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Síndrome de abstinência neonatal: buprenorfina pode ser a melhor opção?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A síndrome de abstinência neonatal ocorre quando o recém-nascido de uma mãe que usou drogas como opiáceos, metadona e heroína, nasce com sintomas de abstinência química precisando de tratamento intensivo e uma reabilitação rigorosa.

Pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) analisaram quase 30 milhões de partos hospitalares entre 1999 e 2013 e constataram aumento significativo da síndrome de abstinência neonatal. Em 1999 aconteceram, aproximadamente, 1,6 milhão de partos com registro de mais de 2.400 casos de síndrome de abstinência neonatal (1,5 a cada 1000 nascimentos). No ano de 2013, em 1,4 milhão de partos o número de casos da síndrome aumentou para mais de 8.200 (6 a cada 1.000 nascimentos).

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Os sintomas destes bebês são caracterizados pela irritabilidade do sistema nervoso central, causando tremores, aumento do tônus muscular e convulsões; disfunção do trato gastrointestinal, dificultando a alimentação; e hiperatividade autonômica, tendo como sintomas taquicardia, respiração intensa, falta de ar, sudorese, entre outros. As medidas que melhoram os sintomas incluem: mínimo manuseio e aleitamento materno, mas cerca de 2/3 destes bebês necessitam de medidas farmacológicas.

Ainda não há consenso de qual melhor fármaco para tratar a síndrome de abstinência neonatal, mas os estudos nos mostram que os opioides ainda são mais efetivos. A buprenorfina, a despeito de não ser utilizada em larga escala, também tem se mostrado como a droga ideal na grávida toxicodependente, diminuindo os casos de síndrome.

Em artigo recente do New England há um comparativo entre o tratamento farmacológico com morfina e buprenorfina, no qual se demonstrou que a duração média do tratamento com a segunda droga foi significativamente menor, assim como o tempo de permanência hospitalar, neste estudo foram analisadas 63 crianças a termo expostas a opioide, de 2011 a 2016. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente na proporção de 1:1 entre as medicações. A taxa de evento adverso foi semelhante nos dois grupos.

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Considerando-se as imensas variáveis desfavoráveis existentes na grávida toxicodependente – má nutrição e cuidados de saúde, tabaco, abuso de álcool, violência, etc. – será sempre difícil isolar um fator e concluir da responsabilidade do fármaco escolhido na terapia de substituição, como causa de anomalias presentes no recém-nascido e no normal desenvolvimento futuro da criança.

Autor:

rafaella-leal Prematuros extremos: o que mudou no atendimento?

Referências:

  • American Academy of Pediatrics. (1998). “Neonatal Drug Withdrawal”. Policy statement. 101 (6), 1079-1088. At.
    www.sicad.min-saude.pt/BK/RevistaToxicodependencias/…/5/art04_vol14_N1.pdf
  • Neonatal abstinence syndrome. National Institute of Health [Internet]. 2014 Jan [cited 2015 Mar 27]. Available from: https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/007313.htm
  • https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/65/wr/mm6531a2.htm

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