Página Principal > Enfermagem > Tuberculose: abordagem do enfermeiro no cuidado ao paciente
enfermagem

Tuberculose: abordagem do enfermeiro no cuidado ao paciente

Tempo de leitura: 4 minutos.

A tuberculose (TB), é uma doença infecciosa que afeta principalmente o parênquima pulmonar, e geralmente é causada pela Mycobacterium tuberculosis.

O conteúdo abaixo faz parte do Nursebook. Clique aqui para ter acesso a medicamentos, calculadoras, procedimentos de enfermagem e muito mais!

Anamnese:

O enfermeiro deve coletar o histórico pessoal e familiar do indivíduo, tendo como foco os sinais e sintomas da doença e os hábitos do paciente.

  • Doença pulmonar: As manifestações clássicas são tosse persistente (> 15 dias), febre vespertina, sudorese noturna e perda ponderal. A forma primária é mais comum em crianças, sendo frequentemente insidiosa.

A reativação pode ocorrer em qualquer idade, mas a incidência é maior em adolescentes e adultos jovens.

Os clientes idosos podem apresentar manifestações atípicas, como comportamento incomum ou transtorno do estado mental, febre, anorexia e perda de peso. Em geral, os clientes idosos exibem sintomas menos pronunciados do que os clientes mais jovens.

Os fatores de risco mais comuns são:

  • Contato íntimo com alguém que apresenta TB ativa;
  • Estado imunocomprometido (p. ex., indivíduos idosos, câncer, terapia com corticosteroides e HIV);
  • Uso de drogas injetáveis e alcoolismo;
  • Cuidado de saúde inadequado (p. ex., moradores de rua ou extremamente pobres, minorias, crianças e adultos jovens);
  • Condições clínicas preexistentes, incluindo diabetes mellitus, insuficiência renal crônica, silicose e desnutrição;
  • Imigração de países com alta prevalência de TB (p. ex., Haiti, Sudeste Asiático);
  • Institucionalização (p. ex., instituições de cuidados prolongados, prisões);
  • Condições de vida (i. e., em residência abaixo dos padrões e em condições aglomeradas);
  • Ocupação (p. ex., profissionais de saúde, particularmente os que realizam atividades de alto risco).

Exame Físico:

Na doença pulmonar, o exame físico é, muitas vezes, inexpressivo. À ausculta pode haver redução do murmúrio vesicular com redução do frêmito toracovocal quando há derrame pleural e/ou pectoriloquia quando há consolidação parenquimatosa pulmonar.

Exames complementares devem ser solicitados:

  • Teste cutâneo para TB (teste de Mantoux); teste QuantiFERON-TB Gold (QFT- G), teste QuantiFERON-TB Gold in-tube (QFT-GIT), teste para TB T-SPOT (T-Spot) e teste Xpert MTB/RIF;
  • Radiografia de tórax;
  • Esfregaço de escarro para bacilo álcool-acidorresistente (BAAR), seguido de cultura se o esfregaço for positivo;
  • Outras avaliações, incluindo história completa e exame físico e suscetibilidade a medicamentos, se os resultados forem positivos.

Terapia Farmacológica:

As diretrizes recomendadas de tratamento para casos recém-diagnosticados de TB pulmonar têm duas fases: uma fase de tratamento inicial (medicamentos administrados diariamente durante 8 semanas) e uma fase de continuação (um período adicional de 4 a 7 meses).

  • O tratamento da fase inicial consiste em um esquema diário de múltiplos medicamentos com agentes de primeira linha e vitamina B6. A fase de continuação do tratamento inclui isoniazida (INH) e rifampicina ou INH e rifapentina
  • Os medicamentos de primeira linha incluem INH, rifampicina, pirazinamida (PZA) e etambutol, diariamente, durante 8 semanas e com continuação por um período de 4 a 7 meses. Dispõe-se de combinações como INH e rifampicina, ou INH, PZA e rifampicina, e medicamentos administrados 2 vezes/semana (p. ex., rifapentina) para ajudar a melhorar a adesão do cliente ao tratamento; entretanto, essas combinações têm custo elevado
  • Os medicamentos de segunda linha incluem capreomicina, etionamida e ciclosserina
  • A INH também é usada como medida profilática para indivíduos que correm risco de TB.

Diagnósticos de Enfermagem:

  1. Nutrição Desequilibrada: menor do que as necessidades corporais;
  2. Déficit de conhecimento;
  3. Conhecimento deficiente sobre o regime terapêutico;
  4. Dor aguda;
  5. Ansiedade;
  6. Intolerância a atividade a ser realizada pelo paciente;
  7. Padrão respiratório comprometido;
  8. Troca de gases prejudicada;
  9. Hipertermia;
  10. Mobilidade física prejudicada (dor);
  11. Fadiga;
  12. Controle de medicamentos;
  13. Risco de Infecção.

Intervenções de Enfermagem:

  • Monitoração nutricional;
  • Controle nutricional;
  • Ensino: dieta prescrita;
  • Melhora da Educação em Saúde;
  • Ensino: indivíduo;
  • Ensino: processo da doença;
  • Educação em saúde;
  • Controle da dor;
  • Administração de medicamentos;
  • Redução da Ansiedade;
  • Apoio Emocional;
  • Toque terapêutico;
  • Monitorização dos sinais vitais;
  • Oxigenoterapia;
  • Assistência Ventilatória;
  • Cuidados com o repouso no leito;
  • Controle de medicamentos;
  • Tratamento da febre;
  • Controle do ambiente;

Resultados Esperados:

  1. Conhecimento: comportamento da saúde;
  2. Promoção da saúde;
  3. Cuidados na doença;
  4. Melhora do padrão respiratório
  5. Controle da dor;
  6. Nível de desconforto;
  7. Tolerância a atividade;
  8. Nível de Fadiga;
  9. Conservação de energia;
  10. Repouso;
  11. Resposta à ventilação mecânica;
  12. Estado respiratório: permeabilidade das vias aéreas;
  13. Controle de riscos comunitários: doenças contagiosas.

Monitoramento da resposta ao tratamento:

  • BAAR de escarro mensal: se BAAR positivo no final do segundo mês de tratamento ou se voltar a positivar após negativação, solicitar cultura para teste de sensibilidade.
  • Avaliação clínico-laboratorial mensal, focando evolução da doença e possíveis efeitos colaterais.

Autora:

Referências:

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: Recurso eletrônico. 1ª edição atual. Brasília, 2016.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de recomendações para controle da tuberculose no Brasil. Brasília, 2011.
  • Brunner & Suddarth, Manual de enfermagem médico-cirúrgica / revisão técnica Sonia Regina de Souza; tradução Patricia Lydie Voeux. – 13. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  • TANNURE, M. C.; GONÇALVES, A. M. P.. Sistematização da Assistência de Enfermagem: guia prático. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.
  • CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 358/2009. Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem [Internet].
  • DUNCAN BB, SCHMIDT MI, GIULIANI ERJ. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
  • RIO DE JANEIRO. Secretaria Municipal de Saúde. Tuberculose. 1ª ed. Rio de Janeiro: SMS, 2016.
  • JOHNSON, M.; BULECHEK, G.; BUTCHER H.; DOCHTERMAN, J.M., MAAS M. Ligações entre: NANDA, NOC e NIC: Diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem. 3. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.