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Sofrimento emocional eleva o risco de mortalidade em pacientes com doença coronariana

Tempo de leitura: 3 minutos.

É de grande importância a documentada piora da mortalidade e morbidade de pacientes cardíacos deprimidos. A mortalidade destes pacientes é maior quando comparado a cardiopatas não deprimidos, independentemente da gravidade cardiológica.

Depressão e ansiedade têm sido associadas com aumento da mortalidade em pacientes com doença arterial coronariana. No entanto, as estratégias ideais para rastrear e direcionar os pacientes que podem se beneficiar de intervenções para reduzir essas condições são incertas.

Uma pesquisa recentemente publicada no jornal online Heart foi realizada com o objetivo de determinar se o sofrimento psicológico intermitente e/ou persistente está associado com a mortalidade em pacientes com doença arterial coronariana estável.

Os participantes do estudo Long-Term Intervention with Pravastatin in Ischaemic Disease (LIPID) foram avaliados nesta pesquisa. Como critérios de inclusão foram considerados: história de infarto agudo do miocárdio ou internação por angina instável nos 3-36 meses anteriores, idade entre 31-74 anos e nível de colesterol sérico em jejum de 4,0-7,0 mmol/L antes da randomização. Pacientes com insuficiência cardíaca foram excluídos. No estudo LIPID, os participantes foram aleatoriamente randomizados para pravastatina (40 mg/dia) ou placebo, e seguidos por uma média de 6,0 anos.

Para a análise, no total, 950 participantes do estudo LIPID completaram pelo menos quatro questionários de saúde geral (QSG-30) na linha de base e após ½, 1, 2 e 4 anos. Dos participantes, 587 (62%) não relataram sofrimento psicológico em qualquer avaliação, 27% apresentaram sofrimento leve (QSG > 5) em uma ou duas avaliações, 8% sofrimento moderado em pelo menos três avaliações ou ≥ 60% do tempo, e 35 indivíduos (3,7%) apresentaram sofrimento moderado (QSG > 10) em três ou mais das cinco avaliações.

Veja também: ‘Oscilações do peso corporal e desfechos em doença coronariana’

Os indivíduos com sofrimento persistente leve ou moderado foram mais propensos a reportar angina e dispneia.

Durante o seguimento, foram observadas 398 mortes e 199 mortes devido a condições cardiovasculares.
Pacientes com sofrimento psicológico persistente moderado ou grave apresentaram risco elevado de mortalidade cardiovascular (hazard ratio [HR] ajustado: 3,94; intervalo de confiança [IC] de 95%: 2,05 a 7,56; p<0,001) e mortalidade por todas as causas (HR ajustado: 2,85; IC 95%: 1,74 a 4,66; p<0,001) em comparação com pacientes sem esta condição. Em contraste, os pacientes que relataram sofrimento leve persistente em três ou mais visitas e aqueles que preencheram critérios de sofrimento em apenas uma ou duas avaliações não tiveram aumento de risco da mortalidade cardiovascular ou mortalidade por todas as causas.

A carga global de sofrimento, indicada pela pontuação média do QSG, aumentou progressivamente de níveis baixos em participantes que nunca relataram sofrimento, para níveis altos em quem relatou sofrimento persistente grave.

Como conclusão, o sofrimento psicológico persistente de gravidade moderada ou grave em pacientes com doença arterial coronariana estável está associado com um aumento substancial da mortalidade cardiovascular e mortalidade por todas as causas.

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Referência:

  • Stewart RAH, Colquhoun DM, Marschner SL, et al. Heart Published Online First: [please include Day Month Year]. doi:10.1136/ heartjnl-2016-311097

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