síndrome de abstinência proposta por Sanavia e colaboradores (2019).

O nível de sedação, analgesia e síndrome de abstinência foram monitorados com escalas validadas. A relação entre a conformidade com o protocolo e a incidência de síndrome de abstinência foi estudada. 

Foram incluídos 100 pacientes pediátricos. A causa mais frequente de internação na UTIP foi cirurgia cardíaca (56%). A indicação mais comum de sedação foi o manuseio pós-operatório de cirurgia cardíaca (56%), seguido de instabilidade hemodinâmica (21%) e adaptação à VM (13%). O protocolo foi seguido adequadamente em 35% dos pacientes. Sessenta e sete por cento da coorte geral apresentaram síndrome de abstinência. Houve menor taxa de incidência de síndrome de abstinência (34,3% versus 84,6%; p <0,001), menor tempo de permanência na UTIP (mediana 16 versus 25 dias; p = 0,003), menor tempo de infusão de opioide (mediana 5 versus 7 dias de fentanil; p = 0,004), benzodiazepínicos (mediana 5 versus 9d; p = 0,001) e propofol (mediana 4 versus 8d; p = 0,001) na coorte de crianças em que o protocolo foi seguido corretamente.

Resultados do estudo

Os resultados desse estudo mostraram que a conformidade com o protocolo de rotatividade de drogas em crianças em UTIP que necessitam de sedação prolongada pode reduzir o aparecimento da síndrome de abstinência sem aumentar o risco de efeitos adversos. Além disso, pode reduzir o tempo de infusões intravenosas contínuas para a maioria dos sedativos e analgésicos, além de diminuir o tempo de internação na UTIP.

Autora: 

Referências: 

  • Sanavia E. et al. Sedative and Analgesic Drug Rotation Protocol in Critically Ill Children With Prolonged Sedation. Evaluation of Implementation and Efficacy to Reduce Withdrawal Syndrome. Pediatric Critical Care Medicine: July 1, 2019 – Volume Online First. doi: 10.1097/PCC.0000000000002071.

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