Medicina Laboratorial

Avaliação da fase pré-analítica do exame de urina de rotina

Tempo de leitura: 3 min.

O exame de urina de rotina, também conhecido como EAS (elementos anormais e sedimentoscopia), urina tipo 1, sumário de urina ou parcial de urina, é um dos exames mais solicitados e importantes de ponto de vista clínico-laboratorial. 

De fácil coleta e realização, além da rapidez, simplicidade e do baixo custo, o exame de urina de rotina (quando bem indicado, feito e interpretado), pode fornecer dados valiosos ao médico solicitante, auxiliando o raciocínio clínico.

Leia também: Como resolver o excesso de exames de rotina?

Tome as melhores decisões clinicas, atualize-se. Cadastre-se e acesse gratuitamente conteúdo de medicina escrito e revisado por especialistas
Cadastrar Login

Fase pré-analítica

A realização dos exames laboratoriais pode ser dividida em três fases: pré-analítica, analítica e pós-analítica. A parte pré-analítica corresponde àquela fase dos exames que é compreendida desde o preenchimento da sua requisição pelo médico assistente, passando pela orientação do paciente, coleta, identificação e armazenamento do material, até imediatamente antes da sua análise em si. 

Atualmente, essa etapa pré-analítica é a responsável pela maioria dos erros laboratoriais (46% a 84%), o que impacta diretamente na qualidade, análise e liberação do resultado final. Dessa maneira, incorrendo também em um maior número de recoletas, devido às várias possibilidades de inadequações durante essa importante fase do exame.

O estudo

Para se avaliar os principais erros pré-analíticos do exame de urina de rotina, foi realizado um estudo descritivo exploratório dos pacientes de um laboratório clínico privado da cidade de Maringá, PR. As informações foram extraídas do banco de dados do controle da qualidade desse laboratório, cujas amostras urinárias foram coletadas durante um período de 5 anos (janeiro de 2014 a dezembro de 2018).

Um total de 107.277 amostras foram incluídas no trabalho, sendo que 98 destas tiveram que ser recoletadas por diversos motivos, representando um índice geral de novas coletas de 0,09% no período. Os pacientes das urinas recoletadas apresentaram uma faixa etária que variou de 1 até 93 anos, com média de idade de 41,3 ± 23,7. Desse total, 18,4% (n=18) eram amostras de indivíduos do sexo masculino, enquanto que 81,6% (n=80) correspondiam ao sexo feminino. 

Os autores justificaram essa maior proporção de recoletas em mulheres devido a essa população realizar mais exames de urina que os homens (a infecção do trato urinário, dentre outros fatores, é mais frequente nas mulheres em virtude de diferenças anatômicas), não havendo associação estatisticamente significativa do sexo quanto ao motivo da recoleta.

Saiba mais: Covid-19: pandemia provoca redução de até 90% de outros exames, alertam entidades médicas

Dentre as principais causas de recoletas auferidas pelo estudo, destaca-se o material insuficiente (considerado inferior a 10 mL de urina exigido pela técnica automatizada adotada pelo laboratório), a contaminação da amostra (sugestiva de coleta e/ou armazenamento inadequado), a necessidade da confirmação do resultado, a identificação errada do material, paciente menstruada e amostra acidentada.

Conclusão

Como todo exame laboratorial, a análise da urina de rotina depende do correto manejo das 3 fases do exame (pré-analítica, analítica e pós-analítica). Dessa forma, permite-se atingir uma maior acurácia diagnóstica, garantindo um resultado fidedigno com o quadro clínico do paciente.

Após a análise dos resultados obtidos, os autores puderam observar que a grande maioria dos pedidos de recoletas poderiam ser mitigados com uma melhor orientação prévia do paciente, esclarecendo eventuais dúvidas, principalmente aos idosos.

Portanto, um treinamento apropriado da equipe técnica do laboratório, aliado ao fornecimento de instruções claras verbais e/ou escritas aos pacientes, pode fazer com que haja uma redução significativa das solicitações de recoletas dos exames de urina. 

Proporciona-se assim, a possibilidade de um resultado mais ágil e acurado, evitando também o desconforto e descontentamento do paciente ao ser informado de que deva retornar ao laboratório para a entrega/coleta de um novo material.

Autor(a):

Referências Bibliográficas:

  • Saramela MM, Fernandes TRL. Avaliação da fase pré-analítica do exame de urina de rotina em laboratório privado da cidade de Maringá, Paraná, Brasil. J. Bras. Patol. Med. Lab.2021;57(1):1-6. doi: 10.5935/1676-2444.20210013
Compartilhar
Publicado por
Pedro Serrão Morales

Posts recentes

Adaptação cardiovascular na gestação: por que devemos conhecer?

A gestação envolve muitas adaptações. Dentre elas, a adaptação cardiovascular. Por isso, é importante se…

33 minutos atrás

Check-up Semanal: nova diretriz para TPV, probióticos na tolerância à APLV e mais! [podcast]

Check-up Semanal: confira as últimas notícias sobre as novas diretrizes para TPV, o uso de…

16 horas atrás

Atualização no tratamento da hipertensão arterial pulmonar

A hipertensão arterial pulmonar (HAP) era até pouco tempo uma doença com prognóstico sombrio e…

18 horas atrás

Crianças e adolescentes não sofrem lesões ligamentares do tornozelo?

Uma revisão sistemática recentemente buscou determinar a incidência dos diferentes tipos de lesões laterais do…

19 horas atrás

O papel do peptídeo natriurético cerebral na fibrilação atrial

Estudo investigou o efeito do NT-proBNP basal na recorrência de FA após ablação por catéter…

20 horas atrás

Tratamento da policitemia vera: conceitos importantes

Muitos pacientes com policitemia vera são assintomáticos e descobrem a doença acidentalmente, em hemograma realizado…

21 horas atrás