Urologia

Tuberculose geniturinária: o que precisamos saber

Tempo de leitura: 4 min.

A tuberculose geniturinária é uma doença silenciosa que atinge até 15% da população brasileira. A infecção acontece através da corrente sanguínea e pode atingir os gânglios, a pleura, o rim, as meninges e o intestino.

“A tuberculose ainda é bastante prevalente no país, com a maioria dos casos começando pela infecção no pulmão. Porém, o retardo no diagnóstico e o abandono do tratamento pelo paciente antes da cura total são as principais causas para a disseminação dessa infecção pelo organismo através da corrente sanguínea, atingindo não somente o aparelho urinário, mas também outros órgãos”, disse o presidente da SBU, o médico urologista Alfredo Canalini.

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Panorama clínico

Quando aparecem, os sintomas são febre, tosse persistente, perda de peso, infecção urinária, sentir dor ao urinar, dor na região lombar e sangue na urina.  A enfermidade pode provocar dois tipos de tuberculose: ósseo e urinária, alerta a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). 

A doença é influenciada por aspectos ambientais e condições socioeconômicas adversas, atingindo mais o sexo masculino, além de pessoas em situações vulneráveis como profissionais de saúde, moradores de rua e indivíduos privados de liberdade. 

Diabetes, tabagismo e enfermidades que diminuem a imunidade podem facilitar a infecção pelo bacilo de Koch, porém especialistas ressaltam que mesmo uma queda de imunidade esporádica por conta de muito trabalho e estresse pode contribuir para aumentar o risco da infecção. 

“Quando não tratada, a enfermidade pode evoluir e destruir o ureter, a bexiga e, no caso do homem, pode provocar um abscesso nos testículos. Nas mulheres, além do aparelho urinário, a tuberculose geniturinária pode afetar trompas, endométrio e ovários, causar infertilidade, doença inflamatória pélvica, amenorreia ou aumento do fluxo menstrual”, explicou o urologista José Alexandre Araújo, chefe do departamento de Uro-gineco da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional Rio de Janeiro e coordenador de urologia do Hospital de Câncer Mário Kroeff, em entrevista ao Portal PEBMED.  

Diagnóstico, tratamento e prevenção

Para o diagnóstico específico da tuberculose geniturinária, o especialista indica a pesquisa da tuberculose com a realização de três coletas de urinas consecutivas, em dias consecutivos. “Ou ainda pedir uma pesquisa de PCR na urina, que é muito mais rápida e em uma semana temos o resultado”, acrescentou Araújo. 

O tratamento basicamente é igual ao pulmonar, de seis a nove meses, devendo ser realizado até o final, mesmo que os sintomas tenham desaparecido. O médico precisa esclarecer o paciente de que o fim dos sintomas não significa, necessariamente, que a doença esteja totalmente debelada. 

“Se for o caso de tuberculose no rim, o paciente pode perder a função daquele rim. Se a doença atingir o ureter, ele pode perder a função daquele ureter, ter estenose uretral e comprometer o rim. Se for na bexiga, pode desenvolver uma atrofia importante em toda a parede vesical e ter uma disfunção urinar muito grande. No caso da próstata, o paciente pode ter prostatite crônica, mesmo que depois com um critério de cura e ficar tendo dor pélvica crônica por causa disso”, esclareceu Araújo. 

A medicação está disponível gratuitamente nos serviços públicos de saúde do país e o paciente deve ser acompanhado de perto por um urologista e infectologista, uma vez que pode ficar com algumas sequelas urinárias. 

A prevenção da tuberculose pode ser realizada através da vacina BCG nos recém-nascidos. 

Subnotificação dos casos 

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 66.819 casos novos de tuberculose em 2020, uma incidência de 31,6 casos por 100 mil habitantes. Estima-se que a enfermidade tem incidência entre 7,1% e 15% dos casos de tuberculose pulmonar, mas muitos nem chegam a ser notificados. 

No Amazonas, em 2021, por exemplo, houve o registro de 3.200 novos casos de tuberculose pulmonar. Sendo assim, os especialistas esperavam o registro de 100 a 300 casos de tuberculose geniturinária, porém não houve o registro de nenhum caso nos últimos dois anos. 

“No entanto, o estado está entre as cidades com o maior número de casos absolutos, configurando entre os cinco estados com maior incidência de casos proporcionais”, revelou o urologista Flávio Antunes, entrevistado pelo site Amazonas Atual. 

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Publicado por
Úrsula Neves

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