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Tuberculose Resistente: Definição e Ações de combate.

Tempo de leitura: 3 minutos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2017, no Brasil foram detectados 91.000 casos de Tuberculose (TB). Desse número, cerca de 2400 casos apresentaram algum tipo de resistência aos antibióticos propostos. Entretanto, apenas 964 indivíduos foram notificados e iniciaram o tratamento, um número muito baixo em relação a gravidade desta condição de saúde. 

Evolução da Tuberculose (TB) para TB Resistente

A Tuberculose (TB) é uma doença infecciosa transmissível causada pelo bacilo Mycobacterium Tuberculosis. A transmissão ocorre pelo contato com as gotículas respiratórias contaminadas provenientes de indivíduos infectados e com a doença ativa. Manifesta-se geralmente nos pulmões, porém, pode afetar diversas partes do organismo (ossos, meninges, pele, etc). A bactéria que causa a TB pode evoluir para formas resistentes aos antibióticos, que variam desde uma monorresistência (apenas um antibiótico), a uma multirresistência (TB-MDR) e até mesmo uma Resistência Extensiva (TB XDR), tornando-se uma doença com cada vez menos possibilidade de tratamento e altas chances de transmissão. 

Os fatores que influenciam para o surgimento de agentes etiológicos resistentes são: falta de adesão ao tratamento; absorção intestinal deficiente aos medicamentos, fármacos de má qualidade, esquema de tratamento elegido de forma incorreta, a vulnerabilidade social, imunodeficiência e a própria contaminação com bactérias já resistentes. 

Ações para controle de TB e TB Resistente

Dentre as novas ações e estratégias de controle e combate da TB e a TB resistente, podemos destacar algumas ações prioritárias recomendadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde do Brasil como: 

  • Prevenir o desenvolvimento de resistência aos antibióticos através de escolha adequada dos fármacos utilizados baseada em testes de sensibilidade;
  • Adoção de testes de detecção rápida à resistência medicamentosa e aos novos casos;
  • Garantir acesso imediato ao atendimento incluindo o fornecimento das medicações;
  • Implementar medidas de controle de transmissão de TB direcionadas ao paciente, aos familiares e comunidade;
  • Abordagem centrada na pessoa com equipe multiprofissional: médico, enfermeiro, nutricionista, fisioterapia, assistente social, terapia ocupacional e psicólogo;
  • Incluir a abordagem dos Cuidados Paliativos com intuito de melhorar a adesão medicamentosa, controlar sintomas e necessidades multidimensionais (físico, psicossocial e espiritual) dos pacientes e seus familiares; 
  • Enfrentamento dos determinantes sociais e aplicação de proteção social como medida de apoio aos pacientes e as comunidades;
  • Buscar a intersetorialidade e priorização das ações de combate a TB, principalmente em populações vulneráveis (situações de extrema pobreza, pessoas em situação de rua, população indígena…);
  • Políticas governamentais que estimulem à pesquisa e o surgimento de novas tecnologias;
  • Promover apoio da sociedade civil;
  • Políticas de apoio a educação continuada de profissionais de saúde;
  • Integração de todos os níveis de atenção a saúde, com comunicação efetiva entre os profissionais de saúde e discussão dos casos;
  • Monitoração mensal do paciente incluindo exames laboratoriais (cultura de escarro e baciloscopia) e avaliação clínica;
  • Monitoração trimestral: para avaliação de resistência aos antibióticos com testes de sensibilidade. 

Saiba maisTuberculose: novas recomendações para tuberculose resistente 

Vale salientar a estratégia de tratamento denominada DOTS (Directly Observed Treatment Short-Course), uma das ações de combate a TB mais eficaz na vigilância destes pacientes, redução de transmissão e adesão medicamentosa. Basicamente, é acompanhamento de profissionais de saúde na administração das drogas e monitoração das necessidades que pode ser efetivada na unidade de referência da Atenção Primária a Saúde (APS) ou na residência do paciente.

Enfrentamento da doença no Brasil e no Mundo

O Brasil vem buscando novas estratégias para enfrentamento da TB a nível nacional, baseado nas mais novas evidências científicas, tecnológicas e em discussões realizadas em conjunto com vários países, já que, os índices de TB e TB resistente vêm crescendo em todo o mundo e ainda possui altas taxas de mortalidade em países pobres. Desta maneira, o Ministério da Saúde lançou no começo deste ano a segunda edição do Manual de Recomendações para Controle de Tuberculose no Brasil que atualiza as formas de tratamento e combate. 

A meta para o enfrentamento da TB em todo mundo é extremamente corajosa e foi aprovada pelos países membros das Nações Unidas. O “End TB Strategy” são medidas globais que visam ter um mundo livre da TB até 2035, a esperança é que haja um movimento tanto da sociedade civil como dos profissionais inseridos nos sistemas de saúde e que a TB seja eliminada do rol de doenças que afligem a humanidade. 

Agradecimento: à Enfermeira Mestre Kelly Cristina Lino dos Santos que generosamente revisou o texto e atua com Ações de Controle da Tuberculose. 

Autora: 

Referências:

  • Ministério da Saúde (BR). Manual de Recomendações para Controle de Tuberculose no Brasil. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. [Internet]; 2019; [citado em julho de 2019].
  • World Health Organization. Multidrug-Resistant Tuberculosis (MDR-TB). Infográfico. [Internet]; 2018; [citado em julho de 2019].
  • Connor SR. Palliative Care for Tuberculosis. J Pain Symptom Manage. [Internet]; 2018; [citado em julho de 2019]:  Feb;55(2S):S178-S180.
  • World Health Organization (Genebra). Implementing The End TB Strategy: The Essentials. WHO. [Internet]; 2015; [citado em julho de 2019].
  • World Health Organization (Genebra). WHO Global TB -Brazil (Infográfico). [Internet]; 2018; [citado em 2019]

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