Agitação: efeitos colaterais da clorpromazina em pacientes pediátricos

Tempo de leitura: 3 min.

Um estudo realizado por pesquisadores de Nova Jersey, nos EUA, concluiu que a clorpromazina, antipsicótico usado no manejo da agitação, está associada a interações medicamentosas, dosagem inadequada e efeitos colaterais, além de ser ineficaz em pediatria. Os resultados foram publicados no jornal Mental Health Clinician.

A clorpromazina é um antipsicótico de primeira geração aprovado para problemas comportamentais graves em crianças de 1 a 12 anos de idade. Atua bloqueando os receptores dopaminérgicos pós-sinápticos. Devido aos seus efeitos adicionais no sistema de ativação reticular, a clorpromazina também pode afetar o metabolismo basal, a regulação da temperatura corporal e a vigília, podendo também podendo causar efeitos colaterais anticolinérgicos, como boca seca ou constipação, e efeitos colaterais alfa-adrenérgicos, como hipotensão ou síncope. Por fim, como substrato do CYP2D6, há potencial para várias interações medicamentosas com outros medicamentos que podem elevar a sua concentração, o que pode aumentar também o risco de prolongamento do QTc ao interagir com outros medicamentos prolongadores. Outras terapias podem demonstrar melhores resultados e menos efeitos colaterais.

Leia também: Uso de antipsicóticos na agitação em pacientes demenciados

No Monmouth Medical Center and Rutgers University, a clorpromazina tem sido o medicamento padrão usado para o tratamento da agitação pediátrica. No entanto, outras terapias podem demonstrar melhores resultados e menos efeitos colaterais. Dessa forma, o objetivo do estudo foi avaliar a adequação do uso de clorpromazina (incluindo eficácia, dosagem apropriada, interações medicamentosas e tolerabilidade) para otimizar o tratamento da agitação em pediatria.

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Estudo recente

Foi realizada uma revisão retrospectiva por meio de análise de prontuários para avaliar cada administração de clorpromazina usada para agitação em uma unidade psiquiátrica pediátrica no período entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2019. Pacientes que tinham menos de 18 anos de idade e receberam pelo menos 1 dose de clorpromazina para agitação foram incluídos. Os pacientes eram excluídos se não tivessem recebido clorpromazina. Os dados foram analisados por meio de estatísticas descritivas avaliando a incidência de interações medicamentosas, incidências de ineficácia, dosagem inadequada e efeitos colaterais.

Saiba mais: Como manejar agitação e agressividade

Setenta pacientes foram avaliados, além de 130 administrações de clorpromazina oral ou intramuscular. Destas administrações, 49 (38%) resultaram em incidência de interações medicamentosas. Dezoito administrações (14%) foram ineficazes para controlar os sintomas de agitação. Onze administrações (8%) foram feitas de forma inadequada e 46 administrações (35%) resultaram em efeitos colaterais possivelmente causados pelo medicamento.

Limitações

A característica retrospectiva é a maior limitação do estudo. Além disso, a amostra é pequena. Dados subjetivos também foram utilizados na coleta dos resultados. Vários pontos de dados neste estudo são baseados em notas mapeadas por enfermeiras registradas e outra equipe com a suposição de que sua avaliação do paciente é precisa e imparcial. Além disso, os pesquisadores não puderam contabilizar os dados ausentes, como sinais vitais e efeitos adversos que não foram registrados.

Conclusão

Apesar das limitações, os pesquisadores reconheceram que há oportunidades para melhoria no atendimento aos pacientes em sua unidade, devido a vários casos de ineficácia, interações medicamentosas, dosagem inadequada e efeitos colaterais com o uso de clorpromazina. Dessa forma, a otimização do uso de clorpromazina para agitação, incluindo a incorporação de dosagem baseada no peso e monitoramento de eletrocardiograma, podem ser opções potenciais para melhorar a farmacoterapia. O uso de terapias alternativas, como antipsicóticos de segunda geração, também pode ser uma opção potencial para melhorar os desfechos dos pacientes.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Ahmed R, Maroney M, Fahim G, Ghin HL, Mathis AS. Evaluation of the use of chlorpromazine for agitation in pediatric patients. Ment Health Clin. 2021;11(2):40-44. Published 2021 Mar 31. doi:10.9740/mhc.2021.03.040
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro
Tags: Agitação

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