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Artroscopia de quadril no impacto femoroacetabular

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A artroscopia de quadril é um procedimento cirúrgico cada vez mais usado para patologias do quadril, incluindo a Síndrome do Impacto Femoroacetabular (IFA), que é hoje uma das principais causas de dor e disfunção no quadril, além de contribuir no longo prazo para o desenvolvimento de osteoartrite coxofemoral. Embora a abordagem artroscópica seja conhecida por ser preferível à cirurgia aberta, o momento ideal para indicação de tal intervenção permanece um desafio.

A videoartroscopia é atualmente considerada o tratamento padrão para IFA e para a correção de patologias da cartilagem labral e articular. O uso de artroscopia de quadril aumentou exponencialmente nos últimos anos e substituiu os métodos de tratamento mais invasivos. Tem como vantagem a redução da morbidade do sítio cirúrgico e tempos de recuperação mais rápidos, em comparação com procedimentos abertos.

Embora a artroscopia de quadril seja preferível à cirurgia aberta, o momento ideal para indicação de tal intervenção permanece um desafio.

A artroscopia de quadril

Além de corrigir as anormalidades anatômicas, a artroscopia do quadril tem se mostrado uma intervenção segura e bem-sucedida na restauração da função articular e com baixo índice de complicações. Uma revisão de 1981 casos, publicada recentemente, encontrou uma taxa de reoperação de 5,5% e apenas 1,7% de complicações. Em outro estudo, foi observada taxa média de retorno ao esporte de 84,6%, sendo que entre os atletas profissionais, a taxa de retorno chegou a 93,3%. Além disso, o que se observa, quase que de forma unânime nas publicações especializadas, é um alto índice de satisfação dos pacientes submetidos ao tratamento artroscópico, quando comparados àqueles submetidos ao tratamento conservador da IFA.

Embora a abordagem artroscópica tenha se tornado o padrão de tratamento para a IFA, o momento ideal para a intervenção permanece controverso. Por ser uma técnica relativamente nova, há carência de dados consistentes na literatura que suportem a indicação precoce da artroscopia pelos especialistas. Como consequência, em muitos casos, as diretrizes dos convênios exigem que os pacientes apresentem os sintomas por meses e sejam submetidos a tratamento conservador antes da indicação de tratamento cirúrgico.

Entretanto, publicações recentes trouxeram à luz importantes informações que parecem embasar a indicação da artroscopia precoce, em relação ao tratamento tardio. Diferentes estudos evidenciaram que o aumento do tempo de duração dos sintomas, antes do tratamento artroscópico, estava correlacionado com piores escores de resultados relatados pelos pacientes, além de maiores taxas de cirurgias de revisão. De modo geral, resultados pós-operatórios notavelmente melhores foram observados nos pacientes submetidos a artroscopia, menos de seis meses após o início dos sintomas.

Quando se observam os aspectos econômicos, apesar de ser um procedimento aparentemente caro inicialmente, a artroscopia mostra-se custo-efetiva para 94,5% dos pacientes, sendo capaz evitar a progressão da IFA para doença degenerativa do quadril, além de protelar a conversão para artroplastia total de quadril por pelo menos dezesseis anos.

Em suma, embasados pelas recentes evidências, é possível afirmar que há um consenso entre os especialistas de que o manejo artroscópico da IFA é superior ao tratamento conservador e apresenta resultados notavelmente melhores quando realizado de forma precoce.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Mehta MP, Hoffer-Hawlik MA, O’Connor M, Lynch TS. Immediate Versus Delayed Hip Arthroscopy for Femoroacetabular Impingement: An Expected Value Decision Analysis. J Am Acad Orthop Surg Glob Res Rev. 2020;4(12):e20.00206.
  • Minkara AA, Westermann RW, Rosneck J, Lynch TS: Systematic review and metaanalysis of outcomes after hip arthroscopy in femoroacetabular impingement. Am J Sports Med 2018;47:488-500.
  • O’Connor M, Minkara AA, Westermann RW, Rosneck J, Lynch TS: Return to play after hip arthroscopy: A systematic review and meta-analysis. Am J Sports Med 2018; 46:2780-2788.

 

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