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Sedação em Cuidados Paliativos: quais intervenções do enfermeiro?

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A sedação dentro da abordagem dos Cuidados Paliativos (CP) pode ser caracterizada pela infusão controlada de fármacos em doses e combinações pré-estabelecidas, necessárias para a redução do nível de consciência ou ausência (inconsciência). O principal objetivo é o alívio adequado de sofrimento intratável e deve ser efetivada por meio de uma decisão eticamente aceitável por todos os envolvidos, no caso, pacientes e familiares e ainda equipe de saúde.

A sedação dentro da abordagem dos CP não pode ser confundida com eutanásia que é uma prática com proibição prevista em lei no Brasil ou muito menos denominada equivocadamente como “sedação terminal”. A prática da sedação está muito bem delimitada e possui objetivos específicos dentro da abordagem dos CP. Abordagem que inclui dentro dos seus princípios “não buscar antecipar nem adiar a morte” e ainda “oferecer um sistema de suporte para ajudar o paciente a viver tão ativamente quanto possível, até o último momento de sua vida”.

Sedação em Cuidados Paliativos

Os profissionais de saúde e principalmente enfermeiros que acompanham o paciente constantemente devem compreender conceitos básicos sobre sedação em Cuidados Paliativos tais como:

O que é um sintoma/sofrimento intratável ou refratário?

A premissa é não confundir sintoma difícil com sintoma refratário. Sintoma/sofrimento refratário é toda angústia que não pode ser controlada apesar das repetidas doses de medicações e medidas não farmacológicas.

Leia também: Dispneia em pacientes com doenças avançadas: ações da enfermagem

Outros critérios que podem ser considerados para deliberação de sedação nestes casos são: o difícil alívio do sintoma/sofrimento em relação ao tempo de vida, sofrimento em relação a excessiva morbidade e o consenso sobre refratariedade de alguma angústia entre a equipe principal e profissionais especialistas.

Quais as principais formas de realizar a sedação em Cuidados Paliativos?

Objetivo

Duração

Intensidade

Primário onde a intenção é reduzir nível de consciência. Intermitente o paciente permanece acordado em alguns momentos do dia. Superficial o paciente pode manter nível de consciência que permita comunicação.
Secundário a redução da consciência é consequência do uso de medicação para controlar um sintoma específico. Contínuo o paciente tem a diminuição da consciência de forma permanente Profunda é mais utilizado na fase final de vida onde o prognóstico é de dias ou horas.

Quais as principais intervenções que o enfermeiro deve realizar?

Antes da sedação:

  • Reconhecer o paciente como um individuo que possui uma história de vida e pertence a um contexto cultural, social e espiritual.
  • Saber quais os sintomas ou sofrimentos mais comuns e que podem se tornar intratáveis, por exemplo, sintomas físicos como dor e dispneia, sofrimento existencial como perda do sentido da vida, problemas sociais como discriminação ou condições neuropsiquiátricas como depressão ou delirium. Estes paciente devem ser acompanhados cuidadosamente quanto a resposta a abordagem terapêutica.
  • Avaliar e monitorar o tratamento medicamentoso e não medicamentoso para os sintomas diariamente.
  • Checar se as medicações prescritas e abordagem não farmacológica estão sendo realizadas.
  • Checar se os dispositivos para administração de medicações estão em plena funcionalidade ou paciente mantém a capacidade habitual de absorção. Se necessário trocar via de administração de medicações e propor rotas alternativas.
  • Promover medidas não farmacológicas para alívio dos sintomas.
  • Acolher paciente e familiares diante dos sofrimentos e aprofundar vínculos de cuidado.
  • Estar presente nas discussões entre os demais profissionais e trazer a discussão as impressões e cuidados que estão sendo realizados pela equipe de enfermagem.
  • Promover um espaço em que paciente e familiares sintam-se confortáveis em compartilhar suas angústias.
  • Documentar preferências do paciente, principalmente em relação a maneira como gosta de ser cuidado.
  • Esclarecer dúvidas e orientar pacientes e familiares.

Mais da autora: Atuação da enfermagem frente à violência contra idosos

Durante a sedação:

  • Checar doses e administrar as medicações prescritas;
  • Fornecer informações para equipe médica em que auxilie na titulação das medicações;
  • Monitorar estado de consciência e resposta a sedação que foi decidida entre a equipe;
  • Manter o asseio do paciente (ex: cuidados de higiene como banho e troca de vestuário);
  • Permitir que a família esteja próxima e comunique as preferências de cuidado para o paciente;
  • Promover espaço para espiritualidade e rituais do paciente e família;
  • Observar progressão de doença e aproximação com a fase final de vida.

Todos os profissionais de saúde devem evitar o uso de denominações e conceitos equivocados sobre sedação. A sedação deve ser considerada como último recurso no tratamento de algum sintoma ou sofrimento e deve sempre que possível ser uma decisão compartilhada após avaliação do caso por um profissional especialista em Cuidados Paliativos. A sedação é uma medida rara quando o paciente possui uma abordagem farmacológica e não farmacológica de excelência para as condições que trazem sofrimento.

Por último, sendo a sedação uma medida considerada como último recurso dentro da abordagem dos CP recomenda-se que instituições que possuem números altos em relação a sedação observem a prática clínica, revejam a assistência, promovam treinamento dos profissionais e elaborem protocolos de acordo com o que já está estabelecido na literatura para que assim seja estabelecido uma prática de excelência antes da necessidade de sedação.

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Autora:

Referências bibliográficas:

  • Pallicast. Podicast sobre Sedação Paliativa: 5 Episódio com Cláudia Inhaia, Sabrina Corrêa da Costa Ribeiro, Luis Fernando Rodrigues e André Felipe Junqueira dos Santos. [Internet]; 2019; [citado em janeiro de 2020].
  • Twycross R. Reflections on palliative sedation. Palliative Care: Research and Treatment. [Internet]; 2019; [citado em janeiro de 2020].
  • Patel B, Gorawara-Bhat R, Levine S, Shega JW. Nurses’ attitudes and experiences surrounding palliative sedation: components for developing policy for nursing professionals. J Palliat Med. [Internet]; 2012; [citado em janeiro de 2020].

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