UFRJ promove debate sobre a varíola dos macacos [Monkeypox]

Um debate acerca da varíola dos macacos ocorreu de forma híbrida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Coautoria:
Isabelle Gaspar | Enfermeira – Residência em Saúde da Mulher (HESFA/UFRJ), Mestrado em Enfermagem (EEAN/UFRJ) e Especialização em Gênero e Sexualidade (CLAM/IMS/UERJ).

 

No dia 28/07, as conteudistas do Nursebook, Isabelle Gaspar e Mariana Marins, participaram como ouvintes do evento Fala, Minerva! Um Debate acerca da varíola dos macacos (Monkeypox) que ocorreu de forma híbrida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

varíola dos macacos

O debate

O evento iniciou com a abertura e lançamento do selo “Fala Minerva!” e com a fala da Magnífica Reitora Profª. Dra Denise Pires de Carvalho.

Logo em seguida, a primeira palestrante Profa. Dra. Clarissa Damaso, virologista, Chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Vírus (UFRJ), Assessora do Comitê da OMS para Pesquisa com o Vírus da Varíola, trouxe uma fala elucidando que é o vírus em questão.

O vírus do monkeypox pertence ao gênero Orthopoxvirus e possui alta singularidade genética. Por isso, uma vacina que protege contra um vírus do mesmo gênero garante uma proteção cruzada contra o monkeypox. No caso da vacina contra a varíola de humanos, a semelhança é de mais de 80%, nesse contexto, é curioso observar que 85% da população contaminada pelo monkeypox atualmente é < 40 anos, provavelmente por não terem sido vacinadas contra a varíola humana.

A varíola humana, no entanto, foi erradicada em 1980 e, desde então, não há utilização de vacina contra ela. Entretanto, após esse acontecimento surgiram alguns vírus, é o caso do vírus Vaccinia e do monkeypox. Vale dizer que a letalidade da varíola humana era de aproximadamente 30% e a de monkeypox no máximo 10%. Cabe destacar, que a cepa que espalhou-se recentemente pelo mundo tem apenas 1% de letalidade e o seu reservatório é o roedor Silvestre da África.

Apesar de estar identificada a origem do vírus, não se sabe quem seria o caso índice do surto atual, que iniciou-se na Inglaterra e em Portugal em abril de 2022. Vale pontuar que a primeira contaminação humana fora da África foi em 2003 nos EUA, em uma criança e depois disso, mais 50 pessoas foram acometidas.

Atualmente, existem 978 casos confirmados no Brasil, dos quais 117 estão no Rio de Janeiro. Os quadros atuais são majoritariamente do sexo masculino e a média de idade é em torno de 38 anos. Embora, hoje a proporção de incidência seja maior em homens que fazem sexo com outros homens, existem casos confirmados em mulheres e crianças. Nesse sentido, é importante reforçar que não seja marginalizada a doença e sim que seja tratada como uma doença que é suscetível à população geral, a fim de prevenir a sua disseminação.

Posteriormente, o Prof. Dr. Rafael Galliez, médico infectologista, Professor de Doenças Infecto e Parasitárias da Faculdade de Medicina (UFRJ) discorreu sobre os sinais e sintomas, bem como a classificação do caso suspeito e a forma de transmissão.

Segundo o relato, considera-se suspeito o indivíduo e qualquer idade com quadro agudo de qualquer erupção cutânea, única ou múltiplas em qualquer local do corpo, com ou sem linfadenopatia / febre E que tenha viajado para local endêmico ou contato com quem viajou, ou contato com casos confirmados nos últimos 21 dias antes da viagem, OU contato próximo com viajantes de países endêmicos OU com casos confirmados nos últimos 21 dias, OU contato íntimo com desconhecido 21 dias antes dos sinais e sintomas.

O professor reforçou a atenção de que atualmente, os casos confirmados têm demonstrado lesões únicas em região genital, mucosa oral, parecido com catapora ou muita dor no ânus, ausência de sintomas importantes como mal-estar e febre, diferente do que se via antes.

A seguir, o Prof. Dr. Amilcar Tanuri, médico, Coordenador do Laboratório de Virologia Molecular (UFRJ), Consultor na área de Laboratório, do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro, comentou sobre o diagnóstico da doença. Segundo ele, pode ser realizada a coleta nas lesões, devido a existência do vírus dentro da lesão, ou com swab seco ou orofaríngeo, embora a presença do vírus nesse local possa ser transitória e a coleta de sorologia também tem pouca evidência.

Nesse contexto, os casos confirmados são os que apresentam suspeita clínica e PCR ou sequenciamento positivo. Caso os resultados sejam negativos, são considerados descartados. Também é importante apontar que existem casos que não é possível realizar o teste, no entanto, quando há o quadro de suspeita, considera-se caso provável.

Ademais, a transmissão da doença ocorre por contato com lesões, fluidos corporais, fômites e gotículas (não ficam em suspensão no ar) e pode durar até o desaparecimento das lesões, podendo chegar em torno de 40 dias. Cabe destacar que a relação sexual, seja oral, genital ou anal é contato íntimo, mas não é a única e exclusiva forma de contato para transmissão. E, destaca-se, inclusive, que no contato sexual a transmissão ocorre mesmo com uso de preservativo interno ou externo.

Monkeypox: coleta, armazenamento e transporte do material biológico

Dr. Amílcar explicou que o objetivo principal deve ser erradicar a doença Monkeypox e para isso, as seguintes propostas estão sendo elaboradas:

  • Desenvolver um teste de antígeno;
  • Tratar os casos graves com droga eficaz já existente;
  • Vacina de bloqueio para contactantes.

Durante o debate, os professores reforçaram que é importante informar que não há recomendação de vacina em massa, mas sim em bloqueio, como orientação da OMS de insumo estratégico:

  • Profissionais de saúde em linha de frente
  • Profissionais de laboratório;
  • Contactantes de casos.

Concluindo o evento, a Profa. Terezinha Castiñeiras, médica, Diretora do Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier) falou em como a UFRJ está preparada para atender a Monkeypox e após isso foi aberto o debate com perguntas da plateia presencial e online.

Autora:

Isabelle Gaspar. Enfermeira – Residência em Saúde da Mulher (HESFA/UFRJ), Mestrado em Enfermagem (EEAN/UFRJ) e Especialização em Gênero e Sexualidade (CLAM/IMS/UERJ).

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