O alirocumab é um dos inibidores da PCSK9, classe que tem mostrado ótimo efeito na redução do LDL e na prevenção de desfechos cardiovasculares. O objetivo do estudo PACMAN-AMI, apresentado no congresso do American College of Cardiology (ACC 2022) e publicado simultaneamente no JAMA, foi avaliar se a droga, associada a uma estatina de alta potência, apresenta benefícios adicionais num grupo de pacientes com placas ateroscleróticas instáveis: aqueles com IAM.
Alirocumab + estatina em pacientes com IAM
O desfecho monitorado aqui foi “intermediário”, isto é, não avaliou mortalidade ou hospitalização, mas sim o efeito nas características da placa aterosclerótica nas artérias “não culpadas” no IAM. O critério de inclusão deveria ser um IAM com lesão culpada tratada que apresentasse, de modo concomitante, ao menos duas lesões ateroscleróticas de 20-50% em vasos “não culpados” pelo IAM. A estatina utilizada no estudo foi a rosuvastatina 20 mg e o acompanhamento por 52 semanas.
Foram incluídos 300 pacientes, com idade média 58 anos, 16-21% mulheres e 8-12% de diabéticos. A redução do colesterol LDL foi maior no grupo de intervenção (chegou a 23 mg/dL versus 74 mg/dL no controle). Em todos os métodos analisados, a adição do alirocumab mostrou maior redução do conteúdo lipídico/inflamatório das placas quando o inibidor PCSK9 foi associado à estatina. O principal evento adverso foi reação no local de injeção e reações alérgicas inespecíficas (3%).
Mensagem prática
A classe dos inibidores do PCSK9 vem mostrando que, assim como as estatinas, são capazes não só de reduzir o LDL, como também regressão de placa aterosclerótica, o que reforça resultados de outros estudos nos quais houve melhora no risco cardiovascular. O problema está em torná-los com administração mais fácil (hoje são todos injetáveis) e o custo, que ainda é muito alto.
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