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mulher com dor no ouvido

Auriculoterapia: o que o médico precisa saber

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A auriculoterapia constitui uma parte importante da Medicina Tradicional Chinesa, sendo atualmente um ramo na especialidade da Acupuntura, e foi oficializada pela Organização Mundial de Saúde como uma terapia de microssistema.

É um método que conseguiu impor-se pelos resultados obtidos e por ser pouco invasivo, o que faz com que seja bem aceito pelos pacientes. Consiste na estimulação mecânica de pontos específicos do pavilhão auricular para aliviar dores e/ou tratar problemas físicos e psíquicos. Além disso, pode ajudar a diagnosticar doenças através da observação de alterações nestes pontos.

O pavilhão auricular é considerado uma parte muito importante do corpo humano por constituir um microssistema, podendo refletir todas as mudanças fisiopatológicas dos órgãos e vísceras, dos membros, tronco, dos tecidos e dos órgãos dos sentidos. Quando se produz um estado patológico em qualquer parte do corpo humano isto é refletido na orelha com reações positivas de caráter e localidades diferentes, específicos a cada enfermidade.

Pontos auriculares são zonas específicas distribuídas na superfície auricular que refletem fielmente a atividade funcional de todo o organismo. A maioria desses pontos tem a característica de tornarem-se reativos ante um processo patológico em sua zona correspondente no corpo. Todas as regiões e órgãos do corpo humano estão representados então na orelha, como se a orelha fosse um feto em posição cefálica (de cabeça para baixo).

Na prática clínica, podemos observar uma grande diversidade de pavilhões auriculares que variam quanto ao tamanho e a forma, mas em todos se encontram distribuídos os pontos auriculares, seguindo os mesmos princípios.

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Em caso de doença, reações se manifestam fielmente no ponto ou área específica da região comprometida, através de mudanças morfológicas, da coloração da pele, dor à exploração táctil, presença de edemas ou cordõeszinhos detectados na palpação, mudanças na resistência elétrica, eczemas ou telangiectasias.

Todas estas reações podem aparecer antes que a enfermidade se manifeste e também desaparecer depois da cura da doença. Os pontos diagnosticados como positivos são selecionados para o tratamento, utilizando a estimulação mecânica.

O tratamento consiste na colocação, após assepsia rigorosa, de um material esférico e de superfície lisa, que pode ser um pequeno cristal ou mais comumente sementes de mostarda, presos à pele com pequenos pedaços de esparadrapo, de forma que façam pressão nos pontos auriculares.

Na prática clínica, tem se verificado que ao estimular um ponto auricular podemos nos deparar com diferentes manifestações sentidas pelo paciente, como sensação de corrente, energia que corre pelo corpo, calor que corre pelo pavilhão da orelha e que se reflete em partes específicas do corpo. O paciente deve estimular as esferas várias vezes ao dia, evitando molhar e deslocar o esparadrapo. As esferas assim colocadas podem permanecer por um período máximo de sete dias, e observa-se um período mínimo de 24 horas com a orelha livre para refazer o tratamento.

Esta técnica não deve ser empregada caso o pavilhão da orelha esteja machucado, com úlceras ou eczemas, e o paciente deve ser orientado a procurar o médico caso ocorra dor acentuada, prurido, sangramentos e edemas. É preciso observar também os cuidados de higiene geral do paciente, pois vivemos num país quente e úmido, o pavilhão auricular é muito sensível e o material orgânico utilizado (sementes) pode facilitar a proliferação bacteriana.

A auriculoterapia é especialmente indicada quando o paciente não deseja ou está impedido de usar agulhas de acupuntura por qualquer motivo, e também como complemento à terapia com agulhas para continuar o tratamento em casa. De todas as formas, é sempre bom enfatizar que a acupuntura, qualquer que seja a técnica empregada, é uma terapia complementar e não substitui o tratamento convencional da medicina ocidental.

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