Pediatria

Ambiente próprio é mais saudável para o prematuro do que enfermaria?

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O nascimento prematuro é um dos principais fatores de risco para morbimortalidade infantil nas maternidades. Geralmente os recém-nascidos são colocados em espaços coletivos posicionados em ambientes abertos dentro da unidade hospitalar neonatal. No entanto, este método não é o mais indicado em se tratando de bebês nascidos com prematuridade, apesar de não haver muitos estudos na área que confirmam ou refutam esta hipótese.

Enfermaria x quartos para família

No intuito de esclarecer a questão, pesquisadores americanos buscaram investigar se um quarto único para a família e o bebê teria melhores resultados no desenvolvimento neurológico do neonato em comparação com ambientes abertos da maternidade.

Leia mais: Terapia precoce com cafeína melhora desenvolvimento de bebês prematuros?

Um estudo sistemático e de metanálise realizado em 2018 revisou 487 registros da literatura e selecionou 13 estudos populacionais, que totalizaram 4793 pacientes prematuros atendidos no ambiente comum na enfermaria da maternidade ou em quartos próprios. O desfecho primário observado foi o desenvolvimento neurológico do prematuro na idade apropriada e os desfechos secundários foram tempo de internação, sepse, amamentação, crescimento, displasia broncopulmonar, hemorragia intraventricular, retinopatia e mortalidade. Os resultados foram publicados em janeiro no periódico The Lancet Child & Adolescent Health.

Resultados

Nenhuma diferença no desenvolvimento neurológico foi observada entre os dois ambientes, (diferença média de 1,04 [IC 95% [3,45 a 5,52]p=0,65; I 2=42%), de acordo com a Escala Bayley de Desenvolvimento para Bebês e Crianças-III. O estudo não comprovou também diferença significativa em tempo de internação, displasia broncopulmonar, hemorragia intraventricular, retinopatia e mortalidade.

Entretanto, foram verificados outros benefícios dos quartos próprios para o bebê e a família. O risco (risk ratio) de sepse foi menor nesses locais do que nos espaços coletivos da maternidade. (RR 0,63 [IC 95% [0,50 a 0,78] p<0,0001; I2=0%).

Como os benefícios foram discretos e apenas em alguns dos desfechos esperados, novos estudos são necessários antes de adotarmos essa prática no cotidiano

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Referências:

  • Nicole R van Veenendaal, et al. Hospitalising preterm infants in single family rooms versus open bay units: a systematic review and meta-analysis. Janeiro de 2019. The Lancet Child & Adolescent Health Disponível em https://www.thelancet.com/journals/lanchi/article/PIIS2352-4642(18)30375-4
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Publicado por
Roberto Caligari

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