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médica examinando paciente grávida

Transmissão vertical do HIV: como reduzir esse risco?

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A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) é uma importante questão de saúde pública. Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde, em 2017, foram notificados 16.371 novos casos de infecção pelo HIV, sendo 4.471 em mulheres (aproximadamente 27,4%). A população mais acometida é de pacientes jovens, sexualmente ativos e em idade reprodutiva. A taxa de detecção do vírus em gestantes foi em torno de 2,6 para cada 1000 nascidos vivos.

Lançado no ano passado pelo Ministério da Saúde, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, sífilis e hepatites virais traz uma série de recomendações para o manejo dessas pacientes, do período pré-concepcional ao puerpério.

O documento reforça a necessidade de que seja assegurado às pessoas vivendo com HIV (PVHIV) o direito ao planejamento reprodutivo, com aconselhamento pré-concepcional adequado e avaliação da necessidade de prescrição de profilaxia pré ou pós exposição, quando indicada. Além disso, desencoraja as tentativas de concepção sem orientação e acolhimento da equipe de saúde, visto que aumentam o risco de transmissão vertical (TV) e expõem as parcerias soronegativas para HIV a um risco maior de infecção pelo vírus.

Em relação ao cuidado pré-natal, a testagem universal das gestantes de forma rotineira, idealmente na primeira consulta, possibilita diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, permitindo o início também precoce da terapia antirretroviral (TARV). A sorologia deve ser repetida no terceiro trimestre e na admissão na maternidade, hospital ou casa de parto. Deve-se oferecer a testagem para as parcerias sexuais da gestante infectada e encorajar a revelação voluntária do resultado.

A avaliação da resposta ao tratamento deve ser feita com quantificação da carga viral de maneira sistemática, duas a quatro semanas após o início da TARV e na 34a semana de gestação. Essa última permite a definição da via de parto, necessidade de profilaxia intraparto e idade gestacional para interrupção da gravidez, a fim de minimizar a transmissão periparto, que constitui a principal via de infecção na TV.

A amamentação está contraindicada nas gestantes soropositivas para HIV, assim como o aleitamento cruzado, misto ou uso de leite humano com pasteurização domiciliar. Pode-se inibir a lactação de forma medicamentosa no puerpério. A criança exposta ao HIV, seja ela infectada ou não, tem direito a receber fórmula láctea infantil até completar seis meses de vida, pelo menos.

Dados da Organização Mundial de Saúde estabelecem que o risco de transmissão do vírus para o concepto durante a gestação, parto e puerpério está entre 15 e 45%. No entanto, em gestações planejadas, com intervenções realizadas de maneira adequada, o risco de transmissão vertical do HIV é reduzido para menos de 2%.

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