A cidadania das máquinas

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Praticar qualquer trabalho e escolher uma religião. Emitir opinião desde que se responsabilize por ela. Ser autor de uma obra, usá-la, publicá-la, copiá-la e dispor de direitos autorais. Ter posses e herdeiros. Locomover-se dentro e fora do país. Votar e ser votado.

Esses são direitos mais ou menos comuns de cidadãos em várias culturas do mundo. São parte de um título que chamamos de cidadania. Foi exatamente esse conjunto de direitos que foram concedidos pelo Rei Salman, da Arábia Saudita, ao robô Sophia, criado pela Hanston Robotics de Hong Kong.

Sophia – a robô – é realmente impressionante! Dotada de uma inteligência artificial capaz de aprender e questionar, e de expressões faciais que permitem expressar felicidade, raiva e interagir com seres humanos, ela foi apresentada ao mundo na última semana e já causa polêmica e habita em notícias sensacionalistas na Internet sobre destruir a raça humana.

A internet fakenews não perdoa nem os robôs.

Mais do autor: ‘Acabou de acontecer, e muito mais vem por aí’

A verdade é que dois fatos podem ser iluminados nesse ponto: o primeiro é que o conjunto de direitos concedidos ao robô permitem que ele um dia tenha um emprego, ou assuma um cargo público; e o segundo é que as novas fronteiras da inteligência artificial e aprendizado da máquina serão expandidas de forma exponencialmente (e não linearmente), como acontece com o resto da tecnologia. E voilá! De repente você acorda no futuro.

Como perfeito exemplo de exponencialidade, sua majestade, o Rei, em um mês dá permissão para mulheres dirigirem em seu país com mais de um século de atraso e no mês seguinte concede cidadania a um robô que declara querer estudar, trabalhar e empreender(!). Pergunto-me se nessa velocidade, as coisas evoluirão rapidamente para uma nova realidade no nosso dia a dia laboral: seu chefe, além de mais inteligente que você, poderá ser um robô.

Acha difícil? Veja os vídeos abaixo:

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