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Uso problemático de mídias interativas: você conhece esta entidade?

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A inovação nas áreas tecnológicas e as mudanças na maneira como os seres humanos interagem trouxe uma série de desafios para nossa sociedade, em especial no que diz respeito ao desenvolvimento neuropsicomotor de crianças e adolescentes. Observa-se cada vez mais preocupação com a quantidade de tempo que crianças ficam expostas às telas, assim como com o início precoce dessa exposição. 

Alguns trabalhos vêm destacando a importância desse tema com relação a aspectos objetivos da avaliação da saúde. A exposição às telas vem sendo associado a inúmeros problemas de saúde, incluindo obesidade e depressão. 

Os adolescentes formam um grupo de indivíduos que apresentam particularidades nesse processo, uma vez que é nessa fase da vida que os processos de desenvolvimento social e mental estão mais intensificados. Sendo assim, podem estar mais sujeitos aos efeitos maléficos do uso das mídias digitais. 

Estudos sugerem que cerca de 50% dos adolescentes se sentem conectados em tempo integral, passando cerca de 6 horas e 40 minutos de seu dia, em média, expostos a algum tipo de tela. Sendo assim, esse grupo é considerado de risco para o que vem sendo denominado Uso Problemático das Mídias Interativas (PIMU em inglês). 

O PIMU é uma entidade nosológica ainda em investigação, uma vez que esse termo foi cunhado recentemente (2018). Tem relação com os transtornos de jogos, transtornos esses reconhecidos recentemente tanto pelo DSM-5 quanto pelo CID-11. Porém, alguns autores preferem usar o termo PIMU, uma vez que esse termo tem uma abrangência maior e não se restringe apenas a comportamentos relacionados aos hábitos de jogar e apostar em ambientes digitais, mas compreende outras interações nesses ambientes que levam a prejuízos funcionais e alterações de caráter compulsivo. 

Cabe destacar que o período de exposição a telas não é o único fator levado em consideração ao se pensar em PIMU; mais importante, os prejuízos causados por esse comportamento devem ser levados em conta. 

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Por ser um termo cunhado recentemente, poucos estudos sobre a epidemiologia do quadro encontram-se disponíveis, com problemas relacionados às escalas de avaliação. As estatísticas disponíveis estimam um total que varia de 7-18% de adolescentes com PIMU. 

Ainda não existe consenso sobre se essa entidade deva ser considerada uma doença específica ou se é uma manifestação de outros transtornos cognitivos e/ou comportamentais. De qualquer forma, a literatura já indica uma associação entre o uso problemático de mídias interativas com o Transtorno Hiperativo e de Déficit de Atenção (TDAH), com síndromes depressivas e ansiosas e com o Transtorno do Espectro Autista. 

Os profissionais de saúde que atendem adolescentes, principalmente aqueles da atenção primária, devem compreender que todos os adolescentes estão no grupo de risco para o desenvolvimento do PIMU, devendo-se sempre pensar nessa possibilidade diagnóstica. Em pacientes com as comorbidades descritas no parágrafo anterior, e naqueles pacientes que são classificados como “tristes”, o rastreio com ferramentas como o PRIUSS (the Problematic and Risky Internet Use Screening Scale) pode ser interessante. 

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Referências: 

  • Nereim, C, Bickham D, Rich M. A primary care pediatrician’s guide to assessing problematic interactive media use. Current opinion in pediatrics, v. 31, n. 4, p. 435-441, 2019.
  • Boers E, et al. Association of screen time and depression in adolescence. JAMA pediatrics, 2019.
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION et al. Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age. 2019.

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