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Anticoagulantes orais diretos podem ser usados em pacientes com SAF?

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O uso da rivaroxabana está sendo associado a um maior risco de recorrência de eventos trombóticos em pacientes com síndrome antifosfolípide (SAF), principalmente quando comparado com a varfarina.

Em junho deste ano, as empresas farmacêuticas Laboratórios Pfizer e Daiichi Sankyo Brasil, a pedido da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), emitiram notas esclarecendo que tanto este fármaco quanto os outros anticoagulantes orais diretos (DOACs), apixabana (Pfizer), edoxabana (Daiichi Sankyo) e etexilato de dabigatrana, não são recomendados para pacientes com SAF. A recomendação é principalmente para pessoal com alto risco, ou seja, aquelas que apresentam os três testes antifosfolípides positivos: anticoagulante lúpico (LAC), anticorpos anticardiolipina (aCL) e anticorpos antibeta2 glicoproteina1 (B2GP1).

Segundo as notas, como não existem evidências suficientes de que o uso é seguro, é necessário reavaliar o tratamento de pacientes com SAF que fazem uso de algum DOAC e, de preferência, trocar a medicação para algum antagonistas da vitamina K, como a varfarina.

Os anticoagulantes orais diretos são aprovados para uso em adultos que necessitam de tratamento e prevenção de recorrência de tromboembolismo venoso (TEV) agudo, prevenção de acidente vascular cerebral (AVC) e embolia sistêmica, entre outros. As bulas desses medicamentos devem ser alteradas pelas farmacêuticas a fim de advertir os pacientes com a síndrome.

As farmacêuticas também solicitam que os profissionais de saúde reportem sempre que efeitos adversos não listados acontecerem com o uso do medicamento.

Estudos DAOCs em pacientes com SAF

O estudo Rivaroxaban in Thrombotic Antiphospholipid Syndrome teve como objetivo comparar a rivaroxabana à varfarina em pacientes com SAF que possuíam histórico de trombose e alto risco de apresentar novos eventos trombóticos. Porém, ele foi finalizado depois da participação de 120 pessoas porque o número de pacientes que estavam usando rivaroxabana que tiveram algum problema trombótico foi extremamente alto.

Veja também: Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo: você sabe como manejar?

Durante os 569 dias de acompanhamento, entre os pacientes recrutados, 59 usaram rivaroxabana (20 mg, mas para pacientes com clearance de creatinina < 50 mL/min, 15 mg) e 61, varfarina (INR 2.0-3.0), sendo que 12% dos que utilizaram o DAOC tiveram algum evento trombótico contra nenhum do que usaram o antagonista de vitamina K. Além disso, 4 pacientes do braço da rivaroxabana sofreram AVC isquêmico e três, infarto agudo do miocárdio (IAM). Ambos os grupos tiveram uma pequena porcentagem com sangramento maior: 7% dos pacientes com uso do rivaroxabana e 3% daqueles em uso da varfarina.

Sobre os outros anticoagulantes orais diretos, para edoxabana e dabigatrana ainda não existem estudos em pacientes com a síndrome antifosfolípide. Para o apixabana existe o Apixaban for the Secondary Prevention of Thrombosis among Patients with Antiphospholipid Syndrome, porém ainda sem resultados divulgados.

Novos anticoagulantes orais (NOACs)

Os DAOCs também são conhecidos no Brasil como novos anticoagulantes orais (NOACs), medicamentos que entraram no país na última década para trazer possibilidades além da varfarina, que sempre foi o fármaco de escolha na prevenção de eventos tromboembólicos. Os maiores problemas desse fármaco sempre foram a interação medicamentosa e a necessidade de monitorar frequentemente o INR.

Com esse risco, porém, a droga de primeira linha para pacientes com SAF deve continuar sendo a varfarina, principalmente naquelas pessoas com alto risco.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Referências bibliográficas:

  • Pengo V, Denas G, Zoppellaro G, et al. Rivaroxaban vs warfarin in high-risk patients with antiphospholipid syndrome. Blood. 2018;132(13):1365-1371;
  • Eliquis© (apixabana) – Risco de recorrência de eventos trombóticos em pacientes com Síndrome Antifosfolípide tratados com outros anticoagulantes orais diretos. Laboratórios Pfizer, 26 de agosto de 2019 (Versão 1.0). Portal Anvisa;
  • Lixiana® (edoxabana) – Risco de trombose recorrente em pacientes com síndrome antifosfolípide tratados com DOACs. Nota. Portal Anvisa.

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