Artroscopia do joelho apresenta bons resultados após 5 anos?

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A artroscopia do joelho é um procedimento muito popular para o tratamento das lesões meniscais. Nos pacientes que apresentam lesões com padrão degenerativo, o tratamento parece ser vantajoso na presença de lesões traumáticas ou com sintomas mecânicos, mas ainda é questionável o papel da cirurgia fora deste cenário.

O tratamento envolvendo meniscectomia parcial artroscópica é frequentemente realizado em pacientes após falha de tratamento conservador. Muitos estudos compararam os resultados da meniscectomia artroscópica com outros tratamentos, mas seus desenhos foram insuficientes para a obtenção de conclusões definitivas.

Em novembro de 2020, um estudo multicêntrico, randomizado, com estratégia de cegamento para avaliadores e participantes, foi elaborado para comparar a meniscectomia parcial artroscópica com uma cirurgia placebo, na qual era realizado apenas inventário artroscópico da articulação, sem intervenções para as lesões meniscais. Este trabalho foi realizado seguindo os princípios éticos vigentes, com consentimento informado obtido para os participantes e publicado no “ British Journal of Sports Medicine”.

O tratamento com artroscopia do joelho é frequentemente realizado em pacientes após falha de tratamento conservador. Funciona a longo prazo?

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O estudo da artroscopia do joelho

O estudo foi realizado nos departamentos de ortopedia de cinco hospitais públicos na Finlândia, incluindo como participantes 146 adultos, com idade média de 52 anos (variação 35-65 anos), com sintomas nos joelhos consistentes com ruptura degenerativa do menisco medial, verificada por ressonância magnética confirmada e por artroscopia e sem sinais clínicos de osteoartrite. Os pacientes foram randomizados em dois grupos, um envolvendo a realização de meniscectomia parcial artroscópica e o outro a cirurgia placebo, reproduzindo tempo cirúrgico e demais características para manutenção do cegamento dos participantes e avaliadores. Os participantes da pesquisa foram operados entre dezembro de 2007 e janeiro de 2012, tendo sido acompanhados por cinco anos para realização deste estudo.

Os parâmetros avaliados incluíram o aumento do índice de osteoartrite radiográfica do joelho, seguindo a classificação de Kellgren-Lawrence e o Atlas da Sociedade Internacional de Pesquisa de Osteoartrite para avaliação do estreitamento do espaço articular radiográfico e soma de osteófitos (OARSI). Também foram registrados e comparados três escores de sintomas e função do joelho: Western Ontario Meniscal Evaluation Tool (WOMET), Lysholm e a dor no joelho após o exercício, usando uma escala numérica.

Ambos os grupos relataram melhora sustentada nos sintomas e função do joelho. Em ambos os grupos, a maioria dos participantes ficou satisfeito (78% no grupo da artroscopia do joelho vs 84% ​​na cirurgia placebo) com relato de melhora ou retorno às atividades normais (81% vs 88%, respectivamente).

Houve um risco maior para progressão da osteoartrite do joelho no grupo da meniscectomia medial artroscópica em comparação com a cirurgia placebo, medida pelas duas escalas radiográficas analisadas (diferença de risco absoluto ajustado no aumento em Kellgren-Lawrence grau ≥1 de 13%, IC 95% -2% para 28%; diferença média absoluta ajustada na soma OARSI pontuação 0,7, IC 95% 0,1 a 1,3). A diferença de risco absoluto na presença de sintomas mecânicos foi de 18% (IC 95% 5% a 31%), com a presença de mais sintomas relatados no grupo da meniscectomia. Todos as outras comparações dos escores avaliados foram semelhantes estatisticamente.

Este estudo concluiu que a meniscectomia medial artroscópica foi associada a um ligeiro risco aumentado de se desenvolver ostoartrite do joelho confirmada radiologicamente, sem nenhum benefício concomitante relevante para o paciente após cinco anos da cirurgia. Estes resultados corroboram as evidências de outros estudos observacionais, não randomizados ou controlados e sem estratégia de cegamento que que sugeriam um risco aumentado de desenvolver osteoartrite do joelho, após meniscectomia parcial artroscópica. Isso pode servir para encorajar fortemente os médicos e os pacientes a considerarem alternativas para o gerenciamento dos sintomas associados às lesões meniscais degenerativas.

Referência bibliográfica:

  • Sihvonen R, Paavola M, Malmivaara A, Itälä A, Joukainen A, Kalske J, Nurmi H, Kumm J, Sillanpää N, Kiekara T, Turkiewicz A, Toivonen P, Englund M, Taimela S, Järvinen TLN; FIDELITY (Finnish Degenerative Meniscus Lesion Study) Investigators. Arthroscopic partial meniscectomy for a degenerative meniscus tear: a 5 year follow-up of the placebo-surgery controlled FIDELITY (Finnish Degenerative Meniscus Lesion Study) trial. Br J Sports Med. 2020 Nov;54

 

 

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