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Teste da linguinha pode deixar de ser obrigatório

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Não é de hoje que a obrigatoriedade do teste da linguinha em recém-nascidos, usado para diagnosticar a chamada língua presa, tem dividido a opinião de especialistas.

O teste da linguinha se tornou obrigatório em hospitais e maternidades pela lei federal 13002/14, sancionada pela Presidência da República, e publicada no Diário Oficial da União em 23 de junho de 2014, que institui a obrigatoriedade de aplicação do “Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês”.

Este é um procedimento utilizado para a detecção da anquiloglossia, alteração no tecido que se estende da língua até a cavidade inferior da boca. Na técnica são verificadas duas alterações que caracterizam a língua presa: freio em posição incorreta e existência de ligeira fenda ou um formato de coração na ponta da língua ao ser elevada.
Entretanto, recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) solicitou ao Ministério da Saúde a anulação da lei por “não existir quaisquer evidências científicas” que justifiquem a sua manutenção.

A entidade explica em seu site que a avaliação do frênulo lingual já faz parte da rotina do exame físico do recém-nascido e, portanto, realizado pelo pediatra assistente antes da alta hospitalar. E que os ensaios clínicos citados na justificativa dessa lei foram baseados em amostragem muito pequena, de apenas dez recém-nascidos, o que representaria um “traço estatístico”, sem valor científico.

Outro ponto de vista

Do outro lado, profissionais de fonoaudiologia discordam do término da obrigatoriedade do teste da linguinha, por considerarem o exame fundamental nos bebês.

De acordo com a fonoaudióloga Raquel Luzardo, especialista em linguagem e desenvolvimento infantil, diretora da Clínica FONOterapia, que atua há mais de 19 anos em atendimento de crianças, orientação familiar e assessoria escolar, o método avalia as alterações no frênulo.

“Seguimos um protocolo completo, capaz de detectar problemas como a língua presa que pode gerar não só alterações na fala, mas também o esforço demasiado na hora de mamar, gerando desmame precoce e baixo ganho de peso”, explica a profissional, que complementa que “apesar de ser um protocolo completo, é simples e consiste em examinar com os dedos o movimento da língua e a posição do frênulo”.

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Segundo Raquel Luzardo, há outros sinais que os bebês dão quando apresentam o problema. “Há aqueles que mordem o bico do seio da mãe ao mamar, ou não conseguem colocar a língua para fora, ou mesmo quando a colocam, apresenta um formato de coração”, ressalta.

A língua presa limita os movimentos da língua durante a sucção e deglutição, o que pode levar ao desmame precoce. Por fazerem muito esforço para mamar, os bebês com língua presa acabam gastando energia, o que pode levar à dificuldade para ganhar peso, além de aumentar o risco de machucar o mamilo da mãe. Já na introdução da papinha sólida, os bebês com língua presa podem apresentar dificuldade para engolir e até sofrer engasgos.

A fonoaudióloga ainda ressalta que, assim como a maior parte de problemas relacionados à saúde, o diagnóstico precoce evita complicações e facilita o tratamento efetivo.

É importante que os profissionais de saúde e os pais saibam das consequências negativas no desenvolvimento sensório motor oral da criança de zero a dois anos de idade que nasceu com o freio de língua muito curto e não foi corrigido a tempo de evitar tantos transtornos em cada etapa do seu desenvolvimento oral.

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