Síndrome metabólica: sempre bom relembrar!

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Também conhecida como síndrome de Reaven, a síndrome metabólica é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular relacionados com a disposição central de gordura e à resistência à insulina, mas ainda há questões em aberto para conceituação.

A síndrome metabólica é caracterizada pela união de vários fatores de risco para as doenças cardiovasculares: obesidade central (OC), hipertrigliceridemia, dislipidemia (HDL baixo e triglicerídeos elevados) e hipertensão arterial sistêmica (HAS).

Sobre a síndrome metabólica

A classificação de Síndrome Metabólica em adultos, apesar de amplamente discutida é estabelecida por duas principais definições a seguir:

  • OMS, criada em 1998: apresenta como obrigatório a resistência à insulina, ou do distúrbio do metabolismo da glicose;
  • NCEP/ ATP III, de 2001 não exige a comprovação da resistência à insulina.

Uma nova proposta de classificação foi apresentada em 2005 pela Federação Internacional de Diabetes (International Diabetes Federation, IDF), que considera a obesidade visceral o mais importante marcador, determinada pela medida da cintura, pela primeira vez com propostas de limites específicas por etnia.

A prevalência da SM geralmente varia, dependendo dos critérios diagnósticos e das diversas definições diferentes que, inevitavelmente, levam a uma confusão considerável e ausência de comparabilidade entre os estudos. Os componentes mudam de acordo com: etnia, sexo, hábitos alimentares, estilos de vida, fenótipos e localização geográfica, tornando difícil estabelecer uma classificação universal. Há poucos estudos na população brasileira, mas a prevalência parece ser elevada.

A importância da obesidade decorre de sua elevada morbidade, na medida em que se associa a uma série de outras doenças e de sua elevada prevalência, não só nos países desenvolvidos como também naqueles em desenvolvimento, considerados emergentes, como é o caso do Brasil.

Apresentação clínica

A caracterização desta síndrome é feita pelo aumento de circunferência abdominal, hipertensão arterial, hipertrigliceridemia, baixo HDL-colesterol e elevação glicêmica, com um estreito elo entre SM e resistência insulínica (RI). A RI e o consequente hiperinsulinismo implicam na gênese da hipertensão, da dislipidemia, da obesidade visceral, dos distúrbios do metabolismo da glicose, dos estados pro inflamatórios e pró-trombóticos, com associação direta entre RI, SM e doenças cardiovasculares.

Quando pensamos em causas e fatores de risco, podemos pontuar: fator genético, alimentação inadequada, sedentarismo.

Veja mais: Obesidade: quais as principais doenças relacionadas?

Pensado nas manifestações clínicas, temos: obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia.

Para facilitar na prática clínica, além de medidas da circunferência abdominal, pressão arterial, podemos complementar a rotina com exames laboratoriais como a dosagem de glicemia em jejum, HDL-colesterol e triglicerídeos; mas outros exames bioquimícos adicionais poderão ser realizados para melhor avaliação do risco cardiovascular global, tais como: colesterol total, LDL-colesterol, creatinina, ácido úrico, microalbuminúria, proteína C reativa.

Tratamento

O elo entre a nutrologia e a síndrome metabólica consiste no fato que a primeira escolha de tratamento é o não medicamentoso, que inclui a realização de um plano alimentar para a redução de peso, associado a exercício físico.

Para o tratamento de pacientes com síndrome metabólica a redução do peso é fundamental visando diminuir 5 a 10% do peso corporal inicial. A alimentação visa reduzir a ingestão de gorduras saturadas e trans. (hidrogenados) e preferir as gorduras insaturadas, aumentar a ingestão de frutas, hortaliças e leguminosa, reduzir a ingestão de açúcar, realizar o acréscimo de cereais integrais à dieta.

A prática de exercícios físicos deve ser orientada com uma duração mínima de 30 minutos, de intensidade moderada, no mínimo 05 vezes por semana.

Mais da autora: Sarcopenia: um elo entre a nutrologia e a geriatria

E para finalizar pode ser feito o uso de prebióticos e probióticos, pois há relação entre a flora ou microbioma intestinal e doenças crônicas, sendo demonstrado que tanto a diversidade, como os tipos de bactérias (quantidade e qualidade), presentes no intestino influenciam a ocorrência de algumas doenças.

Com as medidas não farmacológicas, principalmente perda de peso, mudanças dietéticas e exercício físico, é possível normalizar as alterações metabólicas sem necessidade de medicamentos e independentemente dos critérios utilizados para seu diagnóstico, é de comum acordo que mudanças no estilo de vida, com o objetivo primário de perda de peso, sejam introduzidas sempre.

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Referências bibliográficas:

  • I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arq. Bras. Cardiol., 84(supl. I), 2005. Elian, A.A.; Purisch, S. Resistência à insulina e doenças cardiovasculares. In: Porto, C.C.; Porto, A.L. Doenças do coração. Prevenção e tratamento. 2a ed. Guanabara Koogan, 2005.
  • Expert Panel on Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults. Executive Summary of the Third Report of the National Cholesterol Education Program (NCEP). JAMA, 285:2486 2497, 2001.
  • World Health Organization . Definition, diagnosis and classification of diabetes mellitus and its complications. Part 1: Diagnosis and classification of diabetes mellitus, department of non communicable disease surveillance. Geneva; 1999.
  • Ford ES, Giles WH. A comparison of the prevalence of the metabolic syndrome using two proposed definitions. Diabetes Care. 2003;26(3):575-81
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