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Associação entre idade na puberdade e o acréscimo ósseo dos 10 aos 25 anos

Colunistas, Ortopedia, Pediatria
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Tempo de leitura: 4 minutos.

Acredita-se que o pico de massa óssea atingido no final do crescimento seja um determinante importante do risco de fraturas e osteoporose em fases tardias. Simulações de remodelamento ósseo mostraram que um aumento de 10% no pico da densidade mineral óssea (DMO) atrasaria a osteoporose em 13 anos.

A puberdade é um marco importante, caracterizada pela maturação reprodutiva iniciada pelo sistema endócrino e por um dramático surto de crescimento do esqueleto em altura. Embora o potencial de massa óssea e o tempo de puberdade sejam ambos altamente hereditários, evidências indicam que a puberdade tardia pode levar a menor DMO na adolescência e na idade adulta. E, assim, a um risco aumentado de osteoporose mais tardiamente.

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Todavia não havia descrição na literatura sobre a associação entre o tempo de puberdade e o acúmulo ósseo em longo prazo até a idade adulta, incluindo a extensão e a duração de qualquer acúmulo ósseo de recuperação por adolescentes que amadurecem mais tarde. A idade no pico de velocidade de crescimento em altura (VCA) é um marcador preciso do tempo de puberdade e permite comparações dessa associação entre homens e mulheres.

No entanto, apenas dois estudos haviam examinado a associação entre a VCA e o acúmulo ósseo. Um deles incluiu 230 participantes submetidos a repetidas varreduras ósseas e o outro incluiu 500 homens participantes avaliados uma vez no início e uma vez no seguimento. 

Association Between Age at Puberty and Bone Accrual From 10 to 25 Years of Age

Elhakeem e colaboradores (2019) desenvolveram o estudo Association Between Age at Puberty and Bone Accrual From 10 to 25 Years of Age, publicado recentemente em agosto na revista JAMA Network Open. Ele se baseia na hipótese de que a saúde óssea no início da vida influencia o risco de osteoporose em fases mais tardias. O objetivo foi avaliar se o tempo de puberdade está associado ao acúmulo de DMO até a idade adulta.

Foi realizado um estudo de coorte, utilizando dados do Avon Longitudinal Study of Parents and Children, uma coorte prospectiva de nascimentos de 1991 a 1992 no sudoeste da Inglaterra. Os participantes foram 6389 britânicos saudáveis que se submeteram regularmente a acompanhamento, incluindo até seis exames de densidade óssea repetidos dos 10 aos 25 anos de idade. A análise dos dados foi realizada no período de junho de 2018 a junho de 2019. A exposição foi a idade na puberdade a partir da idade estimada ao pico da VCA (em anos).

Os resultados esperados incluíam ganhos anuais na DMO de corpo inteiro (g/cm²), avaliada por absortometria radiológica de dupla energia nas idades de 10, 12, 14, 16, 18 e 25 anos e modelada através de splines lineares. 

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Metodologia

Um total de 6389 participantes (3196 mulheres – 50%) foram incluídos. A idade média (desvio padrão – DP) na velocidade de pico de altura foi de 13,5 (0,9) anos para os participantes do sexo masculino e de 11,6 (0,8) anos para os participantes do sexo feminino. Os participantes do sexo masculino ganharam DMO em taxas mais rápidas do que as mulheres participantes, com os maiores ganhos em ambos os participantes do sexo masculino (0,139 g/cm²/ano; IC 95%, 0,127-0,151 g/cm²/ano) e participantes do sexo feminino (0,106 g/ cm²/ano; IC 95%, 0,098-0,114 g/cm²/ano) observados entre o ano anterior e 2 anos após o pico da VCA.

Quando alinhados por idade cronológica, o acréscimo de 1 ano na puberdade foi associado a ganhos subsequentes mais rápidos na DMO; as magnitudes de ganhos mais rápidos foram:

  • Elevadas em ambos os participantes do sexo masculino (0,013 g/cm²/ano; IC 95%, 0,011-0,015 g/cm²/ano) e participantes do sexo feminino (0,014 g/cm²/ano; IC 95%, 0,014-0,015 g/cm²/ano) entre as idades de 14 e 16 anos;
  • Maiores nos participantes do sexo masculino (0,011 g/cm²/ano; IC 95%, 0,010-0,013 g/cm²/ano) que nos participantes do sexo feminino (0,003 g/cm²/ano; IC 95%, 0,003-0,004 g/cm²/ano) entre 16 e 18 anos;
  • Baixas em ambos os participantes do sexo masculino (0,002 g/cm²/ano; IC 95%, 0,001-0,003 g/cm²/ano) e participantes do sexo feminino (0,000 g/cm²/ano; IC 95%, -0,001-0,000 g/cm²/ano) entre as idades de 18 e 25 anos. 

Resultados

Apesar dos ganhos mais rápidos, a idade avançada na puberdade foi associada com DMO persistentemente baixa. Mudou de 0,050 g/cm² (IC 95%, -0,056 para -0,045 g/cm²) aos 14 anos de idade a 0,047 g/cm² (IC 95%, -0,051 a -0,043 g/cm²) aos 25 anos em participantes do sexo masculino e de 0,044 g/cm² (IC 95%, -0,046 a -0,041 g/cm²) a 0,034 g/cm² (IC 95%, -0,036 a -0,032 g/cm²) nas mesmas idades, respectivamente, em participantes do sexo feminino. 

Este seguimento de grande monta em tão extenso prazo utilizando avaliações repetidas ao longo de 15 anos, mostrou que a puberdade posterior foi associada com DMO persistentemente menor entre 10 e 25 anos de idade. Tanto em participantes do sexo masculino quanto feminino, apesar dos ganhos mais rápidos na DMO durante a puberdade em pacientes com idade puberal mais avançada.

Conclusões

Esta pesquisa é um grande avanço na tentativa de preencher uma lacuna atual no entendimento de como a densidade óssea muda da puberdade para o início da idade adulta. Ademais, contribui para a evidência de que crianças que amadurecem mais tarde podem estar em maior risco de fraturas à medida que crescem. Além de apresentar um risco aumentado de osteoporose na vida adulta.

Orientações sobre como aumentar e manter a DMO (por meio de atividade física, por exemplo) devem ser oferecidos a indivíduos em idade puberal mais avançada. Os autores sugerem, no entanto, que estudos futuros devem buscar evidências mais robustas de associações entre o tempo de puberdade e o acúmulo ósseo através de grandes colaborações emergentes, como a European Union’s Child Cohort Network.

Autora: 

Referências:

  • Elhakeem A, et al. Association Between Age at Puberty and Bone Accrual From 10 to 25 Years of Age. JAMA Network Open 2019; 2 (8): 198-918.
  • University of Bristol – Science Daily. Bone strength could be linked to when you reached puberty. 2019. Disponível em:  <www.sciencedaily.com/releases/2019/08/190809113028.htm>. Acesso em: 16 de ago. 2019.

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