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enfermeiro segurando mão de paciente idosa, usando espiritualidade na enfermagem

A espiritualidade como componente fundamental para o cuidado de enfermagem

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A espiritualidade na saúde começa desde sua própria gênesis. A identificação dos primeiros profissionais de saúde da história estão centrados na prática ligada a sacerdotes, xamãs e curandeiros, o quê logo nos apresenta uma ligação direta do adoecimento e com o cuidado ligado a práticas ligadas ao contexto da espiritualidade.

A interferência de divindades diversas, energias e outras condições nas práticas de cuidado passavam pela premissa de quê a doença não estava apenas no corpo físico. Conquanto tenha existido o eflorescer da ciência, um vínculo muito forte entre a cura do corpo e a condição de crença do doente em uma condição sobrenatural, onde a fé ligada ou não a religiosidade aproxima a pessoa de uma condição subjetiva de saúde, podendo ser o caminho de saúde quando recursos objetivos da medicina são ineficazes para a pessoa em sofrimento. Essa possibilidade leva esperança e ameniza o sofrimento de pessoas que muitas vezes não possuem se quer recursos para o cuidado em saúde.

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Espiritualidade e enfermagem

A espiritualidade é um tema antigo para profissionais de enfermagem. Desde Florence Nightingale temos a junção de objetivas práticas de cuidado e a valorização de práticas de conforto e afeto a pessoas em sofrimento por meio da espiritualidade. Reginato, De Benetto e Gallian (2016), nos esclarece que uma das principais revistas de enfermagem científica do país em toda sua história escreveram mais de 57 artigos sobre espiritualidade desde o inicio da formação profissional no Brasil.

Essa espiritualidade foi pesquisada e referida de diversas maneiras, destacando-se em relação ao caracter e moral do individuo que escolhe ser profissional de enfermagem, como filosofia de trabalho para o enfermeiro, fazendo parte do currículo de enfermagem, na assistência de enfermagem, na relação de quem cuida e de quem é cuidado, espiritualidade e humanização; espiritualidade e morte e morrer; e espiritualidade sob a luz da Ética e da Bioética.

Para Pedrão e Berensi (2010), a espiritualidade pode ser definida como uma disposição humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que superam o tangível. Sendo considerado por Penha e Silva (2012), um sentido com significado ontológico para a vida, por meio de experiências e criação de valores, compostos por crenças e padrões culturalmente aceitos de maneira transcendente, ou seja, que permeiam o campo da subjetividade. Além de ter em sua existência uma conectividade relacional com a criação e com o fim, possibilitando que a pessoa obtenha um sentido para a existência.

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No Brasil temos um estado laico que possui um grande quantidade de denominações religiosas, crenças e cultos. Diversas são as influencias religiosas de nossas sociedade e pessoas levam consigo em ambientes de cuidado costumes que muitas vezes se confundem com a espiritualidade. Espiritualidade e religiosidade são coisas diferentes e devem ser consideradas. De acordo com Nascimento et. al. (2013), a diferença entre essas definições podem aparecer de diversas maneiras, podendo ser descritas da seguinte maneira:

“A espiritualidade é um atributo inato do ser humano, que promove bem-estar, saúde e estabilidade. Está relacionada com a essência da vida e associa-se com questões espirituais, distintas de qualquer meio material; produz comportamentos e sentimentos de esperança, amor e fé, fornecendo um significado para a vida. Já a religiosidade é um modo de o indivíduo expressar sua espiritualidade por meio da adoção de valores, crenças e práticas rituais que fornecem respostas às perguntas essenciais sobre vida e morte”.

Em momentos de sofrimento e angústia, o copping religioso e espiritual se faz muito presente. Para quem cuida ou para quem é cuidado a espiritualidade está relacionada ao processo continuidade. De acordo com Penha e Silva (2012), Pesquisadores observaram que, na medida em que necessidades espirituais de familiares de pacientes adoecidos ou que faleceram eram contempladas com cuidado, havia maior enfrentamento do luto ou do adoecimento. Salientam ainda que o entendimento espiritual na dor, diante do sofrimento torna-se um mecanismo de resiliência no processo de adoecimento e para as famílias relacionadas.

Para quem cuida a espiritualidade e seus fundamentos se torna fundamental, seja por necessidade das pessoas ou sobre a apropria necessidade que temos enquanto profissionais, de afirmação na busca do sentido do cuidado. Cuidar não pode ser meramente um ato técnico e objetivo, pautado em procedimentos e técnicas, mas uma oportunidade de movimentar os corpos em melhores direções existenciais. Não deve ser por tanto, condição inata do enfermeiro, mas um conjunto de saberes que valoriza o outro no encontro com si mesmo e com a própria morte.

A espiritualidade pode ser discutida para que muitas técnicas sejam realizadas por profissionais de saúde. Esse comportamento pode afastar uma visão tecnicista, meramente biológica e que se aproxime mais de um entendimento amplo do que é saúde. A dor e o sofrimento podem ser diminuídos com diversas práticas à saúde.

Uma prática que pode levar conforto e cuidados únicos as pessoas em sofrimento parte das discussões sobre essa temática, podendo instrumentalizar melhor os profissionais da saúde na constituição de projetos terapêuticos singulares, principalmente para pessoas com doenças crônicas ou prognósticos complicados.

A equipe de enfermagem trabalha com a dimensão espiritual com diversos significados, se relacionando com fé e crença religiosa, bem estar espiritual e tantos outras multiplicidades. O cuidado a espiritualidade é preditivo de condições emocionais que interferem inclusive diretamente, nas relações empáticas e existenciais. Por isso o enfermeiro deve sem dúvida, compreender e considerar a espiritualidade no processo de cuidar. Sabendo que esse também utiliza a espiritualidade nas proposições de cuidado.

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A espiritualidade não está apenas para a pessoa em situação de vulnerabilidade, ou seja, aquela que busca o serviço com diversas complicações existenciais, físicas, biológicas psíquicas etc. Possui relação direta para quem cuida. O cuidado é algo que desprende muito de nós, em todas áreas. Mesmo sendo uma profissão totalmente científica que possui técnicas e procedimentos pré-estabelecidos, há uma inferência criativa necessária e bilateral com a doença e com o adoecido, que muitas vezes nos adoece.

Mas em que a espiritualidade nos ajuda como profissionais?

Para além de ambientes preparados, estabelecimentos de trabalho que nos ofereça educação continuada e permanente, boas condições de trabalho, suporte emocional, aporte governamental, salário adequados e dignos, carga horária justa e tantas outras coisas, a espiritualidade vem nos acompanhando tentando encontrar sentido existencial para cuidar.

A espiritualidade não tem a ver diretamente com Deus ou religião, muito menos se afasta da ciência, pode ser tudo ou nada disso, ou apenas um encontro com nós mesmos, para nos ajudar em dias difíceis e em momentos que não temos mais respostas adequadas.

Alguns filósofos dizem que a espiritualidade se assemelha com a filosofia. É o encontro da morte em um movimento de compreensão da existência. Alivia perspectivas de fim e nos possibilita conhecer melhor o presente. Alivia o sintoma natural de viver presentificando um futuro que ainda não existe. É uma conexão com o planeta, com as coisas, com os meios, com as pessoas.

É uma esperança que nos faz criador e criatura ao mesmo tempo. Estando na intensão, no cuidado, na palavra, na ação e na profissão. Principalmente, para em nós profissionais de enfermagem que levamos “cuidado”, para com o sofrimento humano.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • DE SÁ, A.C. PEREIRA, L.L. Espiritualidade na enfermagem brasileira: retrospectiva histórica. O mundo da saúde. São Paulo: 2007: abr/jun 31(2): 225-237.
  • NASCIMENTO et.al. Espiritualidade e religiosidade na perspectiva de enfermeiros. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2013 Jan-Mar; 22(1): 52-60.
  • REGINATO, V.; BENEDETTO, M.A.C. De and GALLIAN, D.M.C. Espiritualidade e saúde: uma experiência na graduação em medicina e enfermagem. Trab. educ. saúde. 2016, vol.14, n.1, pp.237-255.
  • PEDRÃO RB, BERESIN R. O enfermeiro frente à questão da espiritualidade. Einstein. 2010; 8(1 Pt 1):86-91.
  • PENHA, R.M. e SILVA, M. J.P.da. Significado de espiritualidade para enfermagem em cuidados intensivos. Texto contexto – enferm. [conectados]. 2012, vol.21, n.2, pp.260-268.

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