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Tuberculose no Brasil: panorama atual

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A tuberculose é uma doença infectocontagiosa de grande prevalência no Brasil. Boletins divulgados recentemente mostram o panorama atual da doença no país, tanto em relação ao número geral de casos quanto a casos de multirresistência.

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa de grande prevalência no Brasil. Boletins divulgados recentemente mostram o panorama atual da doença no país

Panorama global

Segundo dados do Datasus, em 2021, o Brasil registrou 67.292 casos novos de TB com um coeficiente de incidência de 35,28 casos por 100.000 habitantes, o que representa uma diminuição em relação aos anos de 2019 – em que o coeficiente de incidência foi de 40,26 casos novos por 100.000 habitantes – e 2020 – em que o coeficiente de incidência foi de 35,64 por 100.000 habitantes.

Em 2021, os estados com maiores taxas de incidência foram Amazonas (87,6 por 100.000 habitantes), Rio de Janeiro (70,49), Roraima (65,49) e Acre (60,12). Os estados com menor incidência foram Distrito Federal (11,52), Goiás (13,72) e Minas Gerais (15,1).

Comparado com os números de 2020, todas as regiões apresentaram em 2021 redução na taxa de incidência de tuberculose, exceto a região Sudeste, com reduções mais significativas na Região Centro-Oeste e Sul. O sexo masculino continuou sendo o predominante, correspondendo a 69% dos casos novos. Da mesma forma, a maior parte dos casos incidentes (62%) ocorreu em pretos ou pardos.

O coeficiente de mortalidade no país foi de 1,37 óbitos por 100.000 habitantes, com 11 estados apresentando coeficientes mais elevados do que esse: Acre, Amazonas, Roraima, Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Comparado com anos anteriores, houve tendência de queda.

O Brasil encontra-se entre os 30 países de alta carga para coinfecção de TB e HIV considerados prioritários pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os estados com maiores proporções de coinfecção por TB-HIV foram Amazonas, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco. Dentro os casos novos de coinfecção, em 2021, apenas 47,01% realizaram terapia antirretroviral durante o tratamento de TB.

Tuberculose drogarresistente

Entre 2019 e 2021, foram notificados 3.848 casos de tuberculose drogarresistente (TBDR) no país. Com a pandemia de covid-19, observou-se, em comparação a 2019, queda no diagnóstico e tratamento de casos de TB resistente. O Rio de Janeiro foi o estado com maior proporção de casos (23,4%), seguido de São Paulo (16,8%), Rio Grande do Sul (9,5%). Para as capitais, as com maiores proporções foram Rio de Janeiro (14,8%), São Paulo (7,0%) e Manaus (6,0%).

Observa-se uma concentração de casos entre homens de 30 a 49 anos, entre os que se autodeclaram pardos e entre os com 4 a 7 anos de estudo. A maioria dos casos notificados no período foi de formas pulmonares (95,7%), formas mistas (2,6%) e extrapulmonares (1,7%). Casos de falência de tratamento foram minoria (7,5%), sendo a maior proporção de casos novos de TBDR (74,8%) e de reingresso após abandono (13,1%).

Em relação ao padrão de resistência, 66,1% dos casos notificados em 2019 apresentaram resistência a rifampicina ou multirresistência, 25,8% eram monorresistentes a outra droga que não rifampicina, 7,5% eram polirresistentes e 0,7%, extensivamente resistentes. A maioria dos casos (52,4%) foi encerrado como sucesso terapêutico (tratamento completo + cura). Os estados de Goiás e Rondônia apresentaram as maiores proporções de abandono e os com maiores proporções de sucesso terapêutico foram Amapá, Acre e Mato Grosso do Sul.

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Quais as metas para o futuro?

Em 2017, o Brasil estipulou o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose, documento norteador das estratégias de enfrentamento da doença no país. Entre suas metas, encontram-se a redução de 90% do coeficiente de incidência da TB e a redução de 95% no número de mortes pela doença até 2035, em comparação com os dados de 2015. Isso representa reduzir o coeficiente de incidência para menos de 10 casos por 100.000 habitantes e limitar o número de óbitos pela doença a menos de 230 ao ano, até 2035.

Diante dos números atuais, percebe-se que ainda há um caminho grande a ser enfrentado para que essas metas sejam alcançadas. Investimento no fortalecimento da rede de cuidados, com melhorias na capacidade de diagnóstico, tratamento de casos ativos e latentes e de implementação de estratégias voltadas para adesão. Além disso, não se deve esquecer que a tuberculose é uma doença em que fatores socioeconômicos e outros determinantes sociais apresentam um importante papel em sua transmissão e manutenção e que políticas públicas que abordem essas questões são essenciais para o controle da doença.

Mensagens práticas

  • A tuberculose representa uma grande carga de doença para o país, mantendo, mesmo em grandes centros, elevada taxa de incidência e de mortalidade.
  • A proporção de casos de coinfecção TB-HIV também é relevante. Vale lembrar que TB é uma das principais causas de morte relacionadas ao HIV no Brasil e que, diante do diagnóstico de TB, devem ser solicitados exames diagnósticos de HIV.
  • Casos com resistência a pelo menos uma droga também são relativamente frequentes, principalmente em grandes centros. Esse fato ressalta a importância de comprovação microbiológica dos casos de TB sempre que possível e da solicitação de teste rápido molecular e cultura para micobactérias quando disponível.
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# Fiocruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Boletim epidemiológico traça panorama da tuberculose drogarresistente no Brasil durante a pandemia. Disponível em: http://informe.ensp.fiocruz.br/noticias/52866 
Referências bibliográficas:

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