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Uso de antidepressivos e o risco de abstinência.

Tempo de leitura: 4 minutos.

Uma análise do jornal americano The New York Times mostrou que o uso a longo prazo de antidepressivos está aumentando nos Estados Unidos. Aproximadamente 15,5 milhões de americanos estão tomando os medicamentos há pelo menos cinco anos, que é o dobro do que acontecia em 2010 e o triplo desde 2000. Uma média de 25 milhões de adultos usam antidepressivos há pelo menos dois anos, um aumento de 60% desde 2010.

O uso dessas drogas são um marco no tratamento psiquiátrico e ajudaram milhões de pessoas a aliviar a depressão e a ansiedade, sendo que a maioria para de tomar os medicamentos sem problemas significativos. Entretanto, o problema é que o uso prolongado tem trazido sintomas de abstinência para quem tenta parar. Alguns cientistas chamam isso de “Síndrome de Descontinuação”.

Outra grande questão é que os pacientes não foram alertados desse possível efeito colateral – os rótulos das drogas, nos quais os médicos e muitos pacientes confiam, fornecem muito pouca orientação sobre esses sintomas. Inclusive, esse nunca foi um foco de fabricantes de medicamentos ou reguladores do governo, que acreditavam que os antidepressivos não podiam ser viciantes e faziam muito mais bem do que mal. E até hoje existem poucos estudos sobre o efeito deles a longos prazo: não existe nenhuma diretriz respaldada cientificamente e nenhuma forma de se estabelecer um grupo de risco a esses efeitos.

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O uso prolongado de antidepressivos tem sido um grande problema em todo mundo, principalmente em países mais ricos.  Na Grã-Bretanha, as prescrição para esses medicamentos duplicaram nos últimos dez anos. Autoridades começaram agora em 2018 uma grande revisão sobre os antidepressivos e seus efeitos. Já na Nova Zelândia, onde a prescrição deles é muito alta, três quartos dos entrevistados em uma pesquisa com usuários de antidepressivos a longo prazo relatou que a abstinência é o maior problema.

No início, os antidepressivos faziam parte de um tratamento de curto prazo: de seis a nove meses, o suficiente para tratar crises esporádicas. Em seguida, estudos sugeriram que a “terapia de manutenção” – uso a longo prazo com o término em aberto – poderia prevenir o retorno da depressão em alguns pacientes. Esses estudos não duravam mais que dois anos, mas a falta de dados dos efeitos a longo prazo não foi impedimento para que os médicos prescrevessem antidepressivos para milhões de americanos indefinidamente.

O Times pegou dados da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição desde 1999 e analisou que, no total, mais de 34 milhões de adultos tomavam antidepressivos em 2013/2014, em comparação com os mais de 13 milhões na pesquisa de 1999/2000.

Os mais propensos a tomar essa medicação são adultos com mais de 45 anos, mulheres e brancos. Mas o uso está aumentando em adultos mais velhos também. As mulheres brancas com mais de 45 anos – que são aproximadamente um quinto da população adulta norte-americana – correspondem a 41% dos usuários de antidepressivos, em comparação os 30% em 2000, segundo a análise.

Mesmo com tudo isso, os médicos afirmam que existe um determinado grupo de pessoas que se beneficia do uso continuo de antidepressivos, mas não há concordância sobre quem seria esse grupo e qual o seu tamanho exato. O que se sabe é que, como qualquer outro medicamento, o uso de antidepressivos vem com um preço: podem causar entorpecimento emocional, problemas sexuais (falta de libido ou disfunção erétil) e ganho de peso.

Em uma pesquisa recente com 250 usuários de longo prazo de drogas psiquiátricas – mais comumente antidepressivos – quase metade dos que encerraram suas prescrições classificaram a retirada como grave. Em outro estudo com 180 usuários de antidepressivos de longa data, ao menos 130 reclamaram de sintomas de abstinência e metade deles afirmaram estar viciados nos antidepressivos.

Os poucos estudos de abstinência sugerem que antidepressivos com uma meia-vida curta, como Effexor e Paxil, parecem causar mais sintomas de abstinência mais rapidamente do as que ficam no corpo por mais tempo, como o Prozac.

Na Universidade McMaster, na Nova Zelândia, acabou de ser concluído o primeiro teste rigoroso e de longo prazo sobre a abstinência. A equipe recrutou mais de 250 pessoas em três cidades do país que tomavam Prozac por um longo período (dois terços do grupo estavam em uso há mais de dois anos e um terço há mais de cinco anos) e estavam interessadas em diminuir a dose.

Metade dos participantes reduziu bastante a dose, tomando uma cápsula por dia que, durante um período de um mês ou mais, continha quantidades progressivamente menores do fármaco ativo. A outra metade acreditava que estavam diminuindo a medicação, mas recebiam cápsulas com sua dosagem regular. Eles acompanharam os dois grupos por um ano e meio e os resultados ainda estão sendo estudados.

Mas eles já conseguem afirmar que algumas pessoas tinham sintomas tão graves que não suportavam parar de tomar o remédio, mesmo no caso de uma redução lenta de uma droga com uma meia-vida relativamente longa. Essas pessoas que não conseguiram parar  estão recorrendo ao microtapering: um método que faz reduções pequenas por um longo período de tempo, nove meses, um ano, dois anos – o que for preciso.

Referência:

https://www. nytimes.com/2018/04/07/health/antidepressants-withdrawal-prozac-cymbalta.html

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