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Tafenoquina: um passo para o fim da malária?

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A malária é um grande problema de saúde que atinge milhões de pessoas no mundo. Ela ocorre principalmente em países tropicais e coloca em torno de 3,7 bilhões de pessoas em risco de infecção, segundo a OMS. Entre todas as espécies de Plasmodium, P. falciparum é a responsável por 97% dos casos, embora fora da África o P. vivax seja o responsável por quase 40% dos casos, visto que essa é a espécie mais difundida pelo mundo.

No Brasil, cerca de 99% da transmissão se concentra na região amazônica e o restante na região de mata atlântica. A maior parte dos casos ocorre em áreas rurais, embora haja registro em áreas urbanas e periurbanas. Em 2018, os estados da região extra-amazônica que mais apresentaram casos foram Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná e, atualmente, os casos autóctones de malária respondem por um terço do total de notificados na região. P. vivax é a espécie predominante no Brasil, sendo responsável por 89% dos casos notificados e a transmissão do P. falciparum, espécie mais grave e letal, tem apresentado redução importante nos últimos anos.

P. vivax tem a capacidade de gerar formas latentes nos hepatócitos (chamadas hipnozoítos) e essas são responsáveis pelas recidivas da doença, que ocorrem após períodos variáveis de incubação (geralmente dentro de 6 meses).

Cura da malária

Acredita-se que a maior parte dos casos diagnosticados de malária sejam, na verdade, recaídas e, por isso, a prevenção desse fenômeno teria um grande impacto na transmissão e no controle global da malária.

Em 1950 a primaquina (PQ) foi proposta para a cura radical da malária. Ela é uma 8-aminoquilina sintética que age contra os hipnozoítos de P. vivax e P. ovale (cura radical) e contra o gametócito (bloqueio da transmissão). Sua eficácia está relacionada ao total da dose administrada e não ao tempo de tratamento. Assim, no Brasil, o Ministério da Saúde indica a prescrição em altas doses e com um tempo de tratamento mais curto (sete dias), ao contrário dos 14 dias indicados pela OMS. Entretanto, ainda com essa redução no tempo de tratamento, observamos altas taxas de não adesão, o que aumenta o risco de recidivas da doença.

Após 60 anos sem a aprovação de nenhuma nova droga para o tratamento da malária no Brasil, na primeira semana de novembro a Anvisa aprovou o uso da tafenoquina (TQ), o que reacendeu o debate sobre o tratamento da doença.

Uso da tafenoquina

A tafenoquina é um análogo sintético da primaquina criada em 1970 no programa americano de drogas antimaláricas e ensaios pré-clínicos dos anos 80 já mostravam uma grande atividade tissular, baixa toxicidade, boa biodisponibilidade oral e maior meia vida quando comparada à PQ. Seu mecanismo de ação, assim como o da PQ, permanece desconhecido.

Diversos estudos foram feitos desde então comparando a TQ à PQ para a cura radical. A segunda parte do estudo DETECTIVE mostrou que a eficácia da TQ foi não inferior a PQ e GATHER (estudo de fase 3) comparou tafenoquina + cloroquina com primaquina + cloroquina mostrando que ambos os tratamentos eram igualmente eficazes, incluindo livrar os pacientes de recidiva em 6 meses.

Vários estudos também mostraram que a TQ é eficaz para profilaxia de malária (tanto por P. falciparum quanto P. vivax). Um deles, feito no Gabão (área endêmica de P. vivax), recrutou 426 participantes que foram randomizados em grupos que receberam placebo ou quatro grupos que receberam doses diferentes de TQ por três dias.

A incidência de malária nos participantes foi verificada nos dias 56 e 77 do estudo e nenhum paciente apresentou a doença nos grupos que recebiam a medicação na dosagem de 62,5 à 250 mg no dia 56. O uso da droga para profilaxia é baseado no seu tempo longo de meia vida e na sua ampla atividade contra hipnozoítos e esquizontes.

Veja também: Malária: pontos principais do manejo para o seu plantão

Conclusões

A grande barreira para implementação da medicação é com relação à segurança. Tanto TQ quanto PQ são drogas que podem causar anemia hemolítica em pessoas com deficiência de G6PD. Essa enzimopatia ligada ao cromossomo X tem uma prevalência estimada de 8% em países endêmicos para malária, ou seja, em torno de 400 milhões de pessoas.

Em regimes utilizando PQ, que requerem tomadas diárias durante sete ou 14 dias, existe a possibilidade de suspender a medicação em pessoas que estivessem em uso e não soubessem ter a deficiência de G6PD. Porém a TQ, devido à sua farmacocinética, após a tomada de uma dose não há antídoto e a hemólise continuaria em curso. D

essa forma, para prescrever a medicação com segurança, dosar previamente a atividade da enzima G6PD seria fundamental e esses testes não estão amplamente disponíveis na maior parte das áreas endêmicas para a doença.

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Referências bibliográficas:

  • VAL, F. et al. Tafenoquine for the prophylaxis, treatment and elimination of malaria: eagerness must meet prudence. Future Microbiology, 9 out. 2019.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia prático de tratamento da malária no Brasil / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

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