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Vasopressina nasal pode melhorar sociabilidade de crianças com autismo

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Um estudo realizado na Escola de Medicina de Stanford com 30 crianças com transtornos do espectro autista (TEA) foi demonstrado que o uso da vasopressina intranasal melhorou as habilidades sociais dos participantes, sugerindo que o hormônio pode tratar características centrais do distúrbio. Este é o primeiro estudo a testar vasopressina intranasal para qualquer indicação em crianças.

O estudo, liderado pelos especialistas em autismo de Stanford Karen Parker, PhD, e Antonio Hardan, MD, foi publicado na Science Translational Medicine. Na pesquisa, 30 crianças com autismo foram aleatoriamente designadas a receber o hormônio ou um placebo por dia durante quatro semanas. Pais e médicos avaliaram o comportamento social das crianças antes e no final do período de quatro semanas.

Vasopressina nasal x autismo

“Crianças tratadas com vasopressina também demonstraram níveis de reduções na ansiedade e comportamentos repetitivos. Foi realmente muito emocionante”, contou a pesquisadora Karen Parker.

Atualmente, não existem medicamentos aprovados para tratar as características nucleares do autismo, um transtorno do desenvolvimento que afeta uma em cada 58 crianças norte-americanas. As principais características são deficiências sociais, pouca habilidade de comunicação verbal e comportamentos restritos e repetitivos.

“Como o estudo é pequeno, é importante replicar as descobertas e conduzir estudos maiores para saber mais sobre quais crianças com autismo podem ser ajudadas pela vasopressina. O autismo existe em um espectro, o que significa que os efeitos diferem entre os indivíduos e os tratamentos provavelmente também precisarão ser personalizados, enfatizaram os pesquisadores”, explica Karen Parker.

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Os pesquisadores estão atualmente conduzindo um estudo maior, com o acompanhamento com 100 crianças adicionais. “Se as descobertas do teste piloto forem replicadas, também será importante validar a segurança do hormônio em grandes populações e entender quais aspectos do comportamento social são mais aprimorados pela vasopressina”, acrescentou Antonio Hardan.

Entre as crianças com autismo, aquelas com os níveis mais baixos de vasopressina no LCR também têm o menor funcionamento social, mostraram os pesquisadores.

Metodologia

No primeiro estudo, foram recrutadas 30 crianças com autismo, todas com 6 a 12 anos de idade e com um QI de pelo menos 50. Os participantes foram designados aleatoriamente, de forma duplamente cega, para receber vasopressina intranasal ou um placebo. Eles tomaram doses diárias de seus medicamentos durante quatro semanas.

No início e no final do ensaio, várias medidas foram utilizadas para avaliar os sintomas do autismo. Os pais dos participantes preencheram questionários classificando as habilidades sociais de seus filhos. No laboratório, os pesquisadores testaram a capacidade dos participantes de reconhecer estados emocionais em imagens dos olhos das pessoas ou expressões faciais. Os comportamentos repetitivos e os níveis de ansiedade das crianças também foram medidos. Os pesquisadores também completaram medições químicas físicas e clínicas para avaliar a segurança do tratamento.

Foi constatado que as habilidades sociais das crianças melhoraram mais após o uso da vasopressina do que do placebo, assim como o desempenho das crianças em testes laboratoriais objetivos de habilidades sociais.
As alterações na capacidade social e ansiedade foram maiores entre as crianças cujos níveis de vasopressina foram maiores no início do estudo, um resultado que surpreendeu os pesquisadores, uma vez que o trabalho anterior mostrou as menores habilidades sociais em crianças com os níveis mais baixos de vasopressina.

Conclusão

Além disso, entre as crianças com maior vasopressina no início, o tratamento reduziu comportamentos restritos e repetitivos. Esse resultado não se estendeu aos participantes com menor vasopressina na linha de base.
Os resultados irão orientar ensaios maiores de vasopressina. “Identificar quem responde e por que é realmente importante. Como o autismo existe em um espectro, com algumas pessoas mais gravemente afetadas do que outras, os tratamentos devem ser individualizados”, ressaltou Karen Parker.

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