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SPICT™: ferramenta simples para integração do Cuidado Paliativo na saúde

Tempo de leitura: 3 minutos.

Um dos grandes desafios para a integração do Cuidado Paliativo em todos os níveis de atenção em saúde é a identificação de pacientes que podem se beneficiar dessa abordagem. Por falta de conhecimento adequado, muitos profissionais ainda vinculam cuidados paliativos com cuidados de final de vida e, marcadamente, para pacientes com câncer. 

Desde 2014, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou a resolução onde declara que cuidado paliativo deve ser indicado desde o diagnóstico de qualquer condição de saúde que ameace a vida integrando-o ao plano de cuidados. Mas o que se fala não é do encaminhamento para o especialista em Cuidados Paliativos, que pode auxiliar em situações complexas, oferecer suporte, treinamento e orientações, mas sim do médico assistente adotando os princípios dos cuidados paliativos na prática, atendendo as necessidades multidimensionais do paciente. Uma vez que é comprovado, cientificamente, que cuidado paliativo aumenta a qualidade de vida, reduz admissões hospitalares, intervenções onerosas de pouco benefício, além de, em alguns casos, aumentar a expectativa de vida. 

Saiba mais sobre o assunto: Cuidados paliativos: quando a legitimidade traduz um dever médico

SPICT (Supportive and Palliative Care Indicators Tool)

Nesse sentido, em 2010, com a liderança de Dra. Kristy Boid e Dr. Scott Murray, em Edimburgo, na Escócia, foi desenvolvida uma ferramenta para auxílio na identificação de pacientes que podem precisar de cuidados paliativos. O SPICT (Supportive and Palliative Care Indicators Tool) é um instrumento simples, baseado em indicadores clínicos de doença avançada, de fácil reconhecimento. Ele permite orientação prática sobre quais pacientes estão em risco de deterioração e descrevem mudanças no estado de saúde e necessidades. Isso auxilia médicos, que trabalham tanto na atenção primária quanto em hospitais, a reconhecer o paciente que pode se beneficiar dos cuidados paliativos e de apoio no planejamento de cuidados. 

O SPICT™ tem formato de única página contendo seis sinais gerais de piora da saúde. Conta também com indicadores clínicos baseados em evidências das principais condições avançadas e progressivas considerando câncer; demência/ fragilidade; doença neurológica; doença cardiovascular; doença respiratória; doença renal e doença hepática.

Além disso, apresenta orientações quanto a revisão e planejamento do cuidado. Tem validade para profissionais de saúde e assistência social que trabalham em ambientes hospitalares, comunitários e domiciliares. A linguagem e conceitos são acessíveis, podendo ser utilizados para iniciar discussões com pacientes e familiares sobre metas de cuidado e melhorar a comunicação entre profissionais/equipes possibilitando a adoção de uma ferramenta comum. 

Importante salientar que esse instrumento não foi projetado para identificar pacientes para um encaminhamento especializado em cuidados paliativos, mas para apoiar melhorias nos cuidados prestados por muitos profissionais de saúde usando os princípios de cuidados paliativos em sua prática clínica. 

O SPICT™ é usado em mais de 30 países.  A ideia é ser um projeto colaborativo, por isso, estimulam a parceria de intuições que adotem a ferramenta. Além da página oficial, contam também com um aplicativo gratuito para smartphones e tablets, em inglês, que inclui informações sobre o SPICT™ e dicas de comunicação eficaz. 

Uso do SPICT no Brasil

No Brasil, já temos a ferramenta traduzida desde 2016 pelo médico Dr. Santiago Corrêa, do Rio Grande do Sul, criador do projeto “Estar ao Seu Lado”, um dos primeiros na inserção dos Cuidados Paliativos na Atenção Primária no país. Ele defende que o uso do SPICT, além de aumentar a identificação de pacientes com necessidade de cuidado paliativo, pode auxiliar no reconhecimento do cenário brasileiro, possibilitando a construção de uma política de saúde de integração do cuidado paliativo em todos os níveis de atenção.  

Como diz Dr. Murray: “A integração é a única maneira de garantir o acesso do cuidado paliativo precoce ​​para a maioria das pessoas. O diálogo aberto e o planejamento devem ocorrer na comunidade, nos lares de cuidados e nas enfermarias do hospital, para que todos que dele necessitem possam se beneficiar. O cuidado paliativo precoce é, portanto, fazer mais pela pessoa, não menos. Na verdade, talvez seja melhor não chamá-lo de cuidados paliativos, mas apenas um bom cuidado e planejamento centrados no paciente, aos quais todos nós devemos aspirar.”

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Referências: 

  • Disponível em: https://www.spict.org.uk/ 
  • Highet, G., Crawford, D., Murray, S. A., & Boyd, K. (2013). Development and evaluation of the Supportive and Palliative Care Indicators Tool (SPICT): a mixed-methods study. BMJ Supportive&PalliativeCare, 4(3), 285–290.

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