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Criança com asma é atendida e tratada com azitromicina.

Tratamento com azitromicina pode ser eficaz em crianças hospitalizadas com asma?

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A terapia com azitromicina não foi associada a uma diferença clinicamente relevante no tempo de permanência hospitalar ou nas taxas de readmissão em crianças hospitalizadas com asma, de acordo com o artigo  Azithromycin treatment in children hospitalized with asthma: a retrospective cohort study, publicado no Journal of Asthma.

Azitromicina para asma

Estudos prévios mostraram que a azitromicina possui propriedades anti-inflamatórias nos pulmões e diminui a duração dos episódios semelhantes à asma em crianças. Com base nesses dados, os pesquisadores Douglas e colaboradores procuraram avaliar o tempo de permanência hospitalar e as taxas de readmissão de crianças em tratamento com azitromicina durante a hospitalização por exacerbações agudas de asma.

Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo em um hospital infantil urbano, de atendimento quaternário, no bairro do Bronx, em Nova Iorque, Estados Unidos. Foram incluídos pacientes com menos de 18 anos de idade internados por asma, sem infecção simultânea, no período de 2002 a 2011. O preditor primário foi a terapia com azitromicina administrada dentro de 48 horas após a admissão. O desfecho primário foi o tempo de permanência hospitalar e os desfechos secundários foram as taxas de readmissão hospitalar por asma em 7, 30 e 90 dias.

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Resultados

  • A terapia com azitromicina foi administrada em 174 (3%) dos 5.335 pacientes admitidos por asma, sem infecção simultânea, durante o período de 10 anos;
  • A média geral de tempo de permanência foi de 2,3 dias (intervalo interquartílico 1,8 – 3,1);
  • 480 pacientes (9%) foram readmitidos por asma nos 90 dias seguintes à alta;
  • A terapia com azitromicina foi associada a uma permanência hospitalar 20% mais longa (11 horas) [coeficiente beta ajustado para tempo de permanência hospitalar transformado em log, 0,18; intervalo de confiança de 95% (IC 95%): 0,11 – 0,26], menor que a diferença de 29% (16 horas) determinada a priori como clinicamente relevante;
  • A terapia com azitromicina não foi associada à readmissão em 90 dias por asma (odds ratio ajustada de 0,89; IC95%: 0,46 – 1,72). O número limitado de readmissões de 7 e 30 dias no grupo tratado com azitromicina impediu a análise ajustada.

Os pesquisadores descreveram que o estudo apresentou algumas limitações:

  1. Foi realizado em um único centro e o bairro do Bronx, em Nova York, possui uma das maiores taxas de asma dos Estados Unidos. Portanto, os resultados deste estudo podem não ser generalizáveis para outras populações com diferentes perfis de raça, etnia, prevalência de asma e exposição ambiental;
  2. Devido à natureza retrospectiva e desindentificada do estudo, os pesquisadores não conseguiram detectar a indicação da terapia com azitromicina para cada paciente;
  3. Os pesquisadores utilizaram dados de faturamento da Classificação Internacional de Doenças nona edição (CID-9) para identificar os pacientes. Embora esse método tenha sido validado pela revisão de prontuários abertos em estudos anteriores, foram utilizados registros não identificados, o que impediu uma revisão interna de prontuários;
  4. Não foram excluídas outras populações de pacientes que poderiam se sobrepor à população de asma e se beneficiariam da terapia com azitromicina, incluindo pacientes com fibrose cística, vírus da imunodeficiência humana (HIV) e doenças sexualmente transmissíveis (DST). O centro estudado não é um centro de fibrose cística, e o mais próximo fica a aproximadamente 8 km de distância; portanto, poucos pacientes são admitidos nesse centro de estudo. O centro também possui baixas taxas de internação por HIV e DST;
  5. A exposição à terapia com azitromicina foi limitada ao tratamento nas primeiras 48 horas de admissão; portanto, os pacientes que receberam o medicamento após 48 horas foram classificados como não receptores. Essa classificação incorreta tenderia a enviesar os resultados em direção ao nulo, fortalecendo os resultados sem diferença clínica encontrada entre os grupos.

Mais da autora: Pacientes pediátricos com asma tem maior risco de infecção pneumocócica

Conclusão

Douglas e colaboradores concluíram que a terapia com azitromicina não estava associada a uma diferença clinicamente relevante no tempo de permanência hospitalar ou a uma diferença estatisticamente significativa nas taxas de readmissão em crianças hospitalizadas com asma. Entretanto, são necessários mais estudos, incluindo ensaios clínicos randomizados prospectivos, para determinar se a terapia com macrolídeos afeta os resultados clínicos de exacerbações agudas de asma em crianças.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Douglas LC, Choi J, Esteban-Cruciani N. Azithromycin treatment in children hospitalized with asthma: a retrospective cohort study, Journal of Asthma. 2020;57(5):525-531, DOI: 10.1080/02770903.2019.1590590

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