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paciente em maca sendo levado por médicas no corredor do hospital

Vitamina C: a cura da sepse?

Estima-se que haja 15 a 19 milhões de novos casos de sepse no mundo anualmente, com mortalidade que pode chegar a 60% em países em desenvolvimento.

Ao longo dos anos, a literatura foi povoada por estudos clínicos que tentaram demonstrar benefício de intervenções sobre a inflamação e a coagulação ativadas na sepse. Drogas como a antitrombina III, a alfa-drotrecogina e imunoglobulinas falharam em reduzir mortalidade e, portanto, não modificaram este grave cenário: não há um medicamento específico para a sepse, até o presente momento.

Em dezembro de 2016, o Prof. Paul Marik, da Eastern Virginia Medical School, e colaboradores publicaram um estudo preliminar na Chest, que promete revolucionar o tratamento de pacientes sépticos, a associação da vitamina C intravenosa com hidrocortisona e tiamina.

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Este estudo foi motivado pela utilização da vitamina C como terapia de resgate em três pacientes com choque séptico. Os três apresentaram remissão do quadro, sem disfunções orgânicas crônicas. Devido ao alto perfil de segurança da medicação, mesmo em doses altas (5 a 6 gramas/dias), associada ao desfecho positivo, o grupo foi autorizado a realizar a intervenção em um maior número de pacientes.

Foram recrutados 47 pacientes no grupo experimental, de janeiro a julho de 2016, e utilizados os dados de outros 47 como controle histórico (junho a dezembro de 2015). A intervenção consistiu na utilização de vitamina C 1500 mg associada à hidrocortisona 50 mg, de seis em seis horas, por sete dias e à tiamina 200 mg, de doze em doze horas, por quatro dias. As três medicações foram utilizadas em conjunto devido a seus efeitos múltiplos e superpostos na sepse.

Quais os resultados deste estudo? Houve redução da mortalidade (40.4 para 8.5% – figura 1), com redução absoluta do risco (RAR) de 31.9% e número necessário para tratar (NNT) de 3. O odds ratio para morte foi de 0.13. Houve impacto significativo nas disfunções orgânicas: redução da necessidade de terapia de substituição renal (33 para 10%), menor tempo de duração de uso de vasopressores (54.9 para 18.3 horas) e redução mais pronunciada do escore de disfunções orgânicas SOFA (0.9 para 4.8).

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Este estudo de único centro, com pequena amostra, não-randomizado, ainda não autoriza a utilização da vitamina C em pacientes sépticos. Seu principal valor é gerar uma hipótese de intervenção eficaz para o tratamento de uma das condições de maior magnitude em nosso país.

Será que estamos mais próximos da cura da sepse?

Assista ao Prof. Paul Marik, defendendo o seu ponto de vista, com comentários do Prof. Mervyn Singer:

CCR17 Cure for Sepsis from Critical Care Reviews on Vimeo.

Autor:

Recomendações de leitura adicional:

  • Marik PE, Khangoora V, Rivera R, et al. Hydrocortisone, vitamin C and thiamine for the treatment of severe sepsis and septic shock: A retrospective before-after study.Chest. 2016 Dec 6. pii: S0012-3692(16)62564-3. doi: 10.1016/j.chest.2016.11.036. [Epub ahead of print]

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