A saúde mental na escola: A relação entre o serviço de saúde e a escola

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Existe uma ideia geral que considera a infância e a adolescência como período de felicidade da existência humana. O que muito não se discute é que essas fases, são de intensa modificação e de vulnerabilidade para o desenvolvimento de doenças mentais. Estudos mostram a grande necessidade de atenção à saúde mental de crianças e adolescentes, sendo outros estudos reveladores da escola como um espaço propício para a prevenção da doença e espaço possível para a atenção à saúde. Além disso, o prejuízo escolar causado por doença mental vem sendo considerado em muitos estudos, em índices alarmantes. Alguns fatores contribuem para o aumento das doenças mentais e possuem relação com a forma de vida da atual sociedade. Além disso, a cobrança produtiva também já chegou a infância e a adolescência, gerando maiores vulnerabilidades. Considerando além dessas questões,  que crianças e adolescentes estão formando concepções sociais, construindo relações interpessoais, e se desenvolvendo fisicamente, temos um espaço de acolhimento e de cuidado. 

Saiba mais: Saúde mental, isolamento social e home-schooling em adolescentes durante a pandemia

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Escola como lugar de acolhimento

A pandemia causada pelo vírus Sars-Cov-2, pôde alertar para essa importância, uma vez que o número de casos de violência, desde o início da pandemia em crianças e adolescentes aumentou no Brasil. A escola é um espaço que contribui com o serviço de saúde, tornando-se parte do sistema de saúde. Tem importância pois é espaço de convívio, constituindo permanentemente um espaço de vigília e cuidado. Atesta modificações do comportamento e pode ajudar no diagnóstico de doenças mentais e sofrimentos psíquicos transitórios. Por esse motivo, é importante que possamos estabelecer diálogo com esse importante espaço de construção de saber e de cuidado. É nesse sentido que vamos traçar algumas possibilidades de cuidado para que profissionais da saúde, principalmente enfermeiros atuantes na atenção básica ou nos serviços de saúde mental possam orientar profissionais no espaço escolar, objetivando um cuidado integral e a promoção da saúde mental, além de cuidar daquelas com sofrimento psíquico. 

Prevenção de doenças mentais na escola

A prevenção de qualquer doença inicia-se na compreensão do estado de saúde de dada população ou conhecendo possíveis vulnerabilidades provocadas pelo território. Por isso, o primeiro passo sempre será o conhecimento. Na escola isso não pode ser uma dificuldade, uma vez que o conhecimento é amplamente discutido. Por tanto, conhecer os alunos é de suma importância.  Compreendendo os fatores de risco que envolvem crianças e adolescentes, podemos evitar o adoecimento por impedir a progressão de problemas que vão em direção a diminuição desses riscos. Um exemplo claro é em relação ao uso de drogas, a compreensão dos riscos pela criança ou pelo adolescente é fundamental, mas já considerando que estes podem não compreender a total dimensão do risco, deve a escola junto com o serviço de saúde criar estratégia de prevenção do comportamento de uso, mas temos que considerar que caso haja uso, também podemos prevenir complicações. Sendo assim, devemos considerar: 

  • Prevenção primária na escola: Deve o serviço de saúde e a escola criar ações que busquem evitar o adoecimento das crianças e adolescentes, compreendendo os fatores de risco;
  • Prevenção secundária na escola: Criar ações que interrompam o sofrimento psíquico já instalado, evitaria a piora em casos onde já existe uma morbidade ou sofrimento;
  • Prevenção terciária: Ocorre quando há incentivo ou ações que se direcionam a busca de tratamento e recuperação do estado de saúde;

A identificação é importante seja ela no diagnóstico situacional das vulnerabilidades da população, na busca por diminuir eventos que possam possibilitar o adoecimento, ou em conhecer os sofrimentos já instalados, prevenindo assim possíveis complicações. Assim devemos criar estratégias de enfrentamento das vulnerabilidades junto à escola. Algumas dicas importantes para os educadores são as seguintes:

  • Conheça as crianças e os adolescentes e faça perguntas sobre seus locais de moradia e suas relações interpessoais, sobre suas relações familiares, etc;
  • Observe se há modificação de comportamento ao longo do período de ensino. Observe o olhar da criança ou do adolescente, o comportamento motor, o comportamento frente outras crianças, as crises de raiva entre outros fatores do relacionamento;
  • Proponha atividades que possam desvelar sentimentos e emoções, assim como espaços em grupo de divisão de experiências. Considere o grupo como potente instrumento de interação e de compreensão sobre a vida das crianças e dos adolescentes;
  • Crie tarefas com perguntas abertas, para conhecer melhor a vida das crianças e adolescentes. É muito importante fazer perguntas, tais como: Como é sua vida familiar? Ou sabe o que é violência? Crie possibilidades para que haja maneiras de identificar sofrimento psíquico sem induzir o discurso;
  • Em casos de sofrimento psíquico definido e observável, contate a família e inclua o serviço de saúde no processo de cuidado. Acolha as crianças e os adolescentes e esclareça que o cuidado será realizado e pensado junto com ela. Não podemos excluir a criança ou o adolescente do processo de cuidado, eles devem ser ativos nesse processo;
  • Crie espaços coletivos de acolhimento no colégio e se surpreenda como outros alunos podem ajudar na minimização da dor, do sofrimento e do adoecimento. O coletivo forte pode diminuir vulnerabilidades individuais.

Sempre oriente os professores e funcionários do colégio sobre a importância da parceria com o serviço de saúde. Devemos criar uma sociedade que se preocupe com os jovens. O sistema de saúde é feito por todos e necessita da articulação de muitos dispositivos. A escola tem papel fundamental no serviço de saúde, sendo aquele espaço que provoca nas pessoas a compreensão do que pode ou não lhe fazer mal e que já foi estabelecido pela sociedade como um mal. Ou seja, o conhecimento pode evitar o adoecimento. Mas além disso, quando falamos de crianças e adolescentes, podemos nos deparar situações onde o sofrimento psíquico não é compreendido, devido a própria faixa etária. Isso nos faz responsáveis pelo cuidado e compreensão de seus fatores de risco.

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Precisamos proteger as crianças e os adolescentes de todas as possibilidades de vulnerabilidade. Por isso, deve haver parceria entre o serviço de saúde e a escola. Se os casos de adoecimento forem graves frente ao diagnóstico situacional, deve ser acionado imediatamente dispositivos de cuidado à criança e o adolescente como Unidade de atenção Básica de saúde, Centro de atenção Psicossocial Infantil (CAPSi), o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). Lembramos que os encaminhamentos devem ser realizados a partir de avaliação do profissional de saúde ligado à instituição ou ao serviço de saúde do território.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Bordini, D. et al. Encaminhamento escolar de crianças e adolescentes para o CAPSi: o peso dos encaminhamentos incorretos. Rev. Bras. Psiquiatr., 2012, 34, (4), pp. 493-494. https://www.scielo.br/pdf/rbp/v34n4/pt_v34n4a18.pdf
  • Souza, Thaís Thaler et al. Promoção em saúde mental de adolescentes em países da América Latina: uma revisão integrativa da literatura. Ciência & Saúde Coletiva 2021, 26, (07), pp. 2575-2586.
  • Porto MFS, Pivetta F. Por uma promoção da Saúde Emancipatória em Territórios Urbanos Vulneráveis. In: Czeresnia D, Freitas CM, editores. Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: SciELO-Editora Fiocruz; 2009. p. 207-229.
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