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A cabergolina é um medicamento bastante utilizado no tratamento de adenomas hipofisários produtores de prolactina, os chamados prolactinomas. Seu mecanismo consiste em agir como agonista dopaminérgico; a dopamina é um neurotransmissor que inibe a secreção de prolactina.

Uma das preocupações relacionadas ao uso da substância é a associação com o desenvolvimento de valvopatias cardíacas. Esta observação relativamente recente se deu em pacientes com Doença de Parkinson tratados com agonistas dopaminérgicos em doses elevadas, que apresentaram espessamento e restrição de movimento das cúspides e consequente desenvolvimento de doença valvar.

Porém, ainda não se tem certeza se doses comparativamente menores, como aquelas utilizadas em indivíduos com adenomas hipofisários, também trariam risco aos pacientes. De qualquer forma, recomenda-se a realização, em pacientes que iniciarão tratamento com cabergolina, de um ecocardiograma basal e a cada seis a 12 meses no seguimento.

Foi publicada recentemente uma metanálise avaliando a prevalência de valvopatia cardíaca em pacientes com hiperprolactinemia em uso de cabergolina. Foram incluídos um total de 13 estudos de caso-controle (observacionais retrospectivos), em que os participantes estavam em uso de cabergolina há pelo menos seis meses e haviam realizado ecocardiograma seis meses após o início do uso. Obteve-se um total de 836 casos e 1388 controles saudáveis, com dose cumulativa média de cabergolina variando de 173 a 443 mg.

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O que se encontrou foi um aumento de risco estatisticamente significante de insuficiência tricúspide. Não foram observadas associações com valvopatia mitral ou aórtica.
Porém, há limitações neste trabalho, como:

  • Alguns estudos apresentavam amostra com número pequeno de pacientes e o desenho dos estudos mostra associação e não propriamente relação de causa e efeito.
  • Poucos dos estudos selecionados demonstravam avaliação detalhada da morfologia das válvulas cardíacas.
  • Uma vez que o ecocardiograma é um exame operador-dependente, muitas alterações e também a estimativa da gravidade da valvopatia apresentam divergências de acordo com o examinador.

Portanto, este trabalho não confirma e nem exclui a possibilidade da relação entre o uso da cabergolina e o desenvolvimento de valvopatias. Sendo assim, é recomendável a realização de mais estudos nesta temática e é prudente a avaliação ecocardiográfica nos pacientes tratados com cabergolina até que diretrizes concretas sejam estabelecidas.

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Referências:

  • Craig E Stiles, Eugene T Tetteh-Wayoe, Jonathan P Bestwick, Richard P Steeds, William M Drake; A Meta-Analysis of the Prevalence of Cardiac Valvulopathy in Patients With Hyperprolactinemia Treated With Cabergoline, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 104, Issue 2, 1 February 2019, Pages 523–538.
  • Pinero A, Marcos-Alberca P, Fortes J. Cabergoline-related severe restrictive mitral regurgitation. N Engl J Med ; 2005; 353(18):1976–1977.
  • Pritchett, Allison M. et al. Valvular Heart Disease in Patients Taking Pergolide. Mayo Clinic Proceedings , Volume 77 , Issue 12 , 1280 – 1286
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