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síndrome da dor patelofemoral

Síndrome da dor patelofemoral: veja como identificar e tratar

Tempo de leitura: 3 minutos.

A síndrome da dor patelofemoral (SDPF) é um distúrbio musculoesquelético comum que afeta a articulação do joelho. A SDPF acomete principalmente, corredores, ciclistas, jogadores de tênis e pessoas fisicamente ativas, com maior incidência em mulheres. As explicações para o aparecimento da SDPF ainda não estão totalmente esclarecidas. As alterações biomecânicas do membro inferior, como fraqueza muscular, frouxidão ligamentar, alteração do ângulo “Q” e mau posicionamento da patela são os principais fatores correlacionados com o aparecimento da SDPF.

Assim, o movimento excessivo e repetitivo, associado com o mau alinhamento da articulação patelofemoral, podem favorecer uma sobrecarga aumentada na região do joelho, provocando a SDPF ou até mesmo o desgaste precoce da cartilagem articular, ocasionando problemas como a condromalácia patelar e osteoartrose do joelho (gonartrose).

Embora em alguns casos a condromalácia patelar é um termo utilizado como sinônimo da SDPF devido à semelhança dos sintomas, a literatura coloca que a SDFP se aplica apenas em indivíduos sem lesão da cartilagem articular, distinguindo-a da condromalácia patelar, uma condição caracterizada pelo amolecimento da cartilagem articular da patela. A principal queixa dos pacientes com SDPF é a dor na região anterior do joelho que se agrava com atividades, como subir e descer escadas, agachar e permanecer sentado por muito tempo.

Tratamento da Síndrome da dor patelofemoral

O tratamento farmacológico com o uso de anti-inflamatórios não-esteroides e acupuntura podem ser utilizados para o alívio dos sintomas na fase aguda da lesão. Recursos como a terapia manual, a utilização de órteses e bandagens para melhorar o alinhamento da articulação patelofemural podem ser utilizados, mas apresentam resultados com moderada-baixa evidência científica.

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Assim, o tratamento central da SDPF está voltado para o equilíbrio muscular e biomecânico de todo o membro inferior. A literatura atual aponta que além do “ângulo Q normal” que é considerado para os homens de 10º a 13º graus e 15º a 17º graus para as mulheres, durante o tratamento é necessário considerar o valgo dinâmico, de forma a reequilibrar os músculos que promovem esse rearranjo. O fortalecimento do vasto medial oblíquo é preconizado, como forma de centralizar a patela, promovendo uma melhor estabilização e vantagem mecânica da articulação patelofemural.

Outros métodos

Entretanto, recentemente, outros grupos musculares, como o complexo póstero-lateral do quadril, os músculos inseridos na pata anserina (ou pata de ganso) e o bíceps femoral estão sendo trabalhados para manter um melhor alinhamento da patela e evitar o valgo dinâmico. Os programas de reabilitação e correção biomecânica estão baseados no processo avaliativo e normalmente tem duração de três meses.

Durante o processo de reabilitação, algumas recomendações são preconizadas, como o fortalecimento do quadríceps em cadeia cinética aberta com angulação de 90º a 30º de flexão do joelho, enquanto que os exercícios de agachamento (Squat) em cadeia cinética fechada devem ser executados de 45º a 0º grau de flexão do joelho, como forma de evitar o estresse excessivo e proteger a articulação.

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Autor:

Paulo Roberto Veiga Quemelo

Graduação em fisioterapia, com mestrado e doutorado em ciências médicas e pós-doutorado em biomecânica. Tem mais de 16 anos de experiência na área clínica e acadêmica, com mais de 50 artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais. Atualmente trabalha e desenvolve pesquisas voltadas para a reabilitação na área ortopédica, saúde ocupacional e promoção da saúde.

Referências:

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